CAPÍTULO 103 KELLY NARRANDO A moto cortava o vento da noite, e eu sentia o coração batendo no mesmo ritmo do motor. O morro tava vivo — cheio de luz, risadas ecoando nas esquinas, gente descendo pro baile com aquele brilho no olhar. O som das batidas já dava pra ouvir de longe, pesado, vibrando pelo chão. O Júlio estacionou a moto perto da entrada, me ajudou a descer e tirou o capacete da minha cabeça, devagar, com um sorriso de canto que quase me fez esquecer de respirar. — Bora, gata. — ele disse, segurando minha mão. — Hoje o baile é nosso. Segurei firme, tentando disfarçar o arrepio que percorreu meu corpo. A entrada do baile tava lotada — luzes piscando, fumaça subindo, o DJ gritando no microfone, e a galera dançando colada, rindo, vivendo o momento. A cada passo que a gente da

