CAPÍTULO 104 BIBI NARRANDO O Vinícius já tava dormindo, aquele soninho pesado e tranquilo que só bebê tem. O quarto tava com o abajur aceso, a luz amarelada deixando tudo calmo — o cheirinho de talco, o barulhinho da respiração dele, o paninho agarrado na mãozinha gordinha. Aquilo bastava pra me fazer sorrir. Fechei a porta devagar pra não fazer barulho e fui direto pro banheiro. A água do chuveiro caiu quente, escorrendo pelas costas e levando o resto do cansaço do dia. Deixei o cabelo solto, a cabeça encostada na parede fria e fiquei ali por uns minutos, pensando na vida. Lá fora, o som do baile ecoava no morro — batidão forte, gritos, gargalhadas. Dava até pra sentir a vibração das caixas de som pela janela. Por um instante, a vontade bateu forte. Dançar, esquecer um pouco da roti

