CAPÍTULO 94 KELLY NARRANDO A cena parecia de filme — só que desses que a gente assiste tensa, sabendo que vai dar merdä no final. O Escorpião saiu do meio do pagode com a Bibi nos braços, e o povo todo abrindo caminho, uns cochichando, outros rindo. E eu ali, parada, com a bolsa dela na mão, o coração apertado e a cabeça girando de preocupação. — Putä que pariu, Bibi… — murmurei, seguindo eles de longe. — Tu não sabe brincar, né? A gente só queria se distrair, curtir um som, tomar umas geladas e esquecer dos problemas. Mas bastou ele aparecer, e pronto. Tudo virou um furacão de novo. O Escorpião tava sério, o olhar pesado, aquele tipo de cara que todo mundo respeita no morro — e com razão. Ele segurava a Bibi com firmeza, sem grosseria, mas também sem dar espaço pra teimosia dela.

