~ Você de novo? ~

1870 Words
Como Clarice havia esperado, Henrique não apareceu para vê-la desde a última vez que se encontraram. A única forma que ela sabia de notícias dele era por curtas mensagens que ele lhe enviava falando o quão corrido seus dias estavam e como as temporadas de desfiles e lançamentos de novas coleções de roupas e calçados exigiam dele, mensagens essas que passaram a ser ignoradas por ela. Ela estava em dúvidas sobre ser a escolha certa casar-se com um homem que já era ausente em sua vida antes de casar. Seus últimos dias se resumiram em imaginar como seria sua vida após se casar com Henrique, para onde iria viajar no seu aniversário e claro, ela ainda pensava no encontro que teve com Ricardo. Suas amigas ficaram chateadas ao saberem que não teria a festa que elas desejavam mais que a própria Clarice, no entanto, aceitaram viajar para Cancun com ela e comemorar o aniversário dela em um resort luxuoso e é claro que aquela viagem seria paga por Clarice, como todas as outras que fizeram juntas. A noite de sábado prometia um tédio total. Henrique não tinha dado sinal de vida, Elen e Vivi haviam marcado programas com ambas famílias e Camila ia à um aniversário com o seu namorado. — Clarinha, eu vou sair com umas colegas, elas me chamaram para ir ao cinema, faz tempo que não saio e aceitei o convite, você vai ficar sozinha em casa, minha linda? — Perguntou Julieta para Clarice. — Vou sim, Juju. Camila saiu, Vivi e Elen estão em um programa de família e o Henrique não deu nenhum sinal de vida, não conto com a presença dele aqui em casa hoje. E como eu só tenho essas pessoas na minha vida, não tenho mais nenhuma opção. Por isso vou fazer uma skin care, talvez assista um filme e vou dormir cedo. — Julieta sentiu um pouco de tristeza na voz da jovem. — Eu posso cancelar o cinema com as meninas e ficar com você. — Sugeriu. — Não, Julieta. Pode ir, você merece se divertir um pouco, eu vou ficar bem. Aproveite! Você está linda e deveria arrumar um namorado. — Julieta negou. — Estou muito bem assim, já passei da idade de perder meu sossego com homem, Clarice. — Ela riu. — Nunca é tarde para o amor, Juju. — Disse Clarice rindo. — Eu acho que você deveria seguir o seu próprio conselho e terminar definitivamente com o Henrique, você merece alguém que goste de você de verdade. — Disse Julieta. — Eu não sei o que fazer com esse namoro, Juju. Meu pai acredita que o Henrique é o homem certo para mim. Contudo, acho que o nosso namoro já acabou há muito tempo. — O tempo que os pais escolhiam os maridos de suas filhas já passou há muito tempo, Clarice. Você é quem tem que dizer quem é o homem certo para você e não o seu pai, não é ele que vai conviver com ele. Não adianta casar achando que ele vai mudar quando casar que isso não vai acontecer, acredite em mim e tome uma decisão antes de estar presa em um matrimônio com ele. — Aconselhou. — Eu vou pensar nisso, Juju. Mas acredito que o nosso namoro e futuro casamento já acabou. Depois daquela discussão ele não me procurou e apenas me enviou poucas mensagens como se nada tivesse acontecido. — Respondeu. — Faça igualmente, como se nada tivesse acontecido, termine com ele, seja pessoalmente ou por mensagem, não continue presa nesse relacionamento que já acabou antes mesmo de começar. — Continuou. — Você está certa, eu vou tomar uma decisão em breve, mas preciso colocar um ponto final nisso, olhando nos olhos dele e mostrar que não sou a garota fútil que ele diz que eu sou. Agora vai, se não você vai se atrasar e perder o filme. — insistiu. — Se cuida e se precisar de algo, meu celular está ligado. — Disse. — Eu não vou precisar, vai tranquila. — Sorriu e despediu-se de Julieta. Clarice subiu para o seu quarto e percebeu que havia chegado várias mensagens, pensou em ignorá-las e seguir sua rotina noturna e não pegar no seu celular naquela noite. Contudo, algo lhe dizia para que ela pegasse aquele aparelho e assim ela o fez, no entanto a mensagem que ela leu naquele momento foi algo que ela nunca imaginou que aconteceria com ela. Com as mãos trêmulas ela leu a mensagem que dizia: “Quer saber o que o seu namorado faz quando diz que está trabalhando, venha até o Hotel Village. Na recepção você encontrará alguém que irá facilitar a sua entrada, basta dizer a seguinte frase: Doce traição.” Clarice, com a curiosidade de uma mulher que já estava magoada com o namorado, não resiste e se veste rápido, tentando ficar discreta para não chamar a atenção de curiosos e muito menos de jornalistas fofoqueiros, que só querem um pequeno vacilo para tornar a vida das pessoas um caos. Em poucos minutos ela está dentro de um táxi, indo em direção ao hotel. Mesmo que aquilo fosse um trote, ela estava disposta a verificar pessoalmente. — Ah Henrique, eu só espero que tudo isso seja uma brincadeira. — Disse enquanto abria a porta do quarto. Seu coração estava acelerado e suas mãos trêmulas. Apesar de todo nervosismo e do medo por não saber se era mesmo o seu namorado que estava ali, ela adentrou o quarto sentindo cheiro de álcool, cigarro e mais aromas que denunciavam que naquele quarto havia acontecido sexo. As roupas espalhadas foram reconhecidas por ela e colocadas sobre uma poltrona, a camisa jogada no chão tinha sido um presente dela, assim como os sapatos masculinos. Henrique estava ali. A cama estava bagunçada, os lençóis amarrotados e sons de água caindo acompanhado de gemidos podiam ser ouvidos vindos do banheiro. Ela abriu a porta e seus olhos capturaram a cena mais dolorosa e nojenta que ela já tinha visto em toda a sua vida. Henrique estava embaixo do chuveiro, enquanto uma mulher com um rosto bastante conhecido, estava de joelhos, fazendo sexo oral nele, aquilo fez seu estômago embrulhar, enquanto um misto de emoções invadiram seu corpo. Clarice bateu a porta do banheiro com força, despertando a atenção dos dois que ainda não tinham a visto. — Cla… Clarice… o que está fazendo aqui? — Perguntou Henrique, bastante assustado. — Então é esse o seu trabalho? É aqui que você vira as noites trabalhando? — Disse com uma expressão de repulsa. — Como você teve coragem de fazer isso comigo? — Perguntou. — Quem te deixou entrar aqui? — Perguntou, colocando uma toalha em volta de sua cintura. — Acho que quem merece fazer perguntas aqui sou eu. — Disse, vendo a mulher vestir um roupão. — Não, eu não quero fazer perguntas, não quero respostas, eu já vi tudo que precisava, agora eu sei o motivo de você não me procurar mais e ter me tratado tão m*l da última vez que nos vimos. — Falou. — O motivo de eu não querer te ver é que eu estou cansado de tanta frescura, Clarice. Você só sabe falar de coisas fúteis, das suas compras, das coleções que vão lançar ou de como o seu cabelo está hidratado, nunca conversamos sobre o que eu quero, sobre meus sonhos e desejos depois de casar. — Eu sou a sua namorada. Um casal conversa sobre os gostos deles, eu falava o que eu sei fazer e o que eu gosto. — O que você sabe fazer? — Riu. — Me poupe Clarice. A única coisa que você sabe fazer é ser a filha do magnata Humberto Aliperti e gastar o dinheiro dele. — Eu não vou permitir que você me trate assim. A traída aqui sou eu. Você que é um cafajeste e devia estar tentando explicar o porquê está com essa baranga siliconada. — Olha aqui como você fala comigo, eu não sou siliconada. — Você é tão falsa quanto aquelas matérias daquele seu programinha de merda, Jennifer. — Disse Clarice. — Já chega, vai embora daqui, Clarice. Eu passo na sua casa amanhã. — Disse. — Você acha que eu quero te ver ou quero ter algo com você depois do que eu vi aqui. Eu tenho nojo de você, Henrique. — Ele riu. — Ótimo, já queria ter me livrado de você há muito tempo. Mas quando seu pai souber disso, ele não vai gostar nem um pouco. — Disse Henrique. — Eu não sou obrigada a casar com quem o meu pai quer, tenho o direito de fazer minhas próprias escolhas. — Falou. — Você nunca conseguirá alguém que não seja com a ajuda do seu pai, que seja comprado para te aturar. Você é fresca e sem graça, Clarice. É apenas um rosto e um corpo bonito, você não tem conteúdo e além disso, qual é o homem que vai querer ficar com uma mulher que não deixa tocar no cabelo e tem um limite de toques para o rosto? Me diz, quem vai querer namorar você com essa frescura toda? Além das birras de criança que você usa para conseguir o que quer. — Aquilo a magoou bastante. — Você não pode falar comigo assim. — Disse. Henrique caminhou até Clarice e segurou no queixo dela. — Posso sim, agora vai embora que você está me atrapalhando. Vai pra casa, sei lá, pentear o seu cabelo, usar os milhares de óleos e hidratantes no rosto e dormir as horas que você precisa para ter uma pele bonita. Não é essa a sua rotina? Sua vida não é resumida a toda essa baboseira. — Ela engoliu o choro, não queria demonstrar fraqueza naquele momento, apesar do seu coração estar em pedaços, no fundo ela gostava da pessoa que Henrique era pra ela. — Você ainda vai ouvir falar muito de mim, Henrique e eu vou te fazer engolir o que disse comigo, eu tenho sim muito conteúdo e sou muito mais do que você disse sobre mim. Eu posso ser o que eu quiser. Não me procure mais, i*****l. — Saiu, deixando Henrique e sua amante no banheiro. Mas antes de ir embora, ela jogou todo o vinho sobre os lençóis branco da cama, além dos molhos do jantar que ainda estavam no quarto, e por último jogou pela janela do quarto do hotel todas as roupas deles, seus celulares, bolsa e carteira, que caíram dentro da piscina. Ela estava triste, magoada e decepcionada com Henrique, ela acreditava que ele era o homem com quem ela passaria o resto da vida. Clarice saiu apressada, queria sair daquele hotel o mais rápido possível e as lágrimas que ela tinha segurado diante de Henrique e sua amante, ela deixou cair ainda no elevador. De cabeça baixa ela saiu do elevador apressada e acabou esbarrando em alguém, que a segurou antes que ela pudesse cair. Ela sentiu aquele perfume familiar, ela conhecia aquele cheiro. Ergueu o rosto e seus olhos encontraram os do homem que sorriu ao ver quem era. — Você de novo? — Perguntou surpresa. — Dessa vez você não caiu. — Sorriu gentilmente.
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