Naquela mesma tarde, Nozomu foi convidado para passar a tarde no apartamento das garotas. A tarde trazia consigo a falta de luz, o sol se despendia aos poucos. As ruas de Seul, agora menos movimentadas, se mostravam belas, a beleza do vazio.
– Ana, como faço agora? O que digo para o Hiroki? – Nozomu atuava bem.
– Eu apenas quero que ele saia do meu pé. Prometo que assim que passar, deixo isso de lado. E conto a verdade. – Ela se explicou.
– Por quê n******e ser sincera com o garoto, Ana? – Indagou Adrielly.
– Talvez ela goste dele, e não quer admitir tão cedo. – Fabíola levantou uma hipótese.
– E como eu fico nessa história? O que digo se perguntarem? – Mais uma vez, o asiático queria explicações.
– Diga que namorados. Fim do assunto, por favor Nozo. Prometo fazer o que quiser. – Ana ajoelhou-se na frente do garoto, pedindo piedade.
Nozomu ficou constrangido.
– Esta bem, esta bem. Apenas levante, está chamando a atenção das pessoas.
– Quais pessoas? Estamos quase sozinhos aqui, Nozo. Bicho fresco. – A mais nova respondeu.
– Fresco? Pelo que me lembro, você está querendo um namorado falso apenas porque não quer dar o fora em alguém.
– Eu já tentei dar, mas ele continua insistindo.
– Os foras da Nalu são assim: Não te quero, mas estou disponível. – Disse Fabíola.
– Ei! Olha que vou marcar um encontro para você! – Ana ameaçou, todos riram.
– Nozomu, você já se alistou no exército? – Adrielly indagou.
Todos caminhavam um ao lado do outro.
– Não, fui dispensado. Me disseram que não sou um homem bom para essas coisas. – Respondeu sem graça.
– Ah, não se preocupa. Não ligamos para essas coisas. – Fabíola respondeu, confiante.
– E não se preocupa, Nozo. Prometo que não vou na sua formatura. Não quero que você tenha problemas por lá. – Ana tranquilizou.
– Obrigado.
– Mas você tem que me ajudar. Preciso ficar longe do Hiroki.
– E como vai conseguir sendo que ele estuda aqui? – A ruiva perguntou.
– Se ele nos ver. Vai ser tranquilo. – A mais nova continuava confiante.
– Então... tenho que ficar grudado em você?
– Exatamente. – Ana finalizou.
O apartamento, agora cativado pela presença das garotas, estava decorado. A sala, pronta para uma cessão de cinema. Agora, todos se dispunham no carpete em frente a TV. Não faltava comida na mesa de centro.
– O que vamos assistir? – Ana estava com o controle na mão.
– Terror? – Nozomu deu a sugestão.
– Não. Sem terror, por favor. Não quero ficar assombrada a noite. – Fabíola rejeitou.
– Acho que comédia é bom para todos. – Todos aceitaram a ideia da ruiva.
O filme de comédia começou, e todos estavam atentos. Adrielly, ao lado de Nozomu, sentia-se confortável. Estava feliz de ter encontrado amigos coreanos.
– Essa garota é a cara da Bae. – Fabíola começou a ter uma crise de risos.
– Wo, concordo. – O asiático riu junto.
– Quem é Bae? – Perguntou Ana.
– Esquecemos de dizer. Já que você quis se trancar na biblioteca, o Nozo apresentou os amigos dele. A Jung Bae e o Oliver. – Adrielly explicou.
– E o Nozomu tem amigos? O bicho não era solitário?
– De forma alguma, ele tem bons amigos. – A cacheada enfatizou.
– O que mais preciso descobrir que eu não saiba? – Ana indagou novamente.
O filme acabou depois de algumas horas. E no final, todos estavam cansados pelo longo dia. Olhando no relógio, as garotas perceberam que já era tarde da noite.
– Está muito tarde para você ir embora, Nozo. Por quê não passa a noite aqui? – A cacheada sugeriu.
– Não posso. Preciso de roupas para ir ao colégio amanhã, mas obrigado pelo convite. – Nozomu se desculpou simpático.
Enfim, o garoto recolheu seus pertences, se despediu e foi embora contente. Adrielly chamou um taxi para que o mesmo não andasse sozinho.
– Enfim, quero minha cama. – Disse Ana, as três arrumaram a casa, apagaram as luzes e foram dormir.
No dia seguinte, todas se aprontaram a seguiram para o colégio. No caminho, as ruas estavam movimentadas novamente.
– Queria poder ter vindo quando os Bagtan Boys ainda cantavam. – Disse Ana.
– Também queria muito. – Fabíola estava com um de seus fones novamente.
– Podíamos ir nas lojinhas deles. Será que ainda existem? – Adrielly perguntou.
– Vamos marcar de ir depois da aula. – Disse Ana, feliz.
Na faculdade, as garotas não estavam com v*****e de passar na lanchonete, então resolverão deixar para mais tarde. O dia seria longo.
– Vocês vão querer ir na formatura do Nozo? – Adrielly perguntou.
– Eu quero, vai ser legal. – Fabíola respondeu. – E você, Ana?
– Sim, o problema é se ele vai me querer lá. – A mais novava estava cabisbaixa.
– Claro que ele vai querer, ele é nosso amigo.
Caminhando para a sala de aulas, as garotas perceberam que algo estava diferente. Não havia circulação de nenhum aluno pelas redondezas. Até a aparição de Bae.
– Garotas! – Bae cessou a corrida.
– Bae? O que aconteceu? – Fabíola perguntou, preocupada.
– Ela é a Bae? Oh. – Enfim, Ana entendeu.
– Falamos com o seu professor. E ele liberou vocês para participar do festival da universidade. – Disse animada.
– Jura? – Fabíola estava eufórica.
– Sim. Agora vamos, vocês precisam se inscrever nas atividades. – A asiática segurou o braço de Adrielly e Ana, e saiu correndo.
No pátio principal, todos os alunos estavam reunidos. A universidade, colorida com as decorações, apresentava sua melhor reunião uma vez ao ano. Todos os alunos deveriam se inscrever, montar uma equipe e criar um projeto, que talvez seria ganhador de um prêmio em dinheiro.
Hiroki e Nozomu estavam no banheiro, conversando em frente ao mictório.
– Como vou fazer? Ela disse que seria minha namorada. E se ela quiser me beijar? – Disse Nozomu, preocupado.
– Nem pense nisso. – Hiroki advertiu.
– E você vai contar para o resto da faculdade?
– Claro que não. Quer que eu conte sobre a garota que eu gosto? Nozomu, de que planeta você veio?
– Pergunto o mesmo de você. Apareceu no colégio do nada, começou a gostar de uma estrangeira e se preocupa com ela a todo momento. Tomou algum entorpecente?
– Eu só gostei dela. É diferente das outras garotas, o jeito que ela foge, é divertido. – Hiroki fez uma cara de bobo. – A Bae conseguiu falar com o professor?
– Sim, disse que ele liberou. Ela já foi buscá-las. – Guardou o passarinho para dentro.
– Todos juntos, fazemos uma equipe. Você me ajuda, e eu te ajudo. O plano é o seguinte...
As inscrições começaram com fervor. Bae havia encontrado os outros garotos, e agora, todos estavam juntos.
– Ainda falta uma pessoa para completar a equipe. – Bae disse.
– O único que ainda está sozinho, é o Hiroki. Podemos chamá-lo. – Oliver respondeu.
– O que? – Ana estava assustada.
Bae correu e chamou o garoto.
– Ele aceitou. Enfim, todos estão juntos, vamos começar a separar os trabalhos.
– Como isso funciona? – Fabíola continuava perdida.
– Precisamos criar um projeto para divulgação e incentivo de ingresso na universidade. É algo divertido. – Bae explicou, simpática.
– Oh, vamos virar o Steve Jobs? – A cacheada brincou.
Após a divisão de tarefas, todos se reunirão na biblioteca, com o intuito de pesquisar mais sobre Marketing. Ana evitava Hiroki, puxando Nozomu para perto de si.
– Ana e o Hiroki podem ficar com a imagem da p********a. – Sugeriu Fabíola.
– Por que eu? – A mais nova se rebelou.
– Porque você sempre gostou de criar coisas assim, mais visuais.
– Certo, eu posso ficar com a Adrielly, podemos pesquisar mais sobre a divulgação. – Nozomu disse, quase que em silêncio. Tremendo.
– Vou ficar com a Fabíola. Oliver, você vem junto. – Bae aproximou os três.
Os três grupos seguiram para direções diferentes. Hiroki e Ana Luiza ficaram na mesa, utilizando o computador do garoto.
– Quer montar a paleta de cores? – Disse Hiroki, na esperança de começar uma conversa.
Ana balançou a cabeça.
– Vou montar o estilo. – Continuou, silêncio novamente. A garota estava pesquisando no celular.
– Azul e prata combinam com a universidade. Não acha? – Finalmente Ana disse algo. Ainda era fato que estava tremendo.
– Sim, podemos usar alguns detalhes. Vai ficar legal. – Respondeu focado.
– Azul é sua cor favorita? – O garoto continuou.
Balançou a cabeça.
– Percebi pela mochila e os materiais. – Hiro riu com a ideia.
– E a sua?... – Ana rejeitava a ideia de olhar no rosto do garoto.
– Laranja.
– É sério? – Não acreditou.
– Sim, qual é o problema?
– Você não tem nada laranja.
Enquanto isso, entre as prateleiras, Bae e Fabíola procuravam livros históricos da cidade. Oliver estava sentado no chão, anotando partições.
– O que está fazendo, Oliver? – Fabíola perguntou.
– Anotando algumas ideias. A música tem de ser chamativa. – Respondeu com a caneta na boca.
– Que não seja algo clássico. Bethoven não combina. – Brincou.
– De jeito nenhum. – Oliver simpatizou.
– Quanto tempo dura o festival?
– Até o dia da formatura. – Bae estava lendo os livros que achava.
– Fabíola, você namora? – A asiática perguntou.
– Oh, não. – A brasileira respondeu sem graça. – Nunca namorei.
– Jura? Acertei! Oliver, você paga a bebida.
– Agora você tem que cumprir o resto da aposta. – Oliver mantinha os olhos nos cadernos.
– Como assim? – Fabíola estava perdida.
– É surpresa, Fabí. Aliás, você gosta de beber? – Bae estava com cara de quem iria aprontar algo.
Andando pelo pátio, os responsáveis pela etapa de distribuição: Adrielly e Nozomu andavam observando os tipos de panfletos que viam pelas paredes.
– Gostei desse. Banners são bem viáveis. – A ruiva sorria.
– Mas não é algo que possa dizer "Nossa, iremos divulgar para toda a galera" No âmbito virtual seria melhor. – O asiático respondeu.
– Entendi, mas algo que saísse da tecnologia também legal.
– Vamos pensar no caso. E... você tem algo para. – Nozomu estava quase travando. – fazer depois da formatura?
– Depois da sua formatura? Hm, acho que não. Dependendo do projeto, é claro. – Adriellly sabia em quem ponto o garoto queria chegar.
– Poderíamos... tomar um café? – Escondeu as mãos trêmulas.
– Ou talvez conhecer algum lugar da Coréia, se você quiser. – Continuou, quase gaguejando.
– Seria legal, eu topo. – Adrielly, sorriu. O garoto também.
– Então... sobre os meios de divulgação. Podemos colocar alguns cartazes perto de colégios. – Nozomu mudou de assunto.
– Vamos sim.
Na biblioteca, Ana, agora mais a v*****e com seu parceiro, estava adorando o trabalho. E diferentemente de antes, não levava nada para o lado pessoal, muito menos o interesse por parte de ambos.
– Sim, a divisão tem de ser em três partes? – Hiroki perguntou, cuidadoso.
– Se fossem duas, ficaria desproporcional. Ainda acho que falta alguma coisa. – Ana Luiza respondeu.
– Consigo fazer um preenchimento nos lados. Talvez ajude. – Foi atencioso.
– Ajuda sim. Enfim, quer comer algo? Vou na lanchonete. – Nem a mais nova entendia o motivo de estar sendo gentil.
De longe, o g***o da parte histórica os observava de longe. Todos estavam escondidos, e ao mesmo tempo na obviedade.
– Será que eles estão dando certo? – Fabíola perguntou, esperançosa.
– Pela cara do Hiroki, acho que sim. – Oliver respondeu.
Ana esperava pela resposta do garoto, ansiosa.
– Posso ir com você? – Hiroki perguntou. A garota deu de ombros.
Os dois, caminhando um ao lado do outro, desceram as escadas, caminharam pelo pátio e chegaram até o trabalho de Hiroki. O estabelecimento não possuía muito movimento.
– O que vai querer? – Hiroki perguntou, já com a carteira na mão.
– Desculpa, mas eu não gosto que paguem nada para min. – Fez o pedido e pagou sozinha. O garoto riu com a situação.
Enfim pediu o mesmo.
– Como vai o namoro com Nozomu? – Perguntou mordiscando o sanduíche.
– Namoro? ... Ah! Vai bem, ele é um fofo. Como pode ser tão tímido? – Ana disfarçou.
– É por que você é a primeira namorada dele. Acho que é normal.
– Primeira namorada? – A mais nova se assustou com a afirmação.
No final da tarde, Bae e as garotas decidiram ir juntas para explorar as lojas coreanas em busca dos tão sonhados objetos de fãs.
– Ali! Ainda sobraram algumas lojas deles. Não se preocupem. – A asiática assegurou.
As três entraram um estabelecimento repleto de itens para fãs. Desde bonecos a camisetas, a loja maravilhava quem passasse por perto. Principalmente uma antiga fã dos Bangtan Boys.
– Queria tanto poder ter ido a um show deles. Agora que estou na Coreia, não posso. Que problema, Deus tem comigo? – Ana desabafou.
– Talvez um dia possamos ver eles. Ou comprar uma almofada com a cara deles, e dormir abraçada. – As ideias de Fabíola eram fantásticas.
– Vou levar uma camiseta, e um bonequinho. Um dia ainda quero um robô com o nome do JungKookie. – A mais nova estava decidida.
– Nalu e suas mágicas. Aliás, não me apresentei, sou Bae. – A asiática queria se enturmar.
– Prazer. Desculpe não conversar muito, é por causa do trabalho. – Ana se desculpou.
– Não se preocupe. Temos muito tempo para conversar. Agora peguem todas essas bugingangas e vamos pagar, estou com dor nas pernas.
Assim que pagaram, se despediram da amiga asiática, e voltaram para casa. Preparam uma refeição simples, e foram para seus quartos.
No quarto, Ana olhava as mensagens no celular. O que antes eram apenas uma mensagem, se tornaram três. Hiroki havia mandando as modificações e como estava o trabalho.
A garota sorriu com a insistência.
Ana: Gostei de trabalhar com você. Vamos dar nosso melhor!