Formatura

2628 Words
  A sala de aula, agora movimentada com as três garotas, se mantinha iluminada. O ar quente dos aquecedores deixavam o local mais aconchegante. Pela janela, a neve se mostrava mais abundante que antes, talvez Hiroki estivesse certo. Ana olhava, pelo vidro, cada floco de neve cair sobre o chão branco. A noite anterior, apesar dos problemas e sentimentos confusos, havia se tornado uma excelente memória. Enquanto isso, ao lado da garota, Fabíola e Adrielly debatiam sobre os estudos e as propostas para o concurso. As duas, com cabelos amarrados em coque, deixaram os casacos sobre a mesa, e agora, mantinham se apenas com roupas de duas camadas. A cacheada com sua camiseta de um antigo fandom, por outro lado, a ruiva se mantinha neutra com sua blusa de vermelha; Ambas de mangas longas. – O que será que a Ana está pensando? – Fabíola parou para observá-la. – Talvez, no motivo de ter chegado tarde da noite. – A ruiva estava curiosa. – Ah! Quase me esqueci de falar. O Nozomu nos chamou para a formatura dele. – Adrielly continuou. – Oh, não estava preparada para isso. – Fabíola levou a mão a boca. – Mas teremos o que usar? Digo, o dinheiro que recebemos. Os vestidos são muitos caros? – Não sei, mas podemos comprar na internet. Ou em algum bazar, roupas nunca perdem o charme! – Estou orgulhosa, esta aprendendo comigo. – A cacheada sorriu ladino. A mais nova ouvia a conversa sem se preocupar muito. Enfim se virou para as amigas, na intenção de argumentar. – Não quero ir, meninas. Prefiro ficar em casa. – Respondeu cansada. – Ah não! Você vai sim, Ana. Nada de baixa autoestima essa semana. – Fabíola colocou a mão sobre os ombros da amiga e a chacoalhou. – Vamos achar algo que irá gostar. Prometo! A porta da sala se abriu, e depois dela, a mesma mulher que haviam visto a algum tempo atrás. Haram, agora de pé em frente a lousa, segurava o material didático, e observava as intercambistas seriamente. – Bom dia, meninas. – Disse calmamente. As ouvintes responderam. – Como devem ter visto, no plano didático há uma concessão que impõe como tópico, o estudo sistemático comportamental sobre epidemias. O intercâmbio também contaria com um projeto de criação, mas pela participação no festival, não necessitarão de desenvolvê-lo. – Enfim, administrarei a aula de hoje. Por favor, peguem na minha mesa, as apostilas de estudo. Fabíola levantou a mão. – Sim? – Haram respondeu. Não estava vestida como no primeiro dia, hoje portava um estilo mais simples: Calças bege de cintura alta, camiseta social feminina – com um pequeno decote em v – e escarpim preto nos pés. O corte de cabelo curto continuava o mesmo. O batom vermelho vibrante, chamava a atenção. – Seremos transferidas? Vi que na faculdade não há o curso de medicina. – Perguntou. – Sim, vocês serão. Devo enfatizar que continuem focadas na pesquisa. As duvidas cessaram. – Hoje, nossa aula será sobre epidemiologia. – Haram escrevia no quadro a medida que falava. – Imaginemos e voltemos ao passado. Várias patologias causaram grande m*l para a humanidade, algum exemplo? Cólera, Ebola, peste Bubônica. – Organismo muito pequenos, mas que afetaram em larga escala, a população. Alguém pode me dizer o que todas as doenças possuem em comum? – A mulher dizia enquanto andava de um lado para o outro pela sala. – A contaminação? – Adrielly respondeu de prontidão. – Vejo que estão prestando atenção no material. Sim, Adrielly, esse é um ponto em comum. – Muitas das vezes a contaminação se dá pela falta de higiene, como lavar as mãos. – Porém, deixo uma partida de reflexão para vocês: Todos os países possuem acesso a água potável? – Ou tratamento de resíduos? – A quarentena, como processo de isolação para indivíduos afetados é uma das medidas descritas e realizadas em muitos casos. Agora pensem na atualidade: Se houvesse a propagação de uma doença, onde seria obrigatório o isolamento em alta escala, como o ser humano reagiria? – Ansiedade, depressão, e privação de liberdade. O que isso levaria? Quais seriam os impactos? E isso afetaria as medidas de higiene? – Anotem essas perguntas, tragam respondidas para min amanhã. – Continuando o conteúdo, lembrem-se da famosa Peste n***a. Por meio de pulgas achadas em ratos, uma grande quantidade da população foi dizimada. O que Darwin diria sobre isso? – Não estamos defendendo nenhuma ideologia ou forma de pensamento. Quero que observem com o olhar crítico. – Como recém cientistas, vocês devem observar e discutir. Levar em conta o fato, as alusões e o comportamento consequentemente. – Teorias nunca serão dadas como verdade, e sim, são levadas como impossíveis de se questionar em tal momento. Depois de muita discussão, a aula acabou com a palavra final de Haram. – Amanhã estudaremos a concepção básica sobre causalidade e risco na epidemiologia. E o avanço do estudo sul coreano na área. – Dizia enquanto apagava o quadro. O horário do almoço havia chegado, e o movimento da lanchonete estava quase escasso. As meninas, novamente, optaram por se dentro do estabelecimento. A neve continuava a cair do lado de fora. – Que aula foi essa? – Fabíola levava a colher a boca, a medida que falava. – Já estou com dor de cabeça. – Ana respondeu. – Eu gostei, pela primeira vez, me senti como uma universitária. – A ruiva havia trazido um sanduíche de casa. – A mulher falou de peste bubônica. Achei que nunca mais ouviria sobre isso na vida. – Luiza jogou a cabeça sobre a mesa. – E passou uma tonelada de trabalho. – Aquela altura, sua voz já estava abafada. – Acho importante sempre lembrar do passado, para evitar no futuro. – A cacheada concluiu. – Imaginem se não soubéssemos sobre o segundo reinado no Brasil, e a e********o fosse esquecida? – Fabíola se animou em explicar. – Leis dos sexagenários, ventre livre, o Eusébio no barquinho. O que poderia ter ajudado a desenvoltura dos negros depois daquilo? Será que se existissem políticas de inclusão, o a*******d teria acontecido? – Meu deus, Fabi. Calma, volte para terra. – Ana disse, levantando a cabeça. – Ana, você não nos contou sobre onde foi ontem. – Adrielly continuava curiosa. – Fui perguntar como o Nozo se sentia com essa confusão que criei. Então ele me deu uma patada. – Me senti m*l, e fui caminhar para esfriar a cabeça. Como daquela vez que aumentaram a taxação sobre os livros, ano passado. – Continuou ela. – E então conheci um garoto. – Um garoto? – Adrielly e Fabíola reagiram em sincronia. – Não se preocupem, o pior ficou para depois. Decidi andar um pouco de ônibus, e dei de cara com o Hiroki. – E o garoto? – Fabíola bebeu de seu chá de hortelã. – Aquela altura, ele já havia ido embora. Estava sozinha. – E como você reagiu? – A ruiva mordiscou seu sanduíche. – Não sabia onde enfiar a cara. Então ele me viu, pediu para sentar comigo, e ficamos conversando. – Só isso? – A cacheada sabia que havia caroço naquele angu. – Não, depois ele me levou para comer, e... – A garota fez suspense. – E... – Adrielly estava curiosa. – E ficamos de mãos dadas. – Ana colocou as mãos sobre o rosto, envergonhada. – Não acredito! – Por um momento me senti m*l, o que será que o Hiro vai pensar de min? Sai com ele, mesmo estando "namorando''. – Não se preocupa, Niga. Você vai estar linda naquela formatura! – Adrielly assentiu. O dia esperado chegara. A entrada do salão, decorada com balões brancos, possuía uma grande faixa ao alto, parabenizando a todos os formandos pelo fim da jornada. Adrielly, com seu vestido longo, liderava o g***o de garotas. Seus trajes em tom carmim, sintonizavam com maquiagem em tons dourados, com retoques vermelhos. O penteado em coque, realçava ainda mais o batom vermelho em seus lábios. Seu tamanho não havia mudado, os pequenos saltos, revelavam um pequeno pé. Mais acima, as belas pernas torneadas se mostravam a medida do corte na lateral do vestido. Muitos a observavam, apesar que ainda não havia entrado no salão. Fabíola mantinha seu cabelo solto, os cachos desciam sobre os seus ombros e o vestido preto. A gola escura se prendia a uma renda que ia das manhas até o começo do corpete. Detalhes florais se estendiam pelo b***o até a cintura, e por fim, novamente a cor n***a se misturava com a renda sobreposta em uma saia até o joelho. Os lábios carnudos pintados ao roxo bordô, casavam se excelentemente com a maquiagem em tons clássicos no degradê do cinza ao n***o. As três entregaram os convites e entraram no salão. A musica calma, trazia o aconchego para uma boa conversa entre os convidados. Oliver estava no palco, tocando o baixo, concentrado na melodia tocada. Um lugar agradável. O americano acenou para as garotas assim que as viu, sorridente. Jung Bae, vendo as garotas, se aproximou com seu longo vestido rosa rodado. Se assemelhava a uma princesa, uma mulher independente pronta para construir seu conto de fadas. – Adrielly! Fabíola! – A coreana se aproximou. – Bae! Você está linda. – Adrielly comentou sorridente. – Vocês também estão! Agora vamos pegar uma bebida. A mais nova continuou parada ali, estava sem v*****e de prosseguir. Apesar de estar linda com seu vestido de renda branco, não se sentia segura. A garota lutava para não manchar a maquiagem que Adrielly fizera. Sua ansiedade estava a ponto de explodir. Então, uma de suas mãos trêmulas foi levemente coberta por outra. Outras pesadas mãos que reconhecera logo que as sentiu. Hiroki estava ao lado da garota agora. – Você está linda. – Ele disse baixo no ouvido da garota. Ela sorriu cabisbaixa. Hiroki estava como os formandos, vestido a terno preto. Seu cabelo estava levemente penteado para o lado. Seu sorriso chamava mais atenção, do que suas vestes. – Se importa se eu segurar sua mão? – Disse educado. Não houve resposta. Ana não queria ter de dizer não. – Podemos ficar longe dele hoje? Não quero que os pais dele me vejam. – A garota queria evitar qualquer coisa que atrapalhasse o amigo. – Vergonha? – Hiroki a guiava para a pista de dança. Agora, os dois, envolvidos pela calma musica; dançavam lentamente. – Não sei dançar muito bem. – Ana se desculpou com os braços envoltos sobre o pescoço do outro. – Apenas se apoie em min. – Enfim a garota colocou a cabeça sobre o ombro de Hiroki. Enquanto isso, ao longe, os outros observavam a garota dançar. Todos sentados em uma mesa no canto, a bebida estava agradável. – Fiquei com pena dela, Bae. Se o Hiroki não tratá-la bem, terá de se ver comigo. – Fabíola bebeu um dos drinques. – Valeu a pena deixá-la sozinha. – A coreana sorria vendo a cena. – Enfim, me junto a vocês hoje. A princesa Jung Bae está sozinha hoje. – A asiática entornou o copo. – Como assim? – Perguntou a ruiva. – Ela terminou com o namorado. – Oliver revirou os olhos ao ver o drama da amiga. – Ele era um b****a. – Nozomu comentou. – Era mesmo! – Bae enfatizou. – Eu disse para ela que ele não prestava, mas ela foi teimosa. – O americano parecia estar incomodado. – Você o conhecia, Oliver? – A cacheada perguntou. – Sim, era meu colega de quarto. Nunca mais faço isso na vida. Todos riram. – Ei, nada de falar sobre ele hoje. Quero aproveitar o máximo. E arrumar alguém para a Fabíola. – A coreana balançou a cabeça. – Para min? Estou bem, Bae. – A morena tentou se explicar. – Ninguém estará bem se não pegarmos alguém hoje. – Que tal um jogo de verdade ou desafio? – Bae continuou. – Mas não temos uma garrafa. – Nozomu tentou explicar. Jung entornou o recipiente de champanhe. – Agora temos. Quem começa? – Disse Nozo concluindo. – Vou girar. – A ruiva se voluntariou. A garrafa girou sobre a mesa. Todos estavam exitantes em saber o resultado. Enfim parou. – Certo, Fabíola pergunta para o Oliver. – Adrielly informou. – Senhor Oliver, por acaso seu cabelo é tingido de loiro? – Fez uma cara suspeita. – What? Claro que não. – Ele riu. – Ainda tenho minhas duvidas. – Ele tem medo de tingir o cabelo, Fabi. – Nozomu respondeu. Rindo da mesma forma que o amigo. Oliver se voluntariou a girar. – Adrielly, você ficaria com alguém dessa roda? – Bae jogou a pergunta. – Apenas eu que percebi que ninguém está perguntando "verdade ou desafio"? – Adrielly indagou. – Nem ouse fugir do assunto. – Aish, talvez... – Wo, agora estou curiosa. – Próxima rodada. – A ruiva girou. – Verdade ou desafio, Nozomu? – Oliver fez careta. – Verdade. – Disse calmamente. – Sem graça. Enfim, você pegaria a Ana? – Claro que não. Quer que o Hiroki me mate? – Riu. Outra rodada. – Já transou na universidade? – Bae perguntou para Oliver. – Sim. – O que?! – Nozomu arregalou os olhos. – Muitos fazem isso. Você é muito careta, meu caro. Do outro lado da pista, a dança entro Ana e Hiroki haviam cessado. Agora procuravam um lugar para se sentar. – Vamos ficar com um amigo. – Ele segurou a mão da garota e a guiou novamente. Assim que encontraram a mesa, os dois se sentaram. A mais baixa se mantinha concentrada em não estragar o vestido até aquele momento. Então, não havia posto os olhos no amigo de Hiroki. – Bom, Ana. Esse é meu amigo Hoseok. – Disse, Hiro. – É um prazer conhece-la. – Nossa, você fez me lembrar de quando estudava, havia um cantor que minha amiga gostava e... – Enfim se virou, os olhos arregalaram. – Não é possível, Hoseok é você?! – Levou a mão à boca. – Parece que encontrei uma ex fã. – O garoto sorriu. – Como diabos vocês se conhecem? – Ana perguntou. – Amigos de longa data. Pensei que todos tivessem me esquecido. – Hoseok respondeu. – Bom, se me dão licença, preciso ir ao banheiro. – Continuou ele, se levantando. Jung Hoseok deixou a mesa e seguiu para o banheiro que, por sorte, não estava lotado. Ao terminar de usá-lo, saiu distraído enquanto observava a mancha de aguá que havia feito em seu terno. Demorarei secar. A passo que dava, se esquecia mais de onde estava. E por fim, acabou esbarrando com alguém. Uma garota que agora estava encharcada com bebida, da mesma forma que Hoseok. – Oh, meu deus. Me desculpe, não foi minha intenção. – Fabíola disse observando a roupa molhada e tentando limpá-la. – Não se preocupe. A culpa foi minha. – O garoto respondeu sem graça. E então Fabíola olhou o rosto do estranho. – Jung... Hoseok... – Respondeu Atônita. Na mesa, Hiroki continuava conversando com Ana Luiza. Estavam a terminar uma garrafa de bebida. – Segunda noite aleatória da minha vida. – A garota disse rindo. – E qual foi a primeira? – Ontem, quando te encontrei. – Oh, talvez seja algo bom. – O asiático não parava de observar a garota. – Quando vamos montar um boneco? – Você está mesmo animada para fazer um boneco. – Ele riu. – Claro, e você disse que faríamos. – Podemos marcar, se você responder minhas mensagens. – Concluiu. – Oh, me desculpe por isso. Fiquei ocupada com os trabalhos por algum tempo. – Sem problemas. Enfim, por que preferiu ficar comigo do que com seu namorado? A menina pensou duas vezes se realmente deveria contar a verdade. – Veja... tenho que te contar uma coisa.
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