CAPÍTULO 2 — CONHECENDO HELENA

1311 Words
Helena Narrando. Me chamo Helena Duarte, tenho 20 anos, nascida e criada no bairro de Santa Cruz, Rio de Janeiro. Um bairro simples, mas cheio de pessoas felizes e de bom coração. Eu moro com meus pais, sou filha única. Meus pais me deram tudo o que puderam, e eu sou muito grata por isso. A única coisa que eles não puderam me dar foi a minha faculdade. Eu sonho em ser médica, mas, infelizmente, é caro demais. Então, eu resolvi sair para trabalhar para poder pagar minha faculdade, mas aí o papai ficou doente e teve que parar de trabalhar. Então, tive que desistir da faculdade para ajudar em casa. Só a pensão do meu pai era muito pouco. Mas eu sempre quis ajudar as pessoas, então, nas minhas horas vagas, eu trabalho de voluntária em uma ONG. Trabalho em um restaurante de garçonete um dia sim e outro não, então dá para associar muito bem. E eu gosto muito disso: ajudar as crianças em aulas de reforço, ajudar nas entregas de cestas básicas nas comunidades carentes, ajudar em tudo o que eu posso. E já estou nisso há dois anos. Todos me conhecem, sabem como eu gosto de ajudar as pessoas e me colocam em vários projetos. O problema do meu pai melhorou com o tempo, mas ele não conseguiu mais trabalhar. Ele tem dores crônicas, então eu ajudo no que eu posso, mesmo eles não querendo. Mas eu sei que dias melhores estão por vir. Eu nunca tive um relacionamento até pouco tempo. Não tenho tempo para isso, mas aí eu conheci o Guilherme. Ele tem 25 anos, entrou para trabalhar no restaurante. Ele é filho do dono de lá, e acabamos nos aproximando e nos tornando amigos, até que ele me beijou. Foi meu primeiro beijo, e eu gostei muito. Passei a gostar dele. Ele me pediu em namoro há dois meses e, desde então, eu entrei no meu primeiro relacionamento. Ele é um cavalheiro e gosta de mim. Me trata bem. Já conheceu meus pais e eu conheci os pais dele. Nunca passamos de beijos. Não acho que chegou o momento para ir além. A minha amiga Maria fala que eu sou devagar demais e vou acabar perdendo ele, que eu tenho que aproveitar as maravilhas da vida, mas ele não é assim. Ele me respeita. Já conversamos sobre isso e ele falou que vai respeitar, e isso me deixou mais apaixonada por ele. Eu não sou nenhuma inocente. Sei que homens têm necessidades, mas eu quero esperar o momento certo. Quero que seja perfeito. Hoje é meu dia de folga, então é o dia da ONG, o dia que eu mais gosto de sair de casa. — Não vai ficar em casa hoje? — minha mãe perguntou. — Não. Vou dar aulas na ONG — falei, me sentando à mesa com eles. — Você trabalha demais, minha filha — meu pai falou. — Eu sei, papai, mas a gente precisa — falei, sorrindo. — Você é muito nova, era para estar estudando — ele falou. — Quem sabe um dia. Por enquanto, eu gosto do que eu faço — falei. — Você tem um coração enorme — minha mãe falou. — Graças a vocês — falei, sorrindo. Tomei meu café e saí. Peguei meu ônibus e fui para a ONG. Mas hoje estava uma agitação diferente por aqui. — Maria, o que está acontecendo? — perguntei para minha amiga, que é voluntária aqui também. — Fomos selecionados para fazer uma ação de caridade no Morro do Vidigal e estão todos com medo. Dizem que o homem que comanda lá não é um cara bom — ela falou séria. — Ah, tá. Eu achei que era sobre dinheiro de novo — falei. — Não. Eu só sei que eu não vou. Não quero morrer — ela falou com medo na voz. — Não acho que seja para tudo isso — falei, sorrindo do drama dela. — Fala isso porque nunca ouviu a fama dele — falou. — Helena, pode vir aqui, por favor — o administrador da ONG me chamou. — Se ele falar para você ir, você n**a, viu? — a Maria falou enquanto eu me levantava. Neguei com a cabeça e fui até a sala dele. — Bom dia — falei, entrando na sala dele. — Bom dia. Pode se sentar, por favor — falou. Assenti e me sentei. — Vamos fazer uma ação voluntária no Morro do Vidigal e quero que você lidere — ele falou. — Eu? — perguntei, confusa. — Ninguém aqui tem sua garra e dedicação, e não vejo outra pessoa melhor para isso. E não vai ser fácil. As coisas são difíceis por lá, por isso vamos pagar um bom valor para você. Você pode pensar... — ele falou. — Eu topo — falei logo de cara. Dinheiro sempre é bem-vindo na minha situação, e não acho que vai ser tão difícil assim. — Não quer pensar? — ele falou. — Não. Eu vou. Quando começo? — falei, sorrindo. — Depois de amanhã. A Maria vai te dar os dados para você ligar e agendar. Espero que você consiga — falou. — Tá bom. Vou me esforçar — falei. Saí da sala dele com um sorriso no rosto. Eu não sei o valor que ele vai me dar, mas vai ser bem-vindo, então vou fazer de coração. — O que ele queria? — a Maria perguntou. — Para eu liderar a ação no Vidigal — falei, me sentando. — Você negou, né? — ela perguntou. — Claro que não. Vão pagar um valor, e sabe que eu preciso de dinheiro — falei, sorrindo. — Você é louca — ela falou. — Eu sou é necessitada, mas não acho que vai ser difícil assim. Vamos ajudar o morro dele, não tem por que ele negar — falei. — Você não conhece mesmo a fama dele, mas tá bom. Esse aqui é o número para ligar e tentar agendar a visita — falou, entregando um papel. Assenti e peguei o papel que ela me deu. — Lobo? — perguntei, vendo o nome no papel. Me arrepiei. — Sim. O nome dele ninguém sabe — ela falou. Assenti, peguei o telefone e liguei. Atenderam no segundo toque. — Fala — atenderam. — Gostaria de falar com o Lobo — falei. — É ele. Pode falar — ele respondeu. — Sou Helena, da ONG Aprender e Crescer. Queremos marcar uma visita... — Não — ele me interrompeu. — Você nem me deixou falar — falei. — E nem vou — falou e desligou. Ele desligou na minha cara. — O que foi? — a Maria falou. — Ele falou não e desligou na minha cara. Que i****a — falei irritada. — Eu avisei — ela falou. Liguei de novo. Ele atendeu. — Você não pode desligar assim na cara das pessoas — falei, e a Maria arregalou os olhos na minha frente. — Eu posso e faço o que eu quero, e não quero ONGs atrás de dinheiro do governo fingindo que fazem alguma coisa no meu morro. O morro é meu, cuido eu. Não me liga de novo, p***a — falou e desligou. — i****a — falei, nervosa. — Você está ficando louca, Helena. Esse cara te mata sem piscar — ela falou. — Pois, se ele não quer falar comigo pelo telefone, vai ter que falar pessoalmente — falei, me levantando. — Você é louca. Ele vai te matar — ela falou, se levantando também. — Vou tirar a prova — falei, peguei minhas coisas e saí, passando por ela. — Helena — ela chamou, mas eu não parei. Não quero fazer nada demais, só ajudar o morro dele, e ele age como um animal. Deve ser por isso que tem esse apelido ridículo. Eu vou resolver isso. Preciso desse dinheiro.
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