CAPÍTULO 23 BIBI NARRANDO Saí do restaurante com a barriga cheia e o coração leve. O sol batendo forte, o vento da ladeira quente e a Kelly rindo do meu lado, toda feliz, ainda falando da comida. — Cê viu o tamanho do bife, mulher? Achei que o prato ia me engolir. — ela disse, passando a mão no cabelo loiro. — Tu comeu até o pudim, atrevida. — respondi, rindo. — Se deixar, leva o prato pra casa. — Ah, fala sério, tava uma delícia. A gente subia o morro devagar, conversando e rindo, o som das motos passando e o funk vindo de algum beco lá de cima. Quando a gente virou a esquina da rua dela, o cheirinho doce já entregava o lugar. A sorveteria da Dona Sônia tava aberta, cheia de criança com casquinha na mão, o som da geladeira zunindo e o ventilador rodando preguiçoso no canto. — Cheg

