Chapter 3

1903 Words
TRÊS O Eldorado, Shreveport, Louisiana 15 de Março de 2012 Acordei com uma ressaca terrível, que era tão humilhante como a Amstel Light e o vinho do mini-bar, e lembrei do Nick no meu quarto, e da forma como eu tinha agido. Parecia improvável que pudesse ter sido muito pior, mas pelo menos não o tinha encontrado nua à porta com uma rosa nos dentes. Eu me levantaria e iria me recompor. Seria atraente no meu conjunto de camisola verde musgo da Ellen Tracy. Eu resolveria isto. Mas primeiro verificaria as minhas mesnsagens de texto porque o meu telemóvel estava tocando. A esta hora da madrugada? “Onde INFERNOS você está?” Foi a Emily. “?? Me arrumando”. Isto estendeu a verdade, mas a regra principal das mensagens de texto é mantê-las curtas, por isso omiti os pormenores reveladores. “Já começámos. Venha logo!”. Talvez não tenha sido tão cedo como eu pensava. “Estou a caminho”. Bem, bonitos e juntos estavam agora fora de questão, embora eu não saiba se poderia tê-los conseguido nas circunstâncias, não importa quanto tempo tivesse. Organizei-me de acordo com os padrões mínimos higiénicos e estéticos e juntei-me à sessão de formação de equipas, segundo dia consecutivo. Esperava poder disfarçar o suficiente para enganar os meus colegas de trabalho. Fiz uma pausa do lado de fora da porta, aberta para a sala de conferências, e ouvi o apresentador. A firma tinha contratado um consultor sensível para nos ajudar a resolver quaisquer problemas que tivéssemos uns com os outros de uma forma positiva e construtiva. “Boa sorte com isso”, eu pensei. Pensei se ele me ajudaria com a minha edição “Quero dormir com o meu colega de trabalho, possivelmente ainda casado que, a propósito, me odeia”. Mas esta não foi uma sessão do tipo venha por aqui; o consultor foi, na verdade, bom o bastante. Hoje estávamos aprendendo a falar sobre aquilo de que precisávamos mais e menos uns dos outros. Ele nos instruiu a estabelecer uma parceria com a pessoa com quem mais precisávamos de uma relação de trabalho eficaz. Invadi a entrada da sala de conferências em tons florais. Em segundos, os pares estavam quase completos. Busquei na sala pelo longo cabelo louro de Emily do Texas, esperando que ela tivesse esperado por mim, mas ela estava com o paralegal principal, levando a atividade muito a sério. Olhei para ela e ela encolheu os ombros com as sobrancelhas levantadas, como se dissesse: “A culpa não é minha se me levantarem e depois não conseguirem me tirar da cama até ao meio-dia”. Eu murmurei e busquei na sala por um parceiro. Ao verificar o espaço, os olhos fundos de Nick fixaram-se lentamente nos meus. Isto não foi bom. Eu também mantive o meu rosto sem expressão, um esforço gigantesco, levando em conta que a mistura do mini-bar de ontem à noite queria reaparecer. Comecei a virar, depois percebi que ele estava caminhando na minha direção. Esperava que ele passasse por mim, mas ele não fez isso. Ele não disse nada, então eu falei. Não pude evitar. Eu sempre liderei. Não é de admirar que o meu irmão mais velho me tenha dito que eu afastava os homens. “Então, quer mais um pouco disto?” Tentei dar um sorriso auto-depreciativo. Ele não sorriu de volta. “Parece ser a melhor maneira de esclarecer ‘isto’, por isso teremos um entendimento antes de voltarmos ao escritório”. Ele balançou a mão para trás e para a frente entre nós. Fez-me lembrar a noite passada, e não de uma boa forma. Sentamos. As flores no papel de parede e no chão não estavam a fazer muito para me animar. As videiras do tapete subitamente me alcançaram e amarraram-me à cadeira pelos tornozelos. Não, sua cabeça-dura, isso é a sua imaginação e demasiado álcool. Ora. Despreocupada. Esfreguei as mãos nos meus antebraços, tentando suavizar os meus arrepios. Nick leu as instruções em voz alta. Revezávamos numa lista de exercícios. Primeiro, contávamos uns aos outros as coisas que apreciávamos; e depois, outras coisas que mais ou menos eram necessárias; e finalmente, o que nos comprometemos a fazer mais ou menos um pelo outro. No caso de nos esquecermos destas instruções, elas eram impressas em bloco em marcadores coloridos a negrito nos cartazes gráficos de folhas móveis em toda a sala. Agradeço, aos cartazes, por terem rompido este pesadelo florido, eu pensei. “Você primeiro, Nick. Acho que você tem que lembrar do que admira em mim”. Eu disse com um tom lúdico. Ele não retribuiu, nem hesitou. “Agradeço-lhe por ser uma profissional, que faz um bom trabalho e trabalha arduamente. Você é importante para a firma”. Não foi propriamente caloroso. “Obrigada, Nick. Mais alguma coisa? Pode continuar a fazer os elogios se quiser”. Tentei dar outro sorriso, com a cabeça inclinada para a direita. A minha melhor tentativa. “Só isso”. Isto estava indo maravilhosamente bem. “OK, então, o que eu admiro em você é . . . ”, enquanto ele seguia o caminho estritamente profissional, recusei-me a ser tão impessoal, “. . . a sua criatividade e perspicácia, e como trabalhámos bem em equipa no caso Burnside”. Canalizei a linguagem de PORCARIAS da atmosfera, uma versão legal de um mau episódio do Dr. Phil. “E agradeço por não ter hoje consigo um guardanapo de bar”. Dica, sugestão—Nick, vamos esquecer isto. Sem hipótese. “Agora fazemos a próxima parte, de mais e menos”. Ele passou as mãos pelo cabelo. Uh oh. “O que eu quero que faça mais é que avise Gino quando precisar de apoio da minha parte, e ele e eu vamos resolver isso. O que desejo que faças menos é”, ele hesitou em dizer, e depois disse, “encurralar-me”. Será que ouvi m*l, ou será que o Nick acabou de me deixar? E acusou-me de persegui-lo? Em tantas palavras. Mesmo depois do final difícil da nossa noite, o pontapé profissional pareceu-me extremo. Estaria ele a sugerir que eu o tinha assediado sexualmente? Passei de zero a sessenta no medidor de fúria em menos de um segundo. Opá. “Já não quer trabalhar comigo? TENHO TE ENCURRALADO? Temos uma conversa pessoal difícil, e recusa a trabalhar comigo?” “Podes por favor falar mais baixo?” Ele sussurou. Joguei as mãos para cima. Ele pensou que isso fosse um sim e continuou. “Só quero minimizar o nosso contato”, ele disse. Sua voz condizia com os seus olhos. “Isso é um absurdo”. A mão de Nick levantou, e eu voltei a aumentar o meu volume. “Somos uma grande equipa. É um enorme benefício para esta firma quando trabalhamos em conjunto. Não percebo porque é que estás a fazer isto. Será tudo por causa de ontem à noite?” Cem olhos estavam me vendo desmoronar em destroços emocionais. Não, isso foi apenas paranoia. As minhas mãos pegaram na minha gola e tentaram abri-la ainda mais. “Não vou falar sobre o porquê. Só preciso de algum espaço. Se tens um problema comigo, é preciso levá-lo ao Gino”. Tempo de decisão e auto-controle. Se eu fizesse uma cena maior, eu o envergonharia, e então nunca seria capaz de solucionar isto. Tinha passado metade da noite passada a reconciliar-me com o fato de nunca ter sido um “nós”, nenhum Nick e Katie. Não gostava de exercer a advocacia, mas no último ano, tinha adorado trabalhar com Nick. Trabalhar com ele era melhor do que nada. Até podia ser suficiente. Mas se ele me tirasse isso, tudo o que me restava era eu e os pensamentos que eu não queria ter. Eu também tinha de ser realista. Eu era importante para a firma, mas o futuro ex-sogro de Nick era o nosso maior cliente. Esta lacuna teve de ficar entre mim e o Nick. Não haveria “ir no Gino” para mim. Além disso, o que é que eu lhe diria? “Gino, o Nick não vai trabalhar comigo porque pensa que eu quero dormir com ele. Faça com que ele seja simpático comigo ou eu farei uma cena temperamental”. Falei usando palavras comedidas. “Acho que não tenho escolha. Honrarei os teus desejos, mas deixa-me ser cem por cento sincera: Esta é a tua decisão. Não a compreendo, e não é o que eu quero. Também prometo ser honesta contigo. Farei isso a partir de agora”. Parecia um bom começo, uma vez que lhe tinha mentido ontem à noite e ele sabia disso. “Isto me machuca. Está me tratando como se me odiasse. Tivemos um momento lamentável este fim-de-semana. Acho que devíamos voltar a falar sobre isto no escritório”. “Não sentirei nada de diferente lá”, disse Nick. Ele quase levantou-se, mas eu o impedi. “Espera aí. Posso dizer mais e menos do que gostaria que fizesse”. Ele sentou novamente. Ignorei a dor no meu estômago e falei. “Gostaria que fizesse mais mantendo uma mente aberta e menos julgando e tomando decisões irrefletidas”. “OK”. “OK, compromete-se com isso?” “OK, eu ouvi”. Olhámos um para o outro durante mais alguns segundos. Depois o Nick levantou-se. Os pés da sua cadeira fizeram um h******l rangido contra o tapete do hotel de lã de aço. Me encolhi. O meu acanhamento foi mau, com base no estreitamento dos seus lábios e sobrancelhas. Ele saiu. Fiquei fixa na minha cadeira. Um pouco mais tarde—segundos? minutos?—Emily interrompeu a minha imagem de bloco de gelo. “Terra para Katie. É hora de descansar. Vamos?” Ela perguntou. Sua voz era arrebatadora, mas menos do que as suas mensagens anteriores. Olhei de relance para ela. Tinha pernas longas, com botas de cowboy e calça jeans azul com um casaco jeans da Gap e uma camisa de malha de algodão roxa. “Hum, obrigada, mas não, eu te encontro quando você regressar”, eu disse. Emily saiu da sala de conferências com um grupo de paralegais. Fui ao bar. Que bebida era respeitável às dez da manhã? Pedi uma Bloody Mary, uma bebida que nunca tinha experimentado. Quem sabia quão boas eram as Bloody Marys? A primeira funcionou bem para mim, por isso pedi outra. Com a ajuda da minha nova amiga Bloody Mary, decidi que podia resolver as coisas com o Nick. Só que não consegui encontrá-lo. Quando voltámos do intervalo, encurralei a Emily. “Você viu o Nick?” Eu perguntei. Emily suspirou. “Ele partiu. Ouvi dizer a Gino que tinha uma emergência familiar”. Que fracasso. O resto do dia passou. Não me lembro muito. Penso ter feito expressões faciais apropriadas e comentários quando necessário. Ou talvez não tenha feito nada. A minha mente de máquina de lavar roupa estava a rodando com pensamentos em Nick. Nessa tarde, Emily me levou em casa, dentro do meu velho e prático Accord prateado. O dia tornou-se noite, e a noite tornou-se dia, e quando acordei no dia seguinte, ao som da voz do meu irmão, eu estava espalhada pelo meu sofá da sala de estar.
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