CAPÍTULO 12

2225 Words
Acordo com uma voz. Olho para a janela ainda está de madrugada. Ainda continuo escutando a voz, e vejo que vem da babá eletrônica. Phoebe está outra vez chamando a mãe. Levanto e vou direto para o quarto dela. Ela está de olhos abertos e gritando mama. -Ei linda. Mamãe não está. Pode ser o papai? Falo pegando ela no colo. Está com fome? Vamos lá para a cozinha e preparar sua bebida favorita. No caminho até a cozinha Phoebe não parou de chamar a mãe. Fiz a mamadeira e levei ela para o meu quarto. Ela tomou a mamadeira toda, e depois com aqueles olhinhos sempre me olhando chamava mama. Meu Deus o que eu faria? Ela passou a noite toda chamando pela mãe, e eu nada pode fazer. Tentei entrete-la, liguei a televisão no canal de desenho, mas nada, nada a fazia dormir de novo, nada a fazia parar de chamar por Ana. Eu já estava esgotado, quando meu celular tocou, olhei o número é não o reconhecia, mas atendi assim mesmo. Era do hospital pedindo que eu fosse urgente para lá. Me levantei e pedir fui até os aposentos de Gail. Pedi para a mesma ficar com Phoebe até a enfermeira chegar. Ela iria chegar as sete, então Gail não ficaria muito tempo. Me arrumei correndo. Não queria perder tempo, pois Ana podia ter dado sinal de vida. Eu tinha esperança que fosse isso. Já passei por Taylor pedindo para o mesmo ir direto para o hospital. Taylor em poucos minutos estava lá. Fui direto procurar o Dr Alvarenga que estava cuidando de Ana. Esperei uns minutos e o Dr aparece. -Bom dia Dr. Vim assim que a sua secretária me ligou. Alguma melhora no caso da minha esposa? Pergunto esperançoso -Na verdade não. Infelizmente as notícias não são boas. Ele diz e eu me afundo na cadeira. -O que houve? Questiono preocupado. -Sua esposa teve seis paradas cardíacas essa madrugada. Não pode ser. Ela está morta. -Ela está morta? Questiono nervoso. -Não. Conseguimos estabilizar. Mas o fato é que eu temo que ela não vai aguentar se tiver mais uma parada cardíaca. Ele diz e eu não sei o que pensar. É um milagre ela está viva. Tivemos que levá-la para o CTI, até a gente fazer novos exames e ver o que realmente está acontecendo com ela. Eu não consigo pensar em mais nada. -O que eu posso fazer Dr? Pergunto com um fio de voz que me resta. Ele me olha e suspira. -Aconselho que todos os familiares venham fazer uma visita, pois pode ser a última. Ele fala e eu não consigo acreditar nisso. -Dr tem certeza disso? Eu não quero alarmar os pais dela, a minha família. Falo já com lágrimas nos olhos. -Sim. Eu não acredito que ela vá resistir muito. Então aconselho que avisem todos da família. Só um milagre para trazê-la de volta à vida. Ele diz. Eu me levanto e não digo nada. Só cumprimento ele com a mão e saio dali. Meu sonho de ter a minha mulher de volta todo esse tempo está indo embora. Meu sonho de mostrar a ela que eu posso, quero e vou ser um bom pai nunca vai ser realizado. Meu sonho de criar Phoebe com minha esposa será só na minha imaginação. O que eu fiz para merecer Isso? Porque eu não posso ser feliz? Ela não pode me deixar mais uma vez, ela não pode deixar a filha, filha essa que ela fez questão de defender de mim, defender de todos. Escuto alguém me chamando e não quero saber quem é. Meu mundo parou, eu estou sem ânimo, sem vida. O que eu vou fazer agora? Como eu vou explicar para Phoebe que a mãe pode não voltar nunca mais. Sou segurado pelos braços e olho para trás para ver quem é. Era Taylor. -Sr Grey, o Sr está bem? Ele me pergunta, mas eu não quero falar com ele e com ninguém. Estou sem chão. Sr Grey? Vem, eu vou levá-lo para casa. Sou puxado por Taylor e não me recuso, na verdade eu não sei o que farei da minha vida. Não sei o que será de Phoebe e de mim. Somos duas pessoas que ficarão vazias, tristes. Cheguei no escala e eu estava no automático. Desci do carro, chamei o elevador, não demorou muito ele apareceu. Eu entrei e apertei o código para o meu andar. Entrei no meu apto e Phoebe estava com a enfermeira. Eu a peguei no colo e fui direto para meu quarto. Me tranquei ali com ela. Eu não disse nada, só abracei Phoebe e comecei a chorar. Eu estava desesperado, angustiado. Eu não sabia o que fazer. Ana me deixaria para sempre, e não só a mim, como Phoebe, a nossa filha. Meu Deus o que seria de nós? Como Phoebe iria ficar depois que a mãe se fosse de vez? Ela só tinha dois anos e perderia a mãe que ela m*l conheceu. Fico ali horas, nem sei. Mas só notei quando alguém bateu na porta. Eu limpei as minhas lágrimas, e olhei para Phoebe que havia dormido. Escuto a voz do meu pai chamando. Eu levanto e abro a porta. -Filho. O que foi? Porque você está assim? Ele me questionou e eu me joguei nos braços dele. -Pai eu não sei o que fazer. Eu estou em uma escuridão sem fim. Digo chorando toda a angústia que eu estou sentindo. -Calma filho. Vem deixe Phoebe dormir, e me conta o que está acontecendo. Taylor me ligou dizendo que você não estava bem, e que passou parte do dia trancado no quarto com Phoebe. Todos aqui estão preocupados. Papai diz e eu vou para sala com ele. Me sento no sofá e ele se senta no outro de frente pra mim. Então conta o que aconteceu. -Ana está morrendo pai. Digo entre lágrimas e desespero acumulado. -Como assim? Você foi vê-la hoje? -Eu fui chamado no hospital cedo, e então o médico dela me disse que ela sofreu seis, seis pai,seis parada cardíaca, e que se ela tiver a próxima ela pode não aguentar. Falo chorando mais. Papai vem até a mim e me abraça. Eu vou perdê-la para sempre pai. Agora para sempre. -Filho vamos ter fé. Papai pediu e eu balanço a cabeça em negação. Me levanto e começo a passar as mãos em meus cabelos. -Pai o médico já pediu para a família toda aparecer no hospital e fazer uma visita. Talvez seja a última. Me diz pai como vou explicar a Phoebe que a mãe está morrendo? Eu estou morrendo só de pensar em explicar isso para a minha filha. -Vamos ligar para sua mãe. E ver o que ela acha. Mas você precisa ter fé e reagir. Não quero te ver novamente como a meses atrás. -Se algo acontecer a Ana pai eu não terei forças para reagir. Você entende que será só eu e Phoebe pelo resto da vida? Você entende que cada dia ela vai perguntar da mãe e eu terei que explicar que a mãe está morta? -Christian pensa, fique calmo. Você precisa ficar calmo agora. Você não pode transparecer seu desespero para Phoebe. Papai diz, e eu sei que ele tem razão. Mas se Ana morrer o que será de mim e da nossa filha. Não que eu não precise dela, mas Phoebe necessita mais, muito mais que eu. Ficamos ali conversando, e meu pai me deu vários conselhos. Porém eu ainda estava com medo. Mais tarde conversei com minha mãe e ela disse a mesma coisa que o médico, somente um milagre traria Ana de volta. Liguei para os pais de Ana para dar a notícia. Carla e Ray ficaram devastados. Disse que amanhã mesmo estariam aqui. Estou em meu escritório em casa, e eu ainda nem fui ficar com Phoebe desde que meu pai chegou. Está sendo difícil para eu encarar aquela menininha. Meu coração está em pedaço. Passa-se algumas horas eu ainda permaneço trancado ali, porém escuto baterem em minha porta. E peço para entrar. A enfermeira entra com Phoebe chorando. -O que foi? Questiono pegando Phoebe no colo. -Sr, desculpe, mas ela está chorosa o dia todo, e chamando mama. A enfermeira diz. E eu não sei o que responder. Acho que será mais uma noite longa para nós. -Não se preocupe, pode ir descansar. Eu tomo conta dela. Digo olhando para Phoebe. -Boa noite Sr. -Boa noite. Digo. Ei minha linda, o que foi que você tem hein? Conta para o papai. -Mama. Ela diz e meu coração aperta. -Eu sei que você quer mamãe, que você está com saudades da mamãe meu amor, amanhã eu prometo que te levo para ver a mamãe. -Mama. Ela diz. -Sim meu amor, mamãe. Amanhã você verá mamãe. Ficamos ali conversando como se Phoebe pudesse me entender. Ela a cada coisa que falava ou tentava falar, dizia mama. Nossa noite foi longa. Phoebe não dormiu nada, sempre chamando pela mãe. E eu não sabia mais o que fazer, eu não tinha mais como distrai-la. Cantava para ela, mas nada, Phoebe não parava de chamar pela mãe. Chorava, e só queria mama. Deus não tire a mãe dela. Eu sei que não sou digno de te pedir nada, pois cometi vários erros com as duas, mas Phoebe precisa da mãe. Nossa noite é passada em claro. De manhã nós dois estávamos na sala um caco. Ela caindo de sono no meu colo e eu também. As nove da manhã os pais de Ana apareceram no escala. Eles me viram e me perguntou se eu não dormir. Digo que não. -Phoebe está muito inquieta, pedindo a mãe. Ela custou a dormir. Falo triste. -Entendo. Que horas podemos ir ao hospital? Queremos ver Ana e ainda saber se tem alguma boa notícia. Carla perguntou esperançosa. -Podemos ir a qualquer hora, mas se vocês quiserem ir agora peço Taylor para levá-los. Digo passando as mãos em meu rosto. -Não, vamos esperar você. Queremos ver Phoebe também. Quando Ray acaba de dizer, ouço o barulho da babá eletrônica. Phoebe acordou. Ela não dormiu nem duas hora. Vou até o quarto dela e a pego no berço. Ela está chorando muito. Pedindo mama. Carla vem ao meu socorro e tenta, só tenta fazer com que ela pare de chorar. Digo a eles que vou tomar um banho, para irmos para o hospital. Eles assentem e eu sigo para um banho. Eu estou quebrado por dentro e por fora. Chegamos ao hospital e o médico já vem logo nos dizendo que é bom ver que seguimos o conselho dele, pois Ana está com os batimentos muito fracos. Ele não aconselha a Phoebe ver a mãe, mas eu não posso deixar de levá-la. Phoebe tem pedido muito a mãe. Ele então concorda. Os pais de Ana são os primeiros a irem. Depois de uns quinze minutos, minha família está toda ali. Eles me abraçam e pega Phoebe no colo. Quando os pais de Ana voltam e eu digo que vou entrar com Phoebe. Carla e Ray não param de chorar. Meus olhos enchem de lágrimas, mas evito que saiam por causa de Phoebe. Entro no quarto e Phoebe muito esperta já reconhece a mãe. -Mama. Ebe. Mama. Ebe. Phoebe fala batendo palminha. Quem é Ebe? -Filha mamãe está dormindo. Vamos só dá um beijinho nela e sair. Não podemos ficar aqui. Falo e Phoebe estende as mãozinhas para Ana. Meu coração se destrói mais com essa cena. Mamãe não pode pegar Phoebe, ela está dormindo. Digo com a voz embargada. -Mama. Ebe. Mama. Ebe. Phoebe continua dizendo. E eu não entendo quem é Ebe. -Oi amor. Falo com Ana. Trouxe nossa filha para te ver. Por favor não deixe que essa seja a última vez para nós. Lute pela sua vida, assim como você lutou pela vida da nossa filha. Volta para nós. Faça isso por Phoebe. Nós amamos você. Digo e beijo sua testa. Dá um beijo na mamãe. Falo para Phoebe. Abaixo ela e a mesma encosta sua boca na bochecha de Ana. -Mama. Ebe. -Fala para mamãe que você a ama. -Mama. Ebe amama toto. Ela fala e meus olhos enchem de lágrimas. -Vamos embora. Depois a gente volta para ver mamãe. Digo olhando para ela que sorriu para mim. Dá Tchau para a mamãe. Peço a ela. Que levanta a mão e balança a mesma. Saímos do quarto e Phoebe estranhamente estava mais quieta. Estava sorrindo. Fui para a sala de espera e disse que iria levar Phoebe embora. Não queria que ela ficasse muito tempo ali. Mas minha irmã pediu para eu esperar que ela queria conversar comigo. Assenti. Me sentei e Carla pegou Phoebe no colo. Mia entrou no quarto depois de mim. Fiquei alguns minutos ali conversando até que Mia aparece em lágrimas. Meus olhos se enchem de lágrimas, e tudo que eu mais temia aconteceu. Um filme passa pela mente. O nosso namoro, casamento, nossas brigas por ciúmes, pelo trabalho dela, a briga pela gravidez. Dois anos sem ela, a volta dela e da nossa filha, a doença de Phoebe, a recuperação de Phoebe, a descoberta da doença de Ana, o coma e agora isso. Meu mundo parou e tudo que eu mais temia acabou de acontecer.
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