Boa leitura e divirtam-se.
Espero que gostem.
Arizona Robbins P.O.V
Poucas coisas haviam conseguido me deixar em estado de pânico na vida. E Calliope Torres agora era a principal delas. Afinal, havia acontecido de novo e... o quão errado era eu ter adorado cada minuto?
Estar sozinha com ela naquela pequena prisão de aço, com seu cheiro, seus sons, seu toque, me deixaram mais uma vez sob o seu poder. Claro, eu posso ter parecido calma e tranquila por fora, até presunçosa e controladora, mas cada parte de mim estava se desfazendo. Esta mulher tinha um poder sobre mim mais do que qualquer coisa que eu já tinha experimentado.
Finalmente, relativamente segura no meu escritório, eu caí no meu sofá branco. Inclinando para frente, com meus cotovelos sobre os joelhos, eu soltei meus cabelos do coque e inspirei com força, querendo me acalmar e diminuir meus batimentos cardíacos. – p***a! – Exclamei para a sala vazia. As coisas estavam indo de m*l a pior, e eu sabia disso.
Eu sabia desde o minuto em que ela me lembrou da reunião desta manhã, que não havia qualquer chance de eu conseguir conduzir uma reunião decente naquela sala de conferências, quando a única coisa que teria minha atenção seria ela e as lembranças quentes daquela noite.
Eu jamais seria capaz de esquecer do momento que estávamos sentadas naquela mesa. Eu nunca seria capaz de sentar naquela coisa sem me lembrar como era tê-la esparramada diante de mim quando eu a tomava. Só de entrar lá e a encontrar encostada no vidro em silêncio havia sido o suficiente para fazer meu corpo estremecer. Estaria ela lembrando apenas do carnal, ou aquela noite tinha significado algo mais? Céus, eu esperava que a resposta fosse sim para minha última dúvida.
E foi por m*l conseguir encará-la naquele vestido infernal que eu havia inventado uma história i****a sobre a reunião ter sido movida para um andar diferente, e claro ela não gostou. Por que ela sempre tem que me contrariar? Assim sendo a i****a que eu sou, fiz questão de lembrá-la de quem estava no comando.
Mas será que isso funcionou? Claro que não.
Como todas as vezes, ela jogou de volta aquilo na minha cara. E como dizia a primeira lei da física clássica, quanto mais eu a irritava mais ela tinha vontade de acabar comigo. E isso era uma boa coisa? Seria enquanto ela me deixasse ter seu corpo daquela maneira. Eu esperava que em algum momento ela pudesse me dar mais do que aquilo também.
Calliope Torres, ou apenas Callie Torres como ela gostava de ser chamada(Tirando na hora do sexo, porque percebi que ela gostou de ser chamada de Calliope) me fascinava por sua força além das expectativas e a forma como ela conseguia cativar a todos me deixava até mesmo irritada por ver o quão fácil era para ela ter a atenção de qualquer um. Ela não precisava ficar tão próxima assim de George O' Malley para conversar! Ainda mais o George que se vangloriou por ter conseguido levá-la em um encontro. Se ele não fosse tão apaixonado por Izze agora eu teria lhe dado um soco na cara.
Era tão ridículo que eu precisei intervir e começar logo a maldita reunião por não conseguir controlar meu... ciúmes? Oh, não. As coisas em relação a Callie não poderia já está naquele patamar. E se já estavam, como lidar com isso quando ela parece indiferente a qualquer coisa além de sexo comigo?
Por isso, quando chegamos ao elevador tudo acabou explodindo. As implicações de tudo aquilo eram emaranhadas e complexas que eu quis poder fechar os olhos e não pensar nela por um momento.
Não deu certo. Até porque eu acabei pulando um pouco com o som de um baque forte fora do escritório me distraindo dos meus pensamentos, seguido por outro mais forte. E outro.
Que diabos estava acontecendo lá fora? Me levantei do sofá e fui até a porta e abri encontrando Srta. Torres batendo as pastas um pouco mais forte do que o necessário em sua mesa. Eu cruzei os braços e encostei no batente da porta, olhando para ela por um momento. A visão dela tão afobada não estava de nenhuma maneira facilitando o latejar no meu corpo.
– Srta. Torres, eu posso vê-la em meu escritório? – Ela me olhou como quem dissesse: sério mesmo? Eu apenas reiterei: – Agora!
Ela virou a cabeça para olhar para mim e estreitou os olhos levemente.
– Mas é claro, Mrs. Robbins. – Falou audaciosamente em um tom doce como o mel que fez o meu sangue ferver quando ela escorregou por mim em meu escritório.
Eu empurrei a porta fechando-a e caminhei até ela.
– Você se importaria de me dizer qual é seu problema?
– Por que não olha no bolso do seu blazer e me diz, senhora? – Ela zombou e se aproximou empurrou as mãos contra os meus ombros, me tirando o equilíbrio, e me fazendo cair no sofá como uma fruta madura.
Seu próprio movimento pareceu surpreendê-la por um momento, mas rapidamente ela assumiu a própria impulsividade e se inclinou prendendo minhas coxas nas suas pernas. Seus lábios se chocaram contra os meus em um ataque furioso e me senti molhar ainda mais quando ela falou pra mim.
– Mais alguma pergunta, Arizona?
A minha resposta foi apenas um gemido profundo enquanto eu agarrava sua b***a e a puxava com mais firmeza contra mim, esfregando meu sexo coberto pela calça social contra a sua b****a nua.
Ela começou a me acariciar com os movimentos dos quadris e minha cabeça caiu para trás contra o sofá. Esta mulher ia ser a minha morte; qualquer decisão que eu poderia ter tido até agora tinha desaparecido completamente.
– Eu acho que nós temos alguns negócios inacabados que requerem nossa atenção imediata, Mrs. Robbins. – Resmungou Callie com um tom de voz rouco e sensual que eu nunca tinha escutado em qualquer mulher, muito menos nela.
Ela puxou meu lábio inferior com os dentes antes de se levantar de cima de mim, e eu abri meus olhos para vê-la atravessar a sala até a porta. Desgraçada! Como ela pode sair por aquela porta depois disso?
O clique da fechadura me pegou de surpresa, e quando ela voltou com os olhos me encarando, eu estava quase em transe pela fúria e luxúria que saía daquela profundidade de olhos castanhos. Céus, eu adorava a pureza que parecia ter em seu olhar em contraste a mulher sedutora que ela era.
– Agora eu vou te mostrar alguns balanços completos, chefe.
Eu dei quase um rosnado fundo e agarrei sua cintura, empurrando-a para baixo, a colocando deitada abaixo de mim trazendo meu dedo para seu círculo de entrada a provocando.
– Vejo que você está ciente, Srta. Torres. – Respondi roucamente. Enfiei um dedo dentro dela, persuadindo-a a gemer. Eu me inclinei para beijá-la com força e prendi o lábio dela entre os meus dentes quando eu retraía minha mão. – Mas eu não fodo no meu escritório.
– Eu não me importo. – Rosnou de volta com frustração, sua voz grossa com a excitação. – Você vai fazer alguma coisa e terminar o que começou.
Senti as mãos dela virem para o meu cabelo e empurrar meu rosto para baixo entre as suas pernas. Oh, alguém havia adorado meu último serviço ali.
O cheiro de sua excitação era inebriante e, antes que outro pensamento pudesse passar pela minha mente, eu levei o c******s dela entre meus lábios inchados. Eu vi os s***s dela em uma bela ascensão e queda acentuadas com a sua respiração ofegante e corri minha língua em movimentos lentos provocando ao longo de sua carne sensível.
Senti sua panturrilha em movimentos contra meu sexo, fazendo-o pulsar dolorosamente. Quando finalmente tirei minha boca em seu c******s, eu moí meu sexo agora pressionado contra seu tornozelo. – Se bem me lembro, Srta. Torres, eu realmente não comecei isso. Acho que talvez você é quem deva terminar o que começou.
Ela abriu os olhos e zombou de mim, e sem uma palavra, virou as coisas no sofá, de modo que sua cabeça estava agora no meu colo. Ela passou a língua de forma zombeteira ao longo do meu sexo uma vez e seus olhos fumegantes encontraram os meus. – Agora, por que eu iria fazer algo assim?
Eu levantei uma sobrancelha para ela e coloquei a minha mão entre as pernas e rapidamente belisquei seu c******s uma vez, fazendo com que ela uivasse um pouco com a sensibilidade dele. – Eu não faço, nem você.
– Por que você é uma egoísta ... – Resmungou novamente até eu sair e me abaixar para o lado e puxar o c******s uma vez com meus lábios. – Ai, f**a-se.
Por uma fração de segundo, mais uma vez pensei que ela ia se levantar e sair, e parte de mim desejava que ela fizesse isso. Mas um minuto depois, quando os lábios se fecharam cheios, sua língua bem treinada lambendo meu sexo de forma bruta qualquer vestígio desse pensamento desapareceu.
Porra, por que isso tem de ser tão bom? Sua mão veio ao meu sexo junto com seus lábios e moveu-se no mesmo movimento metendo seus dedos perfeitos em mim.
– Ahhhhhh, merda.
Ambos os quadris começaram a moer uns contra os outros, ansiosos para o clímax. Suas pernas se abriram ligeiramente e eu deslizei minha mão em torno de sua coxa para empurrar o meu dedo dentro dela novamente. Seu gemido vibrou em meu sexo e eu quase gozei na mesma hora. E, como suas pernas estavam tremendo, era óbvio que ela estava perto também. Eu adicionei outro dedo e comecei rapidamente a f***r ela com a minha mão quando a minha língua e lábios sugavam e pressionavam o suficiente para levá-la a acelerar seus movimentos dentro de mim.
Aquilo quase me levou a borda novamente, e tudo que pude fazer foi gemer. Suas pernas lentamente se espalharam mais, pressionando-a mais firme contra o meu rosto, até que finalmente ouvi um grito abafado quando ela chegou no limite. Seus quadris se contorcia contra mim, enquanto eu aumentava meus movimentos, dirigindo seus nervos loucamente, e eu sabia que faltavam segundos pra eu gozar.
– Callie. – Eu ouvi a voz de meu pai na minha porta, e assim quando eu estava prestes a gozar, ela disparou para fora do meu sofá.
Alguém bateu na minha porta enquanto ela arrumava seu vestido e ia atrás da minha calça. – Arizona?
Hora perfeita, pai! Eu resmungava internamente quando eu me levantei e fui até a minha mesa e me sentei. Minha b****a estava muito dolorida agora, no entanto eu estava molhada desde que a vi na janela esta manhã. Isto estava mesmo ficando ridículo.
Ela me deu um sorriso triunfante e brilhante quando ela abriu a porta.
– Oi, Mr. Robbins... quero dizer, Daniel. – Ela se corrigiu com um sorriso meigo que sinceramente me fazia querer sorrir também. Mas, óbvio, eu rapidamente joguei a sensação no lixo, junto com meus outros sentimentos melosos. – Eu já estava de saída. – comentou por fim.
Vi o rosto de meu pai cair com preocupação quando ele olhou para ela.
– Callie, querida. Você está se sentindo bem? Você parece um pouco pálida.
Vi quando ela levou a mão até a cabeça e limpou sua garganta.
– Você sabe, eu realmente não estou me sentindo bem, na verdade. Foi uma manhã muito longa. – Ela olhou para mim com um olhar malicioso que seria ignorado pelo observador casual. – Devo precisar de um tempo em casa para me recuperar.
Sua v***a maldita, eu queria gritar para ela, mas tive que segurar porque meu pai estava na sala. Cerrei os punhos debaixo da minha mesa, eu não tinha certeza de quem a odiava mais, eu ou minha vontade louca pelo corpo daquela garota.
– Você estava me ajudando com as patentes, Srta. Ainda temos muito trabalho antes da conferência em Gotham.
– Nada que não podemos adiar por um dia, certo, Mrs. Robbins? Saúde não tem preço.
– Bem, eu estava esperando que sua parte acabasse hoje. – Rangi em advertência com os dentes cerrados. Tínhamos realmente prazos apertados a cumprir, além do que, eu não podia mais negar, que ficar sem ela por perto, tornaria o trabalho menos suportável. Seus olhos castanhos e corpo escultural eram melhores que a visão da minha varanda de National City.
Meu pai voltou a olhar para mim com toda a censura que podia.
– Tenho certeza que você pode segurar o que precisa ser feito, Arizona. – Meu pai tinha de ajudar sua protegida. – Vá em frente, querida, tire o quanto precisar de folga.
– Obrigada, Daniel. – Ela respondeu com um sorriso doce e depois se virou para mim com um breve aceno de cabeça. – Adeus, Mrs. Robbins.
Eu prestei atenção em sua caminhada para fora e meu pai fechou a porta atrás dela e então se virou para olhar para mim de total desaprovação.
– O que? – Eu perguntei frustrada enquanto ouvia seus saltos se distanciar até o elevador. Ela conseguiria pegá-lo depois de hoje?
– Não iria matá-la ser um pouco mais agradável com Callie, Arizona. – Ele avançou e se sentou no canto da minha mesa. – Você tem muita sorte de tê-la ainda. Irrite a garota um pouco mais e ela nos troca em um piscar de olhos.
Revirei os olhos e balancei a cabeça.
– Se a sua personalidade fosse tão atraente quanto seu cérebro, não teríamos problemas, papai.
Ele me interrompeu e recostou-se na minha cadeira derrotado.
– Você foi educada para ser bem melhor que isso Ari. Nunca vai ter o máximo de seus funcionários se eles te desprezarem. Fora, que você sequer é desta forma. Sempre brincamos que dos Robbins você é a mais calma, não precisa fingir ser algo que não é só para conseguir ser temida. Nenhum respeito se sustenta assim.
Ele tinha a firmeza de sempre na voz quando me dava um sermão. Eu suspirei, usando meu direito de replicar, dizendo que normalmente eu não tratava nenhum funcionário m*l. Bom, eu tive de excluir minha assistente deliberadamente dos meus pensamentos para conseguir soar sincera.
– De qualquer forma, sua mãe ligou e disse para lembrar a você sobre o jantar esta noite lá em casa. Tim chega hoje de viajem com Lana e o bebê, então apareça dessa vez.
Senti o canto da minha boca estremecer à menção de minha sobrinha, mas eu simplesmente acenei com a cabeça ao meu pai. – Sim, eu estarei lá.
Ele foi até a porta e olhou para mim antes de fechar a porta. – E não se atrase, você sabe que sua mãe odeia isso mais do que você.
– Ei, eu não vou, prometo! – Respondi, um pouco irritada quando ele fechou a porta rindo. Ele sabia como ninguém que eu nunca me atrasava, mesmo com algo tão simples como um jantar de família. Tim por outro lado, se atrasou até para nascer.
Mas agora com todo este trabalho na minha frente, deixado pela Srta. Torres, eu não tinha ideia de como eu ia sair daqui no horário, para não mencionar a tarefa adicional que ela deixou para trás que iria consumir o meu horário de almoço ou até mais.
Eu precisava tirar ela da minha mente de qualquer maneira. Coloquei a mão no meu bolso do casaco e tirei o que restava da sua roupa íntima; pronta para descartá-la em minha gaveta com as outras, quando notei a marca. Com certeza ela não se parecia com uma calcinha barata, não era exatamente uma Fredericks de Hollywood, que eu usava, mas também eram caras.
Ela liberou um bom dinheiro nessa belezura. E isso despertou a minha curiosidade. Abri a gaveta para examinar as outras duas. Tinha a etiqueta da La Perla naquelas. p***a, essa mulher levava a sério suas roupas íntimas. Talvez eu devesse dar uma volta no centro, na loja da La Perla qualquer hora e pelo menos ver o quanto minha pequena coleção estava custando a ela. Passei a mão livre pelos cabelos e joguei-as todas de volta na gaveta fechando. Essa era a última coisa que eu precisava pensar.
Mesmo tentando muito, eu não consegui me focar em nenhuma maldita coisa o dia todo. Até mesmo depois de meu ritual do almoço, eu ainda não consegui desligar minha mente dos últimos acontecimentos desta manhã.
E às três horas, eu ainda estava um desastre e sabia que eu tinha que sair de lá. Cheguei ao elevador e gemi um pouco, optando por ele, em vez das escadas. Cheguei rápido ao meu carro, dispensando o motorista aquela tarde. Eu precisava de um pouco de ar fresco e algum Uísque para pôr minha cabeça no lugar.
Acabei me arrastando até a casa da minha mãe mais tarde naquela noite, eu senti imediatamente que um pouco da minha tensão estava se apagando. Andei até a cozinha, e fui abordada pelo cheiro da comida da minha mãe, e conversas alegres e gargalhadas dos meus pais que vinham da sala de jantar.
– Vejam quem chegou! – Minha mãe cantava quando eu entrei na sala. Me abaixei e beijei a bochecha dela e permiti que ela arrumasse meu cabelo.
Eu só sorri e peguei uma tigela grande para colocar sobre a mesa, roubando uma cenoura antes de colocá-la na mesa e ri quando ela me pegou.
– E onde está minha garotinha? – Perguntei olhando em direção a sala.
– Ela não estão aqui ainda. – Respondeu meu pai ao se juntar a mim. – Você sabe como seu irmão não herdou minha pontualidade.
Claro que eu sabia. Tim era péssimo, mas eu não podia mais brincar com isso. Sabia que a coisa do tratamento o estava deixando m*l demais para ele conseguir fazer as coisas no nosso tempo e que isso o deixava ainda pior. Não deveria ser fácil descobrir uma doença daquela logo após virar pai da menina mais doce da face da terra, mas a vida não era justa.
Roubei outra cenoura da salada.
– Oh, Ari, você é uma tia tão babona que m*l posso esperar para quando você tiver seus próprios filhos.
Meu brilho acabou quando minha mãe comentou aquele absurdo, como se não fosse nada demais, continuando a arrumação da mesa. Ela ainda pensava que em um futuro próximo, minha vida de "libertinagem" ia acabar quando eu encontrasse o homem certo. m*l sabia ela que eu já havia ido para a cama com a grande maioria das filhas das suas amigas.
Vinte minutos depois, os sons do caos veio do hall de entrada na forma de uma garotinha fantasiada de guerreira. Eu corri para recebê-la. Meus joelhos foram imediatamente atacados por um corpo pequeno e instável, com um sorriso cheio de dentes. "Tia Ari! " A pequena risonha gritou.
– Ursinha! – Eu gritei de volta para ela, pegando a menina para cima e sufocando seu rosto de beijos.
– Deus, você é nojenta. – Disse Tim apontando sua muleta para mim. Desde que havia começado a nova parte da quimioterapia seus cabelos tinham caído, o que o fez raspar tudo completamente e ele não conseguia mais andar tão bem sem apoio, por isso o novo acessório. Às vezes brincávamos que ele parecia um super-vilão, o que lhe arrancava boas gargalhadas.
– Oh, olha quem fala, o pai babão.
– Ai, melhor cala a boca, Ari ou vocês dois vão começar a brigar para ver que é o mais esquisito com a minha filha. – Acrescentou Lana Leigh casualmente com os ombros encolhidos, seguindo o marido para a sala de jantar.
Lana e Tim haviam se casado oficialmente dois anos antes dele descobrir o câncer, mas os dois já namoravam desde o ensino médio. A pequena Bella nasceu um ano depois e tinha seu nome em homenagem a nossa avó paterna.
E além do nosso sobrenome, a pequena Bella era loira e tinha os olhos azuis como o nosso. De resto, era inteiramente uma cópia de Lana Lang.
Todos se sentaram à mesa grande e o jantar começou. Como de costume, Bella preferiu se sentar no meu colo, e não em sua cadeira enquanto eu tentava comer à sua volta, fazendo o possível para evitar a sua "ajuda".
– Ari, me desculpa lhe perguntar. Você pretende convidar Callie para jantar na próxima semana? Seria maravilhoso se você conseguisse a convencê-la a vir. – Revirei os olhos antes de olhar para minha mãe e recebi um olhar torto do meu pai.
– Por que está todo mundo insistindo tanto em trazer ela aqui? – Eu sabia que minha voz era possivelmente um pouco negativa e forte para a mesa de jantar, mas eu estava tão cansada de ter essa conversa com minha família.
– Ari você sabe que ela vive sozinha aqui na cidade e ficar longe da família em uma cidade como a nossa pode ser tão estranho e solitário. E por conhecer o trabalho incrível da mãe dela, não posso evitar gostar e me preocupar com aquela menina adorável.
– Mãe. – Eu interrompi. – Ela mora aqui desde a faculdade com a amiga, não é mais uma cidade estranha, nem solitária.
– Como eu estava dizendo. – Ela respondeu com um toque de alerta em sua voz. – Ela é maravilhosa, e uma menina tão bonita, que eu quero que você a traga porque tenho alguém que eu quero apresentá-la.
Congelei meu garfo no ar enquanto as palavras afundavam em mim. Ela queria juntar Callie com alguém. Bom, isso era estranho. Eu senti alguma coisa, um aperto no peito, mas eu não tinha certeza do que era. Se eu tivesse que colocar um nome nisso, eu ia chamar de ... raiva?
Por que eu iria ficar com raiva que a minha mãe queria arranjar alguém para a Srta. Torres? Bom, provavelmente porque eu estou transando com ela agora. E bem, não só transando, já que, claramente, existe algo além do carnal acontecendo entre nós duas, ou eu me iludia bem o suficiente para achar que sim.
Limpei a garganta, tentando me livrar do súbito veneno em minha voz, respondendo. – Claro, mãe. Eu vou falar com ela. Mas não tenha esperanças. Ela é livre para escolher se quer vir, eu não prometo nada. – Enfiei uma cenoura na boca para evitar responder de forma mais rude.
– Sabe, Ari. – Meu pai assumiu a palavra novamente. – Acho que todos aqui concordariam que você poderia ser um pouco mais gentil com a garota.
E o resto da noite consistiu em falar mais sobre como eu precisava tentar ser agradável com a Srta. Torres, e sobre como todos achavam que ela era maravilhosa. Foi ainda pior, quando tudo se resumia a como o quanto ela ia gostar do filho da melhor amiga da minha mãe, um tal de Mike Mathews.
Ok. Como se ela ao menos gostasse de caras. Ou ela gostava?
Quando minha família resolveu não me infernizar mais, acabamos desviando o assunto para Tim, que era bem mais importante que a vida amorosa de Miss. Torres. Eu, sinceramente, esperava que o novo projeto da Robbins Corp com nanotecnologia pudesse ajudá-lo de alguma forma e por isso eu tinha tanta pressa em resolver tudo relacionado aos novos protótipos.
E por aquela razão, provavelmente, eu passaria a noite fazendo o trabalho da Srta. Torres para finalizar de uma vez a papelada de meu novo projeto e quem sabe salvar meu irmão.