CAPÍTULO 37 JÚLIO NARRANDO Esperei preso na escada de incêndio, fumando o último baseado enquanto olhava pela fresta a rua lá embaixo. O prédio parecia um formigueiro de noite — luz acesa aqui e ali, alguém passando, porta de garagem abrindo. Tinha combinado de pegar o cara saindo, e a ideia era simples: esperar, dar o bote e sumir antes que a porrä começasse. O Vapor — um dos menor que tava comigo — ficava inquieto, andando pra lá e pra cá. Cada cinco minutos ele vinha no meu ombro, batia a mão no meu braço, tipo: – Vamo, mano, vamo que eu já tô de saco cheio. Eu via o olho dele na janela, e eu abaixava a cabeça, calmo. — Vai, menor — falei baixo, sem tirar o cigarro da boca. — Deixa o corre quieto. O cara sai, a gente resolve, e vaza. Simples. — Não sai não, Júlio. — ele retrucou

