CAPÍTULO 9 ESCORPIÃO NARRANDO Subi o morro devagar, a moto roncando pesado e a cabeça mais pesada ainda. A porrä da cena não saía da minha mente. Ela, com aquele olhar firme, me desafiando no meio da rua, dizendo que eu não era nada dela. Nada. Bati a língua no dente, putø comigo mesmo. — Caralhø… — murmurei, acelerando mais. — Que merdä eu tô fazendo? Encostei a moto na frente de casa e fiquei ali um tempo, só escutando o motor esfriando. A noite tava abafada, cheia de grilo e pensamento. Tirei o boné, passei a mão no rosto e respirei fundo. Desde muleque eu aprendi a não deixar ninguém me tirar do eixo. Já vi negø morrer por perder a cabeça, já enterrei parceiro por causa de sentimento m*l resolvido. Mas aquela mina… porrä, aquela mina mexia com o que eu não devia ter dentro de mi

