CAPÍTULO 11 ESCORPIÃO NARRANDO Desci o beco, o sol já batendo forte no calçamento quente, moto roncando alto entre as vielas. A quebrada tava viva — som de funk vindo das janelas, criançada jogando bola, o cheiro de churrasquinho subindo de algum canto. Mas eu não tava ali pra curtir o dia, não. A cabeça ainda girava no mesmo ponto desde a noite passada. O vento batia no rosto enquanto eu subia a ladeira da boca. Os vapores me viram de longe e já se ajeitaram. — Salve, patrão! — um deles gritou. — Fala, cria. — respondi curto, estacionando a moto rente ao portão. Mal desci, e ela já veio. A Luna. Mina conhecida, dessas que se acham dona do pedaço porque têm entrada comigo. Cabelo loiro oxigenado, short minúsculo, top colado e aquele olhar que sempre vinha carregado de segunda inten

