CAPÍTULO 10 ESCORPIÃO NARRANDO O sol já batia forte quando abri os olhos. A claridade invadindo o quarto, o barulho do morro começando a acordar — criança gritando na rua, rádio alto, cheiro de café vindo de algum canto. Virei pro lado e vi o cinzeiro cheio, latinha vazia e o celular piscando com mensagem do Júlio. Passei a mão no rosto, cansado. A noite não tinha rendido porrä nenhuma de sono. Levantei devagar, os ossos estalando, o corpo pesado igual chumbo. Entrei no banheiro, tirei a bermuda e girei o registro. A água fria bateu no corpo e me fez voltar pra realidade. Fiquei um tempo parado ali, só sentindo o jato cair nos ombros, tentando limpar não só o suor, mas o peso da cabeça também. O vapor subia devagar, o espelho embaçado, e eu me olhava de vez em quando — olhar duro, b

