"A ordem é um lugar solitário. O caos, por outro lado, tem mãos firmes e um olhar que promete nunca nos deixar cair."
Mariana
O trajeto até a casa dele no Morro do Pi.ca-Pa.u, foi um borrão de luzes e vento. E enquanto ele parava a moto, eu podia sentir o meu corpo vibrar, sentindo a raiva que exalava de cada poro de seu corpo.
Eduardo não me esperou ao descer da moto, e eu não esperei qualquer ordem vindo dele para segui-lo de perto. Assim que entramos na casa dele, ele bateu à porta com tanta força que os quadros tremeram.
Eu tremia no lugar. Mas não era de medo. Parecia que aquele dia em que o vi pela primeira vez tinha sido há anos, não há algumas semanas. Eu ainda conseguia me lembrar perfeitamente do que ele era capaz, mas, naquele momento, eu sentia tudo, menos medo.
— Você ficou maluca? — Eduardo avançou no meu espaço e ao invés de dar um passo para trás, me vi levantando o rosto e sustentando o seu olhar. — Se esfregando em bandidinho de quinta, se expondo daquele jeito?
— Eu estava comemorando meu aniversário! — gritei de volta, as lagrimas de frustração quiseram cair, mas eu as segurei. Eu não ia chorar na sua frente. — E você não tem o direito de me cobrar nada!
— É melhor você abaixar o tom... — A voz dele ficou baixa, perigosa. E embora eu tenha engolido em seco, me perguntando se eu estava indo longe demais ao pro.voca-lo, não consegui abaixar a cabeça para aquilo.
Fui andando para trás, enquanto ele dava alguns passos para frente, até que me vi presa entre a porta e o corpo dele. Meu coração batia loucamente dentro do peito, mas eu já estava decidida a enfrenta-lo. Agradeci a bebida, pois, eu não me sentia tão corajosa assim enquanto lamentava no escuro da minha casa.
— Ou o que? — as palavras escaparam em um murmúrio ofegante, enquanto eu me obrigava a sustentar seu olhar. — Você pode ficar se esfregando em várias, mas eu não posso deixar que encostem em mim? Foi você quem me dispensou naquele dia.
Eu não queria ter dito aquela parte. Muito menos deixar transparecer o quanto eu me importava, mas quando percebi já tinha dito.
— Te dispensei, porque achei que você era diferente! — Ele segurou em meus braços, me prensando de vez na parede, enquanto eu sugava uma respiração e me prendia em seu olhar tempestuoso. Eduardo estava com raiva, mas tinha algo mais. E era esse algo mais que me fazia pulsar em antecipação. — Achei que você era boa demais para se envolver com alguém como eu. Mas pelo visto, me enganei com você, Mariana.
Ele riu, mas não era um riso de quem acha graça daquela situação. Era um riso seco, perigoso... E, mais uma vez, eu aguardei na mais pura ansiedade. Eu podia sentir o controle escorrendo dele e, no fundo, era aquilo que eu queria.
— Já que você quer tanto sentar pra bandido... — A mão dele subiu para o meu pescoço, não para apertar, mas para me imobilizar. E foi impossível não engolir em seco enquanto eu encarava seus olhos e podia ver a raiva dando lugar para um de.sejo selvagem. — Então hoje tu vai sentar pra mim. Cansei desses joguinhos.
Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, ele esmagou sua boca contra a minha. Não houve delicadeza no beijo. Não houve o “anjo” que ele via em mim. Foi um beijo de posse, cheio de fome e de uma obsessão que finalmente tinha quebrado todas as barreiras.
E eu retribui, porque apesar de todo o perigo, eu sabia que era exatamente ali que eu queria estar.
Eduardo finalmente me prensou na porta com seu corpo, esmagando qualquer resquício da Mariana “santinha” que ainda tentava protestar fracamente no meu subconsciente. Minhas mãos, que antes estavam caídas ao lado do meu corpo, se estenderam e se enroscaram no cabelo curto da nuca dele, o puxando para mais perto.
Eu queria aquilo. Eu queria mais...
Quando quebramos o beijo para poder respirar, Eduardo se direcionou para o meu pescoço, a ponta do seu nariz arrepiava cada pelinho do meu corpo, mas eram seus lábios que pareciam deixar um rastro de fogo por onde passavam. Estremeci e ge.mi baixinho, amolecendo o corpo e me deixando a mercê de Eduardo, que apertava a minha cintura com força, se colando a mim e me deixando sentir toda a dureza de seu corpo.
Meus dedos se soltaram de sua nuca e, pela primeira vez, me peguei fazendo aquilo que eu tanto tinha vontade. No escuro do meu quarto, diversas vezes imaginei como seria se ele tivesse me beijado naquele dia, como seria passar as mãos pelo seu corpo, arrancar dele, nem que fosse por um momento, todo aquele controle frio que ele tanto mostrava.
Deus, como eu queria...
Por isso mesmo empurrei a vergonha e o restinho de moralidade que ainda me restava e segurei em seus ombros fortes, depois fui descendo, sentindo a quentura de sua pele, a dureza dos seus músculos. Eduardo parecia imperturbável, na sua missão de me beijar, mas quando minhas mãos tentaram adentrarem a camiseta que ele usava, o beijo foi interrompido com brusquidão e senti meus pulsos serem agarrados com força por ele.
Eu tremia no lugar quando seus olhos encararam os meus. Estava ofegante, com as pernas bambas e completamente entregue. Enquanto ele ainda parecia todo cheio de controle. Se não fosse o de.sejo que eu via queimando em seu olhar, eu diria que Eduardo não tinha sido afetado em nada.
Aguardei em expectativa pelo que viria a seguir. Por mais que eu soubesse que ele queria tanto quanto eu, não pude deixar de estremecer ao imaginar que ele poderia ser cru.el o suficiente para me dar uma lição por provoca-lo e me mandar ir embora.
Ele soltou meus pulsos e enquanto me encarava, percebi ele levantar a blusa que usava. Uma olhada rápida para baixo e eu pude ver a arma no cós de sua bermuda. Meus olhos voltaram para os dele e enquanto eu expulsava uma respiração ofegante, notei seu braço se mexer e depois ir para trás de seu corpo, indicando que ele tava guardando a arma na parte de trás de sua bermuda.
Nos encaramos no que pareciam ser horas, não minutos. Até que eu vi um sorrisinho debochado nascer no canto de seus lábios. Eduardo aproximou seu rosto do meu e enquanto eu aguardava pelo beijo, ele desviou no último segundo, raspando os lábios pela minha pele e parando a centímetros do meu ouvido.
— Qual foi? Perdeu a marra, santinha? — a voz rouca causou tremores pelo meu corpo. Todos do tipo bom. E como se soubesse que eu não teria forças para me manter em pé, as mãos dele voltaram para a minha cintura, me mantendo no lugar, enquanto tudo o que eu conseguia fazer era fechar os olhos e pressionar os lábios com força para não ge.mer vergonhosamente e lhe dar o gostinho de saber o quanto me afetava. — Achei que quisesse me tocar. — pro.vocou contra meu ouvido, mordendo a pontinha e depois passando seu nariz na curvatura do meu pescoço. — Eu nem comecei e tu já quer desistir?
Tremi novamente, mas não de medo. Não sei quando foi que deixei de temer pela minha vida quando estava com ele, mas eventualmente aconteceu. Naquele momento, meu tremor tinha outro significado. A promessa de uma noite inesquecível estava implícita em cada nota dita, e eu não fugiria daquilo.
— Não pretendo ir a lugar algum. — quando ele me olhou, percebi que ele não esperava que eu respondesse sua provocação. Céus, nem eu mesmo pretendia responder nada. Mas respondi. E vi que ele gostou do que ouviu, pois um sorrisinho nasceu no canto de seus lábios antes que ele voltasse a me beijar.
Dessa vez Eduardo não me parou quando a ponta dos meus dedos adentrou sua camiseta, encontrando a pele quente sob meus dedos. Ele apertou a minha cintura e eu suspirei em sua boca, dando boas vindas a caricia bruta que eu sabia que deixaria marcas em minha pele, mas pouco me importava.
Um gritinho surpresa escapou por entre meus lábios quando fui suspensa por suas mãos. Eduardo sorria contra minha boca, quando me levantou. Ninguém nunca tinha me carregado daquele jeito, mas ali estava ele, me segurando pelas coxas, seus dedos afundando em minha carne, enquanto ele caminhava comigo em seus braços como se eu não pesasse absolutamente nada. Travei minhas pernas em sua cintura e o apertei com meus braços, ignorando o medo de cair, enquanto escolhia confiar.
Enterrei meu rosto em seu pescoço, aceitando que a ordem tinha morrido na porta daquela casa. Agora, era só o caos. E o caos se chamava Eduardo.