Boa tarde, mores. Td bom com vcs?
Hoje é meu aniversário ?
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Quando Peter desceu as escadas da casa de Connor, tinha ainda mais gente dentro na sala isso o fez sentir-se claustrofóbico. Ele havia feito um plano de ficar colado em Tony a festa inteira e tinha se permitido talvez beber um shot do que tivesse de melhor na festa, pedindo a ajuda de Giselle para decidir. No entanto, ele percebeu que isso não seria possível assim que viu ela se agarrando com Connor em um canto da sala.
Sendo honesto, Peter queria alguém para passar a noite também, provavelmente sua namorada. Ele sempre se perguntou porque as pessoas gostavam tanto de se pegar, sempre quis saber porque todos diziam ser tão divertido. Ele fez uma promessa para si mesmo de que iria perguntar para Karina se ela topava dar uns amassos com ele na próxima vez em que se virem, o que provavelmente seria domingo, após a missa.
A sala de estar estava cheia de pessoas dançando, bebendo e se beijando. Pessoas que ele não conhecia, nem reconhecia de lugar algum, além de não ter nem ideia de qual música tocava.
"Vamos pegar uma bebida." sugeriu a Tony, porque a melhor coisa à se fazer em uma festa em que você não sabia como se comportar, era beber.
Eles fizeram o caminho até à cozinha, que não estava tão cheia quanto a sala de estar, graças a deus. Ao entrar na cozinha, eles encontraram James que estava contra o balcão, dividindo um baseado com uma outra pessoa que Peter achou completamente irrelevante reparar.
"Onde posso encontrar um pouco de água?" Ele se encontrou perguntando a James, que o encarou como se ele tivesse dito a maior besteira do mundo.
"Água?" James perguntou sorrindo, encarando apenas Tony. "Quais os nomes de vocês?"
"Eu sou o Tony e ele é o Peter." Tony respondeu rapidamente e Peter o lançou um olhar incrédulo.
Tony não possuía o costume de falar com estranhos, ele era mais do tipo tímido.
"Tony" James repetiu, e Peter teve um déjà vu da noite passada, quando Mark tinha repetido o nome dele. "Você gostaria de um pouco de água também, Tony?"
"Uh, eu gostaria de uma cerveja, por favor." Tony respondeu, como se James fosse um barman.
"Ok, então."
James entregou o baseado para o cara ao lado dele e o expulsou, antes de se virar para pegar dois copos vermelhos de dentro de um saco plástico. Ele encheu um com Stella Artois e outro com água, entregando, em seguida, os copos.
"Vejo você por aí." Ele disse, olhando apenas para Tony antes de se afastar.
"Ele está flertando com você." Peter disse a Tony, assim que foram deixados sozinhos.
"O quê? Não, ele não está... Está?"
"E isso importa? Ele é um rapaz e você tam- espera! Você está... você não é gay, né?" Tony deu de ombros e os olhos de Peter arregalaram. "Como você sabe? Você nunca beijou ninguém!"
"Eu meio que sempre preferi o Sr. Park, à senhora Hong ou qualquer outra professora." Deu de ombros. "Mas por favor me julgue, Peter. Só a Giselle sabe."
Peter franziu a testa, sem saber como ele se sentia à respeito de seu melhor amigo se assumindo. Pensando no assunto, Peter sempre preferiu o Sr. Park, o jovem professor de inglês, à Sra. Hong. Mas isso não quer dizer nada, não é?
Será que estou tendo uma crise de identidade? Eu tenho uma namorada, pelo amor de deus! Ser gay é errado, pensou.
Peter precisava de uma bebida mais forte, porém James tinha ido embora e ele realmente não sabia onde estavam as coisas naquela cozinha, e muito menos sabia o que e quanto beber de cada garrafa.
"Então você quer... ficar com o James?" perguntou Peter, ainda chocado e se sentindo estranho.
"Quero dizer... ele é bonito. Mas ele é muito mais experiente e nunca olharia para alguém como eu."
Peter não falou mais nada e saiu em busca de James para perguntar qual era a bebida mais forte que ele poderia tomar em grande quantidade sem entrar em um coma alcoólico. Eles voltaram à sala de estar e a primeira coisa que Peter avistou foi Mark se agarrando com uma menina loira que estava sentada em seu colo. Peter zombou da sua escolha de roupa: uma mini-saia apertada, que agora estava mostrando a calcinha, um crop top, que realmente não segurava seus s***s, e saltos, provavelmente, maior do que ele próprio. Então Mark gostava tanto meninas quanto meninos...
"Eu realmente preciso de uma bebida forte." Ele disse e Tony olhou ao redor, acenando para James, que agora estava conversando junto à porta com cara musculoso, com um monte de tatuagens e sem cabelo.
Os dois viram James entregar dinheiro ao careca, assim que o homem entregou pequenos pacotes cheios de açúcar refinado. O cara musculoso colocou a mão no ombro de James depois que fizeram a troca, disse alguma coisa em seu ouvido e saiu logo em seguida. James sorriu satisfeito e voltou a caminhar de volta para a sala, piscando apenas com um olho para Tony assim que passou por eles.
Ele bateu no joelho de Mark, que se afastou da menina e sussurrou algo em seu ouvido. Ela assentiu e sorriu, se levantando do colo dele e seguindo-o até o sofá. James expulsou os casais que estavam prestes a ter relações sexuais ali mesmo, no sofá, e sentou-se com Connor, Giselle, o cara que ele tinha dividido um baseado, Mark e a menina loira. Ele espalhou o conteúdo de seu bolso sobre a mesa, cinco pequenas embalagens brancas, seus cigarros e seu isqueiro. Tony e Peter observavam em pé, ao lado deles, o que provavelmente pareceu estranho, mas ambos não tinham o que fazer. Peter se perguntou se tinha feito a coisa certa ao ir à essa festa.
Mark olhou para os dois e sorriu, batendo a mão no espaço vazio ao lado dele para que ambos sentassem junto a ele. Tony sentou-se primeiro, fazendo com que Peter não tivesse que se sentar ao lado de Mark.
"p***a! Eu estou sem nenhum dinheiro. Alguém tem?" James perguntou, enquanto apalpava seus bolsos.
"Eu tenho." Peter respondeu. Todos se viraram para olhar ele. "No andar de cima. Na minha... uh, bolsa."
"Você pode trazer tipo... seis notas? Ou sete. Você não vai querer cheirar uma carreira, né?" Disse James e Peter arregalou os olhos.
Então não era açúcar, era uma droga ilegal. Mas que p***a!
"Uh. Sim, eu posso."
Peter se levantou e, antes que pudesse ir em direção ao quarto, James pediu que Peter trouxesse um cartão de crédito também, deus sabe pra quê.
Se eles estiverem planejando me roubar, eu vou gritar, Peter pensou, enquanto abria a carteira com as mãos trêmulas. Tirou seis notas e em seguida, pegou seu cartão de crédito ㅡ aquele com o mínimo de crédito possível ㅡ e voltou para baixo. Quando voltou para o sofá, Tony estava sentado entre James e a menina loira, o que significava que Peter teria que sentar ao lado de Mark. Peter sentou-se e colocou as notas e o cartão de crédito em cima da mesa.
"p**a merda, eu nunca vi tanto dinheiro em toda a minha vida." Mark disse e a garota loira riu, mesmo não sendo tão engraçado assim.
Além disso, ela tinha esse tipo de risada que Peter odiava. Alta, falsa e que, supostamente, deveria pertencer a uma c***a ao invés de uma pessoa. Todos, com exceção de Peter, tinham uma nota em mãos e, depois que ele deixou claro que ele queria o dinheiro de volta, James abriu pacote atrás de pacote e espalhou o pó branco sobre a mesa.
Peter não queria ter nada haver com isso. Ele não gostava da ideia de drogas ilícitas estarem à, literalmente, um metro de distância dele. E se policiais invadissem a festa? Eles acabariam todos na cadeia e, embora Peter soubesse que seu pai tiraria-o de lá no momento em que ele fosse jogado em uma cela, ele tinha certeza que seus pais iriam matá-lo. Então era melhor se ele apenas observasse. Ele gostava de assistir, observar.
Tony também tinha uma nota em suas mãos, mas ele não sabia o que fazer, então apenas imitou James. Todos enrolaram as notas e esperaram que James criasse as finas carreiras de pó para que cheirassem. James foi o primeiro a curvar-se, com um dedo pressionado contra o lado esquerdo do nariz e a nota contra a sua narina direita. Começando a mover a cabeça em direção à mesa, cheirou a primeira carreira de uma vez só. Após James, todos fizeram o mesmo e, quase que imediatamente, a atmosfera do lugar mudou completamente.
Todos ficaram mais agitados, cheios de risadas e conversas irrelevantes, deixando um clima mais flexível entre eles. Peter viu as pupilas de Mark dilatarem assim que ele terminou uma linha. Se inclinou para pressionar os lábios contra os da menina loira, fato que não durou muito tempo, porque logo em seguida ela se afastou para cheirar outra linha, fazendo com que Mark desviasse sua atenção para Peter.
"Sem namorada esta noite? Vocês terminaram ou algo assim?"
Peter o olhou com irritação.
"Não. Ela apenas... não foi convidada."
"Ela não foi? Eu pensei que você amasse ela." Zombou.
"Eu amo!" Peter argumentou e Mark balançou a cabeça, rindo.
"Você provavelmente vai amá-la mais quando ela chupar seu p*u. Ou você ainda está esperando até o casamento?"
Peter corou e ignorou.
"Quer tentar?" Mark mudou de assunto, com seus olhos escuros penetrando os de Peter, indicando as carreiras de cocaína sobre a mesa.
"Não, obrigado."
"Vamos lá, apenas uma. Você vai amar, eu prometo."
Os olhos de Peter caíram sobre Tony, que estava cheirando sua segunda carreira de pó com James o olhando atentamente. Diante de tal cena, Peter acenou com a cabeça, concordando. Mark sorriu, entregando-lhe a sua nota enrolada e separando uma carreira para o garoto.
"Ok, agora se curve sobre a mesa e faça a mesma coisa que eu fiz, de uma vez só."
Peter estava prestes a fazer como Mark havia falado, mas ele congelou quando a mão de Mark pousou na parte de trás do seu pescoço. Eles não quebraram o contato visual nem quando Mark guiou a cabeça de Peter em direção à mesa, sem tirar a mão do garoto, nem mesmo quando ele terminou de cheirar a fileira, levantando-se. Ele podia sentir a sua mudança de humor, entrando em um estado de euforia e encostou-se no sofá, olhando ao redor da sala com certa urgência, vendo as pessoas se divertindo.
Todos tiveram diferentes reações à droga. Giselle e Connor estavam rindo de algo que foi definitivamente menos engraçado do que eles estavam achando. A loira começou a ficar deprimida e reclamar sobre a vida. E, ok... James e Tony estavam se pegando. Literalmente se pegando. Língua e tudo. Peter estava os assistindo com surpresa, sem acreditar em seus próprios olhos.
Aquilo não podia estar acontecendo. Peter sentiu-se estranho... ciúmes, na verdade. Por que ele estaria com ciúmes? Estaria ele com ciúmes de Tony porque ele tinha conseguido, em poucas horas, mais de James do que ele tinha com Karina nos últimos cinco anos? Definitivamente. Mas ele era muito orgulhoso para admitir isso. E eles eram dois rapazes, o que era um pecado e Peter não estava disposto a passar por cima da palavra de deus.
Uma mão em sua coxa o interrompeu de seus pensamentos. Ele olhou para cima para ver que Mark o encarava, com os olhos mais escuros do que antes e os lábios entreabertos.
"Você não disse que precisava de uma bebida forte?" Mark perguntou e Peter assentiu automaticamente, os olhos não deixando os lábios de Mark nem por um segundo. "Vem comigo."
Olhos do garoto acompanharam Mark, que agora estava de pé e caminhando em direção à cozinha. Ele seguiu o rapaz mais alto e parou ao lado dele.
"O que você quer?"
"Uh... algo que tenha um gosto bom."
"Sério?" perguntou Mark, que começou a rir. "Peter, você não bebe álcool por causa do gosto, você bebe para ficar bêbado. Se você quer algo com gosto bom, eu posso te dar suco de manga... ou leite." zombou.
Peter prendeu o sorriso e Mark tirou um copo vermelho do saco e em seguida, envolveu seus dedos assustadoramente longos em torno de uma lata de cerveja.
"Você já bebeu cerveja alguma vez na vida?"
"Não." Peter admitiu, um pouco envergonhado.
"Você já bebeu alguma coisa realmente alcoólica? Vinho e champanhe não contam."
Peter balançou a cabeça e Mark suspirou, o que deixou Peter irritado porque, mais uma vez, Mark estava tirando sarro dele e pensando que ele era melhor do que Peter. O que era muito longe de ser verdade.
"Bebe, vai. Não vai doer."
"Mas não é... não faz você engordar?" Peter perguntou.
Seu pai sempre lhe disse: "Beber cerveja faz as pessoas incharem e ficarem com a barriga cheia de gordura."
Mark franziu o cenho antes de sorrir torto ㅡ que é tudo o que ele parecia fazer, sorrir como um i****a ㅡ e puxou sua blusa branca, revelando seu peito e... oh deus! Peter podia ver suas entradas. Ele estava extremamente ciumento e inseguro, porque tudo o que ele tinha era uma barriga flácida que ele tentava se livrar há, no mínimo, dois anos. Mark olhou para o seu próprio corpo, antes de ele deixar cair a sua camiseta.
"Seu pai mentiu, aparentemente."
Sem pensar, Peter puxou sua própria camisa e pegou o copo da mão de Mark, antes de tomar um gole. Cerveja não era tão r**m, mas ele não iria classificá-la entre suas 5 bebidas favoritas.
"Está vendo? Você não morreu, morreu?" Mark zombou e Peter simplesmente saiu, deixando-o lá.
Ele não sabe como aconteceu ou de quem foi a ideia exatamente, mas ele acabou em um círculo no chão, entre Connor e Tony. Uma garrafa vazia de vodka entre as vinte pessoas do círculo. Eles estavam, aparentemente, jogando um jogo chamado "Spin the Bottle", mas ele nunca tinha ouvido falar disso em toda sua vida.
No entanto, uma vez que Connor explicou a ele, Peter sabia que não deveria ter entrado neste jogo, porque ele nunca beijou ninguém corretamente em toda a sua vida, nem mesmo Karina, e eles todos iriam rir dele. Sem levar em consideração que ele possuía uma namorada, à qual ele era extremamente fiel. Traição era um pecado. A última coisa que ele precisava era ter essas pessoas pobres rindo de sua inexperiência. Eles tinham experiência e Peter tinha dinheiro, então pensou que estava ganhando essa batalha.
Porque deus o odiava, por razões desconhecidas, a primeira rodada pousou sobre ele e a segunda rodada na menina loira que Mark havia beijado mais cedo na sala de estar.
"Uh... eu não posso jogar. Eu- eu tenho uma namorada." Ele disse e todos reviraram os olhos, suspirando e dizendo ao garoto que ela nunca iria descobrir.
Peter nunca tinha sido bom sob pressão, então ele ajoelhou-se e encostou as palmas das mãos no chão, próximo ao meio do círculo, para que ele pudesse dar um beijo rápido nos lábios da menina. Quando ele se sentou, viu Mark ㅡ que estava sentado ao lado de Connor ㅡ olhar para ele enquanto mordia os lábios. Foi assim que Peter percebeu que ele provavelmente deu uma visão completa de sua b***a para Connor e Mark. Suas bochechas ficaram rosadas e ele esperava que as pessoas da roda não mudassem de ideia quanto a ele só porque ele tinha uma b***a enorme. Mas... desde quando Peter ligava para o que pensassem dele?
A próxima rodada foi Connor e um garoto chamado Jeffrey, e Peter ficou surpreso ao ver que Giselle sequer se importava com o fato de ter o namorado dela beijando outro menino. Na verdade, a garota estava até torcendo por eles. Mark beijou James, Tony beijou uma garota que Peter nunca tinha visto antes, duas outras pessoas também se beijaram, Connor e Mark e Tony e Giselle.
Foi a vez de Giselle a girar a garrafa e ela parou em Mark, que puxou o lábio inferior entre seus dentes pouco antes de girar de novo. Ela pousou entre Tony e Peter, então Peter se afastou ainda mais da garrafa, mas Connor o segurou no lugar, dizendo que ele não poderia roubar neste jogo. Mas Peter não poderia beijar um garoto... o que todo mundo acharia dele? E se alguém dissesse à Karina? Ou aos pais dele? Ele não podia beijar um garoto, especialmente Mark.
"Eu não sou gay." Ele disse e todos riram.
"Todo mundo é um pouco gay, cara." Connor disse a ele e Mark já estava chegando mais perto, fazendo biquinho, zombando do garoto.
Peter estava prestes a protestar novamente, mas de repente ele ouviu alguém gritar e então sirenes mais abaixo, na rua.
"POLÍCIA!" uma menina gritou e todos imediatamente se levantaram, começando a correr.
Peter estava em pânico e sentindo dificuldade de respirar. A sala se esvaziou em questão de segundos, copos vermelhos espalhados por todo o chão, restos de maconha ainda sobre a mesa.
"Corre!" Mark disse a ele, assim que os policiais pararam em frente à casa de Connor.
James pegou as drogas da mesa e enfiou-as no bolso de trás, antes de tomar Tony pelo pulso e começar a puxá-lo para que o garoto o seguisse. Todos pareciam correr para a parte de trás da casa, por isso, quando Mark empurrou Peter nessa direção, ele obedeceu rapidamente. Eles saíram da casa exatamente no momento em que a polícia abriu a porta, para encontrar uma casa vazia.
Os olhos de Peter se arregalaram quando viu que eles tinham que escalar o muro, à fim de não serem pegos. Ele não conseguiria subir, ele tinha jeans novos que não eram confortáveis e elásticos o suficiente, muito menos músculos para tal ato. Mesmo assim, ele tentou segurar na parede de cimento logo após Tony. Ele gritou quando as mãos fortes de alguém seguraram seus quadris, praticamente o jogando por cima do muro, como se ele não pesasse nada. A última coisa que ele viu foram dois policiais prendendo Mark contra a parede, fazendo com que ele mantivesse suas mãos na parte de trás do seu pescoço.
Peter se sentia um merda porque Mark tinha literalmente o salvado de ser preso, além de assumir a culpa por ele. Ele esperou junto com James, Tony, Connor e Giselle atrás de alguns grandes arbustos até que a polícia fosse embora.
"O que vão fazer com ele?" Peter perguntou a James quando eles voltaram para a casa, que agora estava vazia.
"Eles vão levá-lo sob custódia até que sua mãe pague a fiança."
"E quando vai ser isso?" James deu de ombros.
"Não se preocupe, não é a primeira vez que ele vai preso. Ele vai ficar bem."
Peter estava sem palavras. Quando terminaram de limpar a casa, todos se sentaram no sofá e, apesar das coisas que aconteceram há poucos minutos atrás, James puxou um saco com maconha de seu bolso.
"Não é a primeira vez que policiais invadem nossas festas. Não seria realmente uma festa sem a polícia." Connor explicou, enquanto Giselle acendia um baseado.
O telefone de James tocou e ele o tirou do bolso.
"Sim? Oi, Mark. Quanto? p**a merda. Ok. O quê? Uh... amanhã, eu acho. Eu não sei. Ok. Tchau." James largou o telefone sobre a mesa e olhou para Connor." Era o Mark. Eles estabeleceram sua fiança em dez milhões de wons.
"O quê? Isso é loucura. Eles nunca cobraram tanto."
"O quê?" Peter perguntou, surpreso.
"Eles costumam cobrar ente duzentos ou trezentos mil wons, o que é bastante fácil de obter em uma semana. Mas dez milhões? Isso é loucura, a mãe dele não tem esse tanto de dinheiro.
"Ela nem sequer sabe que ele está preso."
Peter olhou para eles por um segundo, antes de morder seu lábio.
"Onde é o caixa eletrônico mais próximo?" ele perguntou e todos olharam para ele, surpresos.
"Por quê?"
"Eu vou tirá-lo de lá."
"Whoa, isso é-"
"Ele foi preso porque teve que me ajudar, então eu acho que o devo no mínimo isso."
"Mas você não deve a ele dez milhões de wons." disse James.
"Está tudo bem." Peter encontrou-se dizendo.
Quando ele ficou tão generoso? Talvez no momento em que Mark o salvou de uma vida de punição de seus pais.
"É bem ao lado da estação de polícia... eu posso- eu posso te chamar um táxi." Connor sugeriu e Peter assentiu, antes de subir para pegar seu casaco Burberry e sua carteira.
Ele ainda não podia acreditar que esta noite tinha acontecido. Aconteceu mais coisas em um período de quatro horas estando em uma festa, do que em todos os seus 17 anos de existência. E agora ele estava tomando um táxi, sentado em uma cadeira que um monte de gente tinha sentado antes dele. Ele pagou o motorista com um valor mais alto do que precisava, antes de sair do táxi e ir em direção ao caixa eletrônico. Ele sacou dez milhões de wons em dinheiro de seu cartão ㅡ o último dinheiro que restava para ele este mês ㅡ antes de fazer o seu caminho até às escadas da delegacia. Peter não podia acreditar que ele realmente estava em uma delegacia de polícia. Ele caminhou até à recepção.
"Uh... eu estou aqui para pagar a fiança do Mark."
"Lee Mark?"
"Uh... Sim?"
"Você é Lee James?" O oficial perguntou, puxando uma folha de papel.
"Hum. Não."
"Então, quem é você?"
"Eu sou... Peter."
"Peter...?"
"Choi Peter." Ele disse, em pânico.
Se ele desse o seu nome real, talvez seu pai descobrisse.
"Você precisa preencher este formulário."
O policial entregou uma folha de papel para Peter e tudo o que ele tinha à fazer era escrever o seu nome, data de nascimento e endereço.
"Você tem dezoito anos, garoto? Porque você não pode salvar alguém se você for menor de idade."
"Sim, sim. Eu tenho dezoito anos." Peter gaguejou antes de alterar sua data de nascimento e entregar a folha de volta.
"Onde está o dinheiro?"
"Aqui." Ele entregou as notas de dinheiro ao policial, para que ele colocasse na máquina que contava dinheiro.
Com o dinheiro contado, o policial pediu que Peter o seguisse e, com passos incertos e as mãos grudadas em seu casaco, Peter obedeceu. Ele foi levado por um corredor m*l iluminado, que parecia completamente sujo, antes de pararem em frente a uma cela de ferro.
"Você está fora, Lee." disse o oficial.
Mark estava sentado em uma cama pequena no canto, olhando para seus sapatos. Ele olhou para cima e seus olhos caíram sobre Peter, com uma expressão claramente surpresa em seu rosto.
"Peter?"
O policial abriu a cela e Mark saiu, ainda surpreso, mas sorrindo.
"Então, como é que você veio me socorrer?" Mark perguntou alguns minutos mais tarde, quando eles estavam esperando por um táxi.
"Bem... não é como se eu quisesse. Eu me senti meio que na obrigação porque você me salvou."
"Não vai dizer nem um obrigado?"
"Eu deveria te perguntar a mesma coisa." Peter respondeu e Mark acenou com a cabeça.
"É justo." Mark riu.
"Você não está com frio?"
"O quê? Você vai me oferecer o seu casaco?"
"De jeito nenhum." disse Peter e Mark balançou a cabeça. "Então, onde você está indo agora? Devo deixá-lo em sua casa?"
"Uh, sim."
Então Mark disse ao taxista seu endereço em primeiro lugar e, em seguida, Peter disse o endereço da casa de Connor. Ele não pode deixar de olhar para a casa de Mark quando o táxi parou. Era muito pequena e parecia apertada, assim como as outras casas de tijolos idênticas que subiam a rua, literalmente colados umas nas outras.
"Valeu, cara!" Mark disse antes de sair do banco de trás do táxi.
Peter o viu caminhar até à porta, ele tirou as chaves do bolso e entrou, fechando a porta atrás de si. Ele se perguntou como a mãe de Mark reagia ao fato de que ele havia sido preso antes e ao fato de Mark sempre voltar tão tarde para casa. Mas, novamente, não era da conta dele.
[...]
Ele acabou dormindo na casa de Connor, compartilhando a cama com Tony, enquanto James ficou com o sofá. Na manhã seguinte, Peter pediu à Giselle para não publicar nenhuma foto dele em seu i********:, porque ele não queria que ninguém soubesse que ele tinha ido à festa, especialmente Karina ou seus pais.
Peter não adormeceu facilmente na noite seguinte. Ele se manteve acordado em seu lado da cama, pensando na noite anterior e em tudo o que havia acontecido. Tinha sido um caos completo. E para ser honesto, ele realmente não se importava.