CAPÍTULO 7

1899 Words
Ana ainda não apareceu. Será onde ela estar? E se aconteceu algo a ela? Carla já está nervosa do meu lado, também está preocupada com a filha. Quando menos esperamos ela aparece com os olhos vermelhos, seu rosto inchado de chorar. Me doe o coração vê-la assim. Eu queria muito confortá-la. Abraçá-la. Mima-la como antes. Mas ela está criando uma barreira entre nós que nem sei como vencer, nem sei como derrubar. Vejo sua mãe correr para ela, e questioná-la aonde a mesma estava. Ela diz que precisava ficar sozinha. Pois eu queria ela do meu lado. Carla tenta falar com ela sobre os exames dela. Ana a interrompe dizendo que neste momento ela só quer saber da vida da filha e nada mais. Carla tenta mais uma vez e não surtir efeito. Ela realmente não quer saber de nada a não ser Phoebe. E eu como ficarei na vida dela? Como vamos consertar as coisas entre nós? Eu preciso que ela entenda que seu problema também é grave. Se a nossa filha se salvar, ela precisar está de pé. Ela se senta perto de Eliot e Kate. Eu já disse que não gosto dela perto do meu irmão. Lembro que eles dois sempre tiveram uma amizade muito forte, e por mais que eu não goste, talvez Eliot e Kate possa conversar com ela sobre sua doença. Isso chamarei Eliot para conversar e peço a ele e Kate para convencê-la de que sua saúde também é prioridade. Eles conversam sobre algo que não entendo, tento ouvir, mas é impossível, pois eles estão falando quase em um sussurro. Fico ali e converso com Carla para a mesma ir para o meu apto e ficar lá, ela pode descansar, pois eu não arredarei o pé de perto de Ana. Mas ela me diz que não quer deixar a filha, são muitas coisas para a mesma ficar aqui, ainda mais sabendo da nossa situação. Quinze dias havia se passado e nada de um doador para Phoebe. Eu via minha mulher ficar cada dia mais magra, mais cansada e sofrida. Eu tentei por várias vezes chegar perto dela, tentar uma conversa sem brigas entre nós, mas ela me evitava de todas as formas possíveis. Quando estávamos sozinhos, ela não olhava e nem me dirigia a palavra. É um sofrimento para mim viver assim, um sofrimento ver a minha mulher, a quem eu amava todas as noites na nossa cama, a quem eu dedicava meus dias, afastada dessa forma. Ela não saia do hospital, a não ser para tomar banho e voltar. Ela e sua mãe alugaram um quarto em um hotel, disse a Carla que não precisava fazer isso. Elas podiam ficar no meu apto, mesmo porque ele pertence a Ana também. Mas Ana não quis. Não disse nada a mim, só se instalou em um hotel e nada mais. Phoebe estava cada dia mais fraca, eu fui vê-la todos os dias, pedindo para a mesma ser forte. Eu não quero perder a mãe dela. Já perdi uma vez por idiotice minha, e não pretendo perder mais. Eu falei com Eliot sobre a doença de Ana e pedir a ele e Kate para conversarem com ela, já que a mesma não estava querendo saber de nada, a não ser a doença da nossa filha. Eliot ficou bastante preocupado, e disse que faria de tudo para expor o problema para Ana. Esperava muito que ele conseguisse. E ele conseguiu, mas Ana disse que só se preocuparia com ela, quando Phoebe fosse salva, pois de nada adiantaria a vida dela, se a mesma não tem sua filha do lado dela. Conversei com o médico sobre a doença dela, e o que podemos fazer para adiantar o processo, pois esperava muito que minha filha saísse dessa, e logo em seguida Ana seria submetida a operação. Ele me disse que podíamos já fazendo os exames de compatibilidade de medula óssea. Fizemos todos, mamãe, papai, Eliot, Kate e Carla. Estamos esperando o resultado sair ainda. Dois meses havia se passado e Ana estava sentada no chão em um canto isolado do hospital. Fui até ela e me sentei no chão. Ela estava de cabeça baixa. Vamos ver se consigo conversar com ela sem nos alterar, na verdade eu estou cansado dessa nossa distância. -Oi. Digo. Ela não me olha e nem me responde. Eu sei que você está pensando em nossa filha. Sei que não adianta o que eu diga ou faça, você não vai olhar para mim enquanto Phoebe estiver assim, mas eu quero que você saiba, que eu estou arrependido do que eu fiz para você e para ela. Eu quero recomeçar com você. Ela levanta sua cabeça e me olha com seus olhos azuis que estão vermelhos de tanto chorar. -Christian eu não quero brigar, eu estou esgotada de tudo aqui. Nunca achei que passaria tanto sofrimento assim. Mas como você disse, eu não vou pensar em nós dois enquanto a nossa filha estiver assim. Porém eu já ti digo que não tente consertar as coisas por mim e comigo, eu sou crescida e entendo muito bem as coisas, mas Phoebe não. Conserte as coisas com ela, passe a viver por ela, e não mais por mim. Interrompo ela. -Impossível, eu não conseguiria viver se não fosse por você. Digo, pois é a verdade. -E Phoebe? Como você pretende tratá-la? Eu tenho esperança que ela saia dessa situação. E aí como será? -Eu passei dois anos tentando achar você. Passei dois anos pensando em como eu podia me redimir com você, e o único modo que eu achei foi aceitando o bebê. Que é a nossa filha. Se tiver que ter você de voltar, eu tenho que aceitar Phoebe eu não me importo, contanto que você esteja do meu lado. Ela me olha e sorrir fraco e balança a cabeça em negação. -Eu conheço o seu amor por mim, sempre soube que você estava me procurando, mas a nossa filha não conheci o seu amor por ela, o seu amor de pai. E quando ela sair daqui, ela precisará de você mais do que eu, ela vai querer saber que ela tem um pai, e que ela sempre vai poder contar com ele, e não só a mãe. -O que você quer dizer com isso? Questiono pois eu não estou entendendo aonde ela quer chegar. -Você me quer de volta? Ela questiona e eu achei que isso era óbvio. -Eu não tenho dúvidas disso. E achei que para você estava claro. Digo olhando para ela. -Então eu volto para você assim que você conquistar a nossa filha. Mas não uma conquista de um pai que quer só a mãe dela, não um amor paternal falso, mas sim algo sincero. Algo que demonstre no seu olhar a paixão pela sua filha. -Eu gosto dela. -Eu gosto do meu sapato. Ela diz como ironia. Não basta somente gostar dela. Christian, eu não preciso que você me conquiste, que você se ajoelhe aos meus pés me pedindo perdão pelo que fez, não preciso de nada de você. Pois eu conheço seu amor por mim de trás para frente e de frente para trás. Eu conheço o que você tem a me oferecer. Mas aquela criança lá dentro, que está lutando pela vida, não conheci. Ela não conheci o cara bondoso que eu conheço, o cara gentil e amigo. Então quer mudar alguma coisa nas nossas vidas? Mude na sua vida. Comece a enxergar que você agora tem duas pessoas para olhar e não somente uma como antes. Se você conseguir fazer isso por ela e não por mim, um juro que voltarei para você sem me importar com que houve no passado. -E se eu não conseguir? Pergunto com medo. -Eu acho melhor você começar a pensar diferente. Eu não vou mais fugir de você, mas também não ficarei com você sabendo que você me ver só como sua esposa e não como esposa e mãe da sua filha. Eu nem sei como farei isso. Sei que também não posso fingir algo que pode custar o meu casamento com Ana. Mas será que serei um bom pai? Será que terei realmente um amor paternal por uma criança que vai levar a minha esposa a cada dia mais distante de mim? Sou tirando dos meus pensamento com Ana me questionando. -E aí, o que você me diz? Será um pai para sua filha ou simplesmente podemos esquecer essa nossa história, e focar em novos rumos para as nossas vidas? Rumos para a nossas vidas? Eu não penso em deixar ela sair da minha vida. Eu não quero ela com outro homem. E não sei como me sentiria se Phoebe chamasse outro homem de pai, mas sei como me sentiria se Ana tivesse nos braços de outro homem. -Eu aceito o nosso acordo. Mas quero que assim que tudo isso acabar, o problema de Phoebe e o seu também que voltemos para casa. Para a nossa casa. Falo, pois quero ela perto de mim. -Não, eu vou morar perto de você. Só vamos voltar a morar juntos quando eu ver realmente a sinceridade nos seus sentimentos por nossa filha. Eu a olho incrédulo. Vamos ficar separados. Isso não pode acontecer. A imprensa cairia matando, poderiam publicar até um possível divórcio. Eles já desconfiam de algo, por não vê-la mais ao meu lado. -Ana não acho que isso seja viável. A imprensa publicaria algo. Poderia até especular o possível divórcio. -Eu não vou voltar a morar com você enquanto você não aprender a amar a nossa filha. Ela diz irredutível. Eu preciso pensar, eu preciso pensar. Já sei um apto no escala. Tem um abaixo do meu que posso alugar para ela, assim não ficaríamos longe e nem teríamos especulações das nossas vidas. -Eu posso manter você e a nossa filha em um apto do escala. Alugaria um apto para vocês. -Para mim tudo bem. Eu não quero dificultar o relacionamento de você com ela. Mas Christian eu quero que você seja sincero comigo se você ver que não conseguirá amar a nossa filha como um pai e começar a enxergar a mim como mãe dela também, além de sua esposa. Eu não quero vê-la magoada, e não quero vê-lo magoado por está tentando fazer algo que não é o que você quer. E também eu não quero sofrer com você de novo. Ela diz e eu fico aqui assimilando cada palavra dela. Eu terei que abrir meus olhos, e mais do que tudo meu coração para um ser que tomou o coração da minha esposa de mim. Eu preciso destruir barreiras em mim, para que eu possa amar minha filha, e poder enxergar Ana como mãe também, e não só a mulher com quem eu me casei apaixonado e planejava viver só nós dois por muitos e muitos anos. Ficamos mais algumas horas conversando até meu celular tocar e eu vejo que é a minha mãe. Ela me pergunta aonde eu e Ana estamos. Digo que no hospital, ela pede que nos encaminhamos para a sala de espera que ela tem que falar com a gente urgente. Desligo e digo a Ana. Saímos em disparada para a sala de espera. Espero que não seja nada grave, pois já vi que terei que percorrer um longo caminho para conquistar minha filha e trazer a mãe dela de volta para mim.
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