S.O.S Amor

2242 Words
 – Não vou te machucar, ou correr atrás de você. – Disse o garoto ao ver Ana tentar fugir novamente. Em seu estômago, as borboletas se transformaram em pássaros. Estava insuportável, ela não queria enfrentar uma situação como aquela. Situação simples. Simples, mas extremamente complicada para uma garota insegura. – Tudo foi uma brincadeira. Eu... Não foi a intenção. – Virou se e respondeu. Palavras fortes, o garoto sorriu. A garota começou a caminhar novamente. Hiroki a segurou pelo braço. – Não havia a intenção... ou não pensou que eu corresponderia? O silêncio se tornou uma barreira naquele momento. Ana Luiza não queria responder. Por fim respondeu. – Eu não me interesso por garotos como você. Acha que me comparo com garotas que correm atrás de você? – A mais nova se libertou da mão do garoto e saiu dali. Não foi muito longe, apenas se sentou na mesa em que estava. E Hiroki se sentou ao seu lado. – Não, você não parece com nenhuma daquelas garotas. Muito menos age como uma. – Disse simpático, e logo se levantou em seguida, seguindo para fora da biblioteca. Enquanto isso, Fabíola e Adrielly se divertiam com as histórias da chegada de Oliver na Coreia do Sul. Todos agora estavam sentados no chão, compartilhando balas e doces que as estrangeiras nunca haviam provado antes. – Esse é muito azedo. Pior do que os brasileiros. – Adrielly disse fazendo careta. – Os doces que o Oliver trouxe, são ainda piores. – Comentou Nozomu. – Ei Nozomu, seu nome me soa mais japonês. – Fabíola estava sentada ao lado de Bae, analisando perfis de garotos universitários. – Ele é o único garoto com um nome estranho em nossa sala. – Bae respondeu de prontidão. – Meus pais viajaram para o Japão no passado. No dia em que estavam caminhando, uma xamã disse para eles que meu nome devia ser esse. E aqui está Nozomu. – E todos riram com a resposta do garoto. – O nome combina com você. – Adrielly sorriu. – Adrielly é um nome bastante complicado de se pronunciar. – Bae olhou para a garota, divertida. – Um dia aprendo. Por enquanto, não me mate. – Continuou rindo. – Tudo bem. E quais garotos estão vendo? – A ruiva respondeu, se aproximando das garotas. – Universitários daqui. A Bae me mostrou o namorado dela. Se formos sortudas como ela, estamos feitas. – A cacheada estava animada. – Ei, nada de garotos. Não vamos ficar sobrando aqui. – Oliver pegou o celular da amiga. – Guardado. Jung Bae fez beicinho. – Qual é o curso de vocês? – Indagou Fabíola. – Nozo e eu fazemos economia, o Oliver, musica. – Bae respondeu. – Ninguém faz cálculos melhores que ele. Calculadora humana. – Oliver brincou. Seus cabelos loiros pendiam sobre os olhos. – Sobrevivo nessa universidade por causa dele. – A asiática estava animada. A medida que conversavam, alguém os surpreendeu. Hiroki estava na porta; assim que viu as garotas, ficou paralisado. Nozomu parecia esconder algo, Adrielly percebeu e riu. – Hiro? Chegou cedo. – Disse Oliver, o convidando para entrar. – Não disse que iria para a biblioteca estudar? – Bae perguntou. – Espera, vocês conhecem ele? – Fabíola indagou. – Nã... – Nozomu foi interrompido. – Claro, ele anda com a gente. É mais fácil para evitar as garotas. – O americano tirou sarro. – Quem te levou a fugir dos estudos de novo? – Aish... – Hiroki deu suas primeiras palavras. – É, não deu, Hiro. – Nozomu passou a mão pelas costas do garoto. – Então quer dizer que você mentiu para a Ana, Nozo. Hum. – Fabíola foi cautelosa com as palavras. – Não. Ele realmente foi falar com o Moogang. – Se explicou. – Porque você não queria me falar sobre ela, i*****l. – O moreno se virou para Nozomu. – O Hiroki interessado em alguém? Você deveria ser justo com as outras garotas. Existe uma fila te esperando. – Bae não mentiu. Hiro preferiu não responder. – Devemos contar para a Nalu? – Fabíola se virou para Adrielly. – Não. Isso vai ser um jogo divertido. – A ruiva respondeu. A aula da tarde começou com a chegada do professor. Todos estavam no laboratório do ultimo andar, vestidos a trajes específicos e EPIS. O jalecos favoreciam muito o visual das intercambistas, exceto Moogang. – Como hoje é dia de prática, vamos recolher amostras do corpo de um soldado, não se preocupem que não é necrofilia.– Brincou Moogang. O corpo a ser analisado estava sobreposto em uma grande mesa. Nas laterais, instrumentos para dissecação se mantinham a postos. Os rastros da bactéria deixados no material eram evidentes, principalmente a magreza. – Por que isso não poderia estar em um necrotério? – Ana estava começando a ficar enjoada. – Então... ele precisa ser admirado antes de morrer. Querem o numero pós morte dele? – As piadas do professor nem sempre eram boas. – A Coréia sabe de algo sobre essa bactéria, professor? – Perguntou Fabíola. – Não, parece que o exercito quer sigilo. Enquanto isso, boquinha fechada. – Respondeu. – As amostras a serem colhidas são de tecidos muscular, e adiposo. Os exames sanguíneos já foram feitos por Nozomu. – Se não conseguirmos resultados claros, iremos mais a fundo. Certo meninas? Balançaram a cabeça positivamente. – As instruções práticas estão no roteiro do procedimento. Deixei algumas cópias no balcão, coletem as amostras e as levem para fixação na placa de Petri. – O resultado da fixação sai somente amanhã. Então não se preocupem . – Após a prática, estão liberadas. Precisarei deixar vocês com o Nozomu, tenho mais aulas para repor. Até mais meninas! – O professor finalizou e saiu da sala, as pressas novamente. A análise se deu inicio com a ajuda de Nozomu. Apesar de fazer economia, demonstrava domínio com os objetos de laboratório. – As faltas de manhã irão render um belo trabalho. – Ana comentou. – Não me lembrava que as salas de laboratório eram geladas assim. – Fabíola estava tremendo. – É por conta do corpo. Melhor do que sentir o m*l cheiro. – Disse Nozomu. Adrielly começou a recolher a amostra. Nozomu era o mais próximo a ela. – Você pode pegar do rosto. São melhores na fixação... assim, com cuidado. – Disse atencioso. – Vai precisar de mais três partes do corpo. – Continuou. – Temos que fazer isso com o corpo todo? – Ana estava muito incomodada. – Sim. Principalmente onde vemos as obstruções, e nos lugares mais ferrados. – O garoto respondeu. – Fico com parte do adiposo. Ana, vai querer me ajudar? – Perguntou, a cacheada. – Claro. – Vou ajudar vocês. Peguem aquele instrumento. – Nozomu apontava e auxiliava atencioso. – Ei, Nozo. O prontuário dele está aqui? – Ana iria aprontar. – Sim. Por quê? – Estou curiosa. – Olhou ao redor em busca do documento. E o encontrou. – Não fica enrolando, Ana. Sei que está evitando colocar a mão aqui. – Adrielly advertiu. – É rápido, prometo! – O nome dele era Goo so, 25 anos. Nossa! Muito novo. Deu queixa dos sintomas 30 dias antes de falecer no dormitório, e não tinha contato com ninguém de fora da base há seis meses. Coitadinho. – A mais nova observava o papel, atenta. – Mais uma informação, a doença se alastra rápido. – Fabíola concluiu. – Infecção rápida em uma base. – Ana estava pensativa. – O pior é o governo não querer revelar nada. Tive de assinar um papel jurando que manteria sigilo. – Explicou o asiático. Enfim, após três horas, toda a análise foi terminada. Agora, todos guardavam os instrumentos, enquanto Nozomu fechava o corpo. A cena se assemelhava a algo muito profissional, embora feita por estudantes. – Preciso descansar. Meu pescoço esta dolorido. – Adrielly alongava o m****o, na esperança de conforto. – Podemos comer algo na lanchonete, se quiserem. – O asiático propôs. – Topo, mas se aquele garoto estiver, eu vou sumir. – Ana avisou. – Para de ser dramática. Vai morrer de fome por causa de um garoto, Ana? – Adrielly se aborreceu. – Não, claro que não. – Vamos logo, galera. Fiquei vendo um defunto por três horas, e agora estou morrendo de fome. The Walking Dead, la vamos nós! – Todos riram com a resposta de Fabíola. Na lanchonete, todos decidiram se sentar em uma mesa ao ar livre. Então, escolheram uma mesa de frente para o grande pátio. – Deveríamos avisar o Moogang, Nozomu? – Ana perguntou. – Não se preocupem, já avisei. – Respondeu se levantando para fazer os pedidos. – Então foram duas mensagens, porque também mandei o aviso. – Adrielly riu. – O bom é que ele não vai se esquecer. – O garoto sorriu de volta. – O que vão querer? – Vou com você. – Adrielly se ofereceu. – Quero algum doce. E um suco de laranja. – Ana começou a olhar suas mensagens. – Um hamburgão. É disso que preciso agora. – Fabíola estava faminta. – Alguém da uma olhada se a Fabíola não virou um zumbi? Adrielly e Nozomu saíram, deixando as duas meninas sozinhas. – Não está com medo que o garoto da lanchonete apareça? – A cacheada indagou. – Agora que me lembrei. Acredita que ele apareceu na biblioteca? Fiquei morrendo de vergonha. – Ana respondeu. – Jura? O que ele disse? – "Não havia a intenção ou não pensou que eu corresponderia" Por acaso eu tenho cara de dorameira? – A mais nova foi sarcástica. – Talvez ele seja seu Michael Lee. Nunca se sabe. – Mais uma dessas, e eu arrumo um encontro para você! Dentro da lanchonete, os dois estudantes, um ao lado do outro, escolhiam o pedido. Nozomu se sentia na v*****e de dizer algo, mas preferia guardar para si mesmo. – Acho que vou pedir o mesmo que a Ana. O que acha? – Disse Adrielly. – Me parece bom, se você quiser ficar acordada o resto da noite. – É... acho que vou pedir algo mais natural. – Escolheram em pouco tempo e voltaram para a mesa. Agora, todos reunidos. Os quatro se deliciavam com a tradicional comida coreana. Fabíola, com as bochechas cheias, não economizava no ketchup. – Viram ele? – Ana perguntou repentinamente. – Quem? O Hiroki? – Adrielly se fez de desentendida. – Ele parece não trabalhar no turno da noite. – Disse Nozomu. A garota suspirou aliviada. – Hoje foi divertido. Apesar de termos lidado com a morte, literalmente. – Fabíola mudou de assunto. – Estou com medo de não obtermos resultados. – Ana foi sincera. – Pesquisa é assim mesmo. Pelo menos vocês estão tentando. – O asiático tentou confortá-las. – Havia algum critério de escolha escondido na pesquisa? É muito estranho terem pegados brasileiras. – Adrielly indagou. – Não que eu saiba. – Talvez porque é um projeto de iniciação, e fomos bem qualificadas?-- Fabíola se recusava em pensar em outra explicação. – Vamos aproveitar e dar nosso melhor. Não acho que tenha algo para se preocupar. – Ana deu um gole em seu suco. Enquanto todas comiam, Hiroki passou pela mesa. O garoto entrou e fez um pedido. Assim que a mais nova o viu, decidiu se esconder debaixo da mesa. – Ana, você esta bem? – Nozomu se assustou. – Ela deve ter visto o Hiroki, aposto. – A cacheada riu. Hiro saiu da lanchonete, com uma comida na não. Vestido com uma camiseta azul, portava sua mochila nas costas, concentrado. Não olhava para ninguém. – Vamos chamá-lo para sentar aqui. – Adrielly propos. – Chama ele. Nozomu sinalizou com a mão, Hiroki sorriu assim que viu o convite. Naquela altura, Ana já estava sentada normalmente, decepcionada com suas amigas. – Ainda mato vocês. – Disfarçou olhando para Fabíola. – Oi pessoal. – O garoto disse sorrindo. – Deve ser difícil trabalhar em uma lanchonete. – A chacheada tentou puxar assunto. – Um pouco, ainda mais estudando. – Respondeu. – Você estuda? O que? – A ruiva fingiu estar impressionada. – Engenharia. – Continuava simpático. – Área bem complicada. Se eu tivesse paciência, faria. – Fabíola entrou na conversa. – Ah! Que sem educação de nossa parte. Não nos apresentamos. Somos, Nozomu, Fabíola, e eu, Adrielly. – Nomes diferentes. Parecem complicados de pronunciar, exceto Nozomu. – Japonês, prazer. – As outras riram com a reposta do amigo. – Não sei por quê, mas parece que estamos vivendo um dejavu. – A resposta de Fabíola fez com que todos dessem gargalhada. – Não sabia que ela era tão tímida – Disse Hiroki, olhando para a garota já vermelha. – Conhece os tomates do globo rural? Alta qualidade. – A cacheada respondeu. – São universitárias também? – Ele perguntou. – Intercambistas. – Adrielly estava terminando de comer. – Oh, legal. E você... te vi com o professor ontem. – Hiroki se virou para Nozomu. – Auxiliar do professor... e ... – O garoto disse até ser interrompido. – E meu namorado! – Ana respondeu se aproximando do garoto. Todos da mesa ficaram se reação. Principalmente Nozomu. – Oh. – Hiroki estava sem graça, mesmo sabendo a verdade. – Bom... tem algum evento próximo? – Fabíola tentou mudar de assunto. – Sim, o baile de formatura dos formandos. – Hiro respondeu, simpático. – Sério? Quando? – Daqui a dois dias. – Nozomu respondeu. – Você também sabia, Nozo? – Adrielly perguntou. – Sim. É a minha formatura.
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