O reflexo de Kat é uma sombra da grande rainha que foi quando Lucian estava vivo. Incapaz de se ver deplorável daquela forma, desviou o olhar… Com magia azul, fechou a mão aberta e assim desfez o espelho em cacos como ela estava quebrada.
Lucian que a amava com todas as forças havia perecido.
Deveria ter sido Dantalian a morrer e não Lucian.
— Lady Katharina…
— É majestade. — corrigiu a mulher, ensandecida, a pobre serva de cabelo ruivo chamada Cinder. — Até ele oficializar aquela maldita, eu sou a rainha. Não importa o quanto ele tenha gritado “ esposa” para ela ontem a noite. – rosnou.
Cinder engoliu em seco, analisando a mulher que servia. Internamente gostou que a serva que o rei comprou tivesse aceitado os caprichos dele porque isso significava que Katharina perderia o posto de cortesia do qual abusou.
— Só vim avisá-la, majestade, que o rei se encontra no salão de refeições agora com vosso irmão. Me mandou avisar sempre que ele fosse fazer as refeições.
Katharina respirou fundo, era sua chance de se aproximar de Dantalian e fazer a loucura dele soar suportável.
Ela se ergueu dos cacos de tudo. Estava descalça. E um caco incômodo daquele maldito reino entrou no seu pé. O arrancou impiedosamente como faria com aquela servazinha.
— A fedelha maldita está com eles? — Exigiu com a voz embargada.
— Ela está conosco na cozinha. Eu já a vi com outros dois criados hoje de manhã conversando. — Respondeu Cinder.
Katharina respirou fundo gostando da resposta.
Mirou a moça.
— Prepare um banho de rosas e leite para mim.
…
Lisa chegou à cozinha animada e roubou uma maçã da fruteira e a mordeu.
— E então como foi se prostituir ao rei? — A acusação de Desmond a acertou em cheio.
Ela cuspiu a maçã e perdeu o apetite grandioso que sempre tinha. Analisou o olhar de todos pesando sobre ela.
A confiança dela e a felicidade se desfez. Se sentiu nojenta. Ela quis morrer.
Desmond sentiu um tapa na cabeça bem forte. Analisou Agatha em choque. Como ela teve a audácia de bater no irmão mais velho?
— Você se deita com as empregadas o tempo todo e nunca chamou nenhuma delas de nada r**m por se deitarem com você… Agora que sua amiga fez isso para sobreviver… Você a destrata? — A lição de moral de Agatha fez todos os cozinheiros e ajudantes de cozinha a mirarem admirados. — acha que ela sendo uma serva pode ir contra um rei? Devia consolar sua amiga e não julgá-la seu t**o. Será que eu tenho que te ensinar tudo? – Gritou com ele num raro descontrole.
Agatha mirou Lisa amorosa.
— Não devia estar comendo com o rei, minha lady? — Indagou educada e tratando Lisa com formalidade para os outros empregados do palácio aprenderem a fazer o mesmo.
Lisa deu de ombros.
— Deixa disso, Agatha. Não achei de bom tom ter o desjejum com ele… E eu gosto de comer com vocês dois. Aí eu vim. — Se explicou Lisa adorável.
Agatha suspirou analisando a moça que amava toda doce. Não resistiu e a abraçou.
O rei na noite passada pediu ajuda e conselhos para tratar dos ferimentos de Lisa quando a menina desmaiou de cansaço. O orientou sobre como limpar as feridas que ele deixou no corpo de Lisa. Não entendeu porque ele não usou o elixir de cura dos magos até agora que viu as marcas que todos também veriam e mostravam que Lisa era dele.
No momento que foi chamada para ajudar, ficou horrorizada com as chicotadas, mas vendo Lisa agora, se tranquilizou sabendo que ela havia gostado e por isso estava de bom humor e confiante.
— Estou bem. Estou bem. — Garantiu Lisa rindo, a cheirando no pescoço. — não se preocupe, Agatha.
Desmond a estudou ainda chateado, mas percebeu que era loucura querer que ela lutasse contra os desígnios do rei e notou que ela estava machucada com mais empatia e pensou que ela se debateu e por isso foi punida.
— Ele ao menos foi gentil?
— Não. — Respondeu Lisa, sincera. — Mas já passou e eu sobrevivi.
Desmond a estudou. Quando Agatha a soltou, ele foi abraçar Lisa, mas a irmã o impediu.
— Não foi você que a chamou de prostituta há pouco? — Rosnou Agatha protetora.
Desmond corou sem voz. Analisou Lisa e Agatha.
— Eu juro que me arrependo do que eu disse agora, será que dá para me deixar abraçar minha amiga?
Agatha o soltou e consentiu. Desmond abraçou Lisa. Contudo, Lisa percebeu que o corpo esquentar e o coração bater mais rápido porque Desmond a notou não acontecia mais.
…
Desmond notou enquanto servia o rei do sangue de um coelho na taça de cristal, que o rei estava o estudando com os olhos semicerrados e sombrios.
O rapaz engoliu em seco, o vendo beber do sangue, sem encostar na comida humana.
Já Amadeo estudou ao monarca com quem tinha refeições vez ou outra, inclusive quando a irmã o convidava e corado disse:
— Vai se casar com a menina para quem encomendou uma espada com Herfeu?
— Não faça perguntas difíceis para as quais não quer realmente ouvir uma resposta, Amadeo.
— A minha irmã…— Ia se pronunciar Amadeo.
Katharina entrou no salão. Um belo vestido vermelho de seda colado ao corpo, jóias com um colar dourado grosso de ouro no pescoço , brincos grandes de ouro e braceletes. Uma bela tintura vermelha nos lábios. Os olhos castanhos com contorno escuro e uma tiara na cabeça. O longo cabelo escuro solto.
— Está linda irmã. — elogiou Amadeo, mesmo que muito raramente achasse mulheres bonitas.
Desmond perdeu o ar. Como o rei podia gostar de Lisa casado com uma beldade daquelas? Ele era cego? Lisa, Desmond amava Lisa, mas era óbvio que a esposa do rei era linda.
— Vim me juntar a vocês. Não se importam, não é? — perguntou ela sedutora, com a sobrancelha arqueada.
Dantalian apenas a mirou, impaciente e irritado. Ela era tão óbvia que chegava a dar nos nervos.
Desmond estava sem ar por aquela mulher que fazia qualquer homem ferver e ficar duro.
—Que bom que chegou. Agora pode fazer companhia ao seu irmão. Achei que seria rude de minha parte deixá-lo ter o desjejum sozinho. Mas já que está aqui façam companhia um ao outro. Eu devo ir. — Se pronunciou o rei, bebendo todo o conteúdo de sua taça. Ele se levantou e saiu do salão de refeições.