CAPÍTULO 39 JÚLIO NARRANDO Um mês. Um mês trancado nesse inferno que chamam de cadeia Laudemir Neves, aqui em Foz do Iguaçu. O tempo aqui não passa — ele se arrasta. Cada dia parece uma semana, cada noite parece um castigo. O barulho das grades batendo já faz parte da minha cabeça. O cheiro de mofo, suor e cigarro velho impregnou até na pele. As celas são apertadas, úmidas, e o colchão parece papelão molhado. A comida vem fria, jogada, e se tu reclamar, ainda toma esporro do agente penitenciário. Aqui dentro é lei de cadeia — quem fala demais, apanha; quem cala, sobrevive. Eu aprendi rápido. Fiquei na minha, cabeça baixa, sem dar papo pra ninguém. Mas o ódio, esse sim, tá sempre comigo. Agora tão dizendo que vou ser transferido pra um presídio de segurança máxima. Dizem que lá o bag

