CAPÍTULO 24 BIBI NARRANDO Desci as escadas com o coração batendo tão forte que parecia que o morro inteiro podia ouvir. A cada degrau, o barulho da moto lá fora parecia mais alto, o cheiro do perfume dele invadindo minha cabeça antes mesmo de abrir a porta. Girei a maçaneta devagar, e assim que abri, lá estava ele — Escorpião, com aquele sorriso de canto que sempre me desmontava. — Desse jeito tu me mata, Bibi, — ele disse, abrindo o portão e entrando sem nem pedir. — Acha mesmo que eu ia esquecer teu aniversário? Fiquei parada, meio sem reação, olhando pra ele. O farol da moto ainda aceso iluminava o rosto dele, o olhar firme, o cordão brilhando no pescoço. Ele chegou mais perto e me puxou num abraço apertado, quente, forte. O tipo de abraço que faz a gente esquecer de respirar. — F

