Pensamentos Contraditórios

1449 Words
Calliope Torres P.O.V Dizer que meu fim de semana foi uma merda, seria delicadeza demais. Eu quase não comi ou dormi, o que me deixava com um humor insuportável. E a causa de tudo era completamente minha, já que o pouco de sono que eu tive foi intercalado com lembranças nada puras de minha chefe me prensando contra a parede. Mesmo não estando no escritório quase parecia que eu podia ouvir o som fraco de seus sapatos entrando no meu apartamento. O quão pior isso poderia ficar? Se eu fosse recapitular, meu sábado de manhã foi completamente frustrante. Até consegui terminar todos os meus afazeres domésticos e compras de supermercado, junto com todas as outras várias tarefas mundanas que a vida nos enche todos os dias, na tentativa de manter minha mente ocupada. Domingo de manhã, porém, não tive tanta sorte. Acordei no começo da noite, ofegante e trêmula, meu corpo suado e trançado em uma massa de lençóis de algodão branco. O sonho que eu tive era tão intenso, que eu praticamente a sentir em cima de mim. Era tão vergonhoso admitir, mas nós estávamos em cima da mesa de reuniões novamente, mas desta vez, estávamos completamente nuas. Ela estava abaixo de mim, minhas pernas enroscadas nela, meu corpo cobrindo o seu enquanto nossos corpos se encontravam de forma brusca, quase animal. Suas mãos correndo por toda parte, ao longo dos lados do meu rosto, no meu pescoço, pelos meus s***s e meu quadril, tocando minha pele como se eu fosse a coisa mais deliciosa do mundo. E ela me beijava daquela forma de novo e eu... – Merda. – Gemi quando me chutei para fora da cama. Isto estava indo de m*l a pior muito mais rápido do que poderia prever. Eu sei que sempre tive fantasias sobre ela. Afinal, como eu poderia me conter quando ela tinha a beleza inebriante de uma atriz de cinema, ou modelo internacional, conseguindo prender a atenção de qualquer um ao primeiro olhar, mas sua personalidade sempre foi uma grande decepção. Sim, decepção, já que nem sempre eu achei que ela fosse uma total i****a. Na verdade, eu a achava uma pessoa diferente antes de ter de trabalhar com ela. Eu lembrava de algumas visitas esporádicas que ela dava a Robbins Corp e de como ela sorria de uma forma contida ao me cumprimentar. Quem pensaria que ela seria uma i****a raivosa que me pegaria de jeito, me deixaria irritada todo dia, só para depois me f***r contra uma janela? Obviamente minha percepção para primeiros julgamentos era uma droga. Acabei indo para o chuveiro, mas enquanto estava lá, esperando que a água esquentasse, meus pensamentos começaram a vagar novamente. Seu lindo cabelo entre as minhas mãos enquanto seu rosto estava entre as minhas pernas. Seus olhos azuis como o céu olhando para mim enquanto me devorava e o olhar de desejo praticamente me sufocava enquanto nós transavamos. Quase podia ouvir sua voz tremula no meu ouvido. Sua respiração vacilante. Ok, eu estava tão ferrada. Após o banho gelado pensei no que vestir, já que agora eu não tinha mais tanto tempo. Logo daria o horário que havia combinado de jantar com Lexie e Mark, os dois únicos capazes de salvar meu dia. Tudo seria menos depressivo se minha amiga apaixonada estivesse comigo nesse fim de semana, me aconselhando a não fazer merda, contudo, tenho certeza que ela não se arrependia de ter viajado com a detetive Ruiva. Pelo menos eu ainda tinha Mark. Claro, a presença de Lexie era maravilhosa, mas Mark era como meu melhor amigo desde o colegial e nós praticamente ficamos semanas sem contato pessoalmente por causa de trabalho. Hoje eu mataria as saudades. Pensei em vestir por um segundo o vestido lindo que minha amiga havia me dado, mas logo lembrei do seu zíper arruinado. Ok, não era como se o meu salário na Robbins Corp não fosse bom o suficiente para comprar outro, contudo, eu precisava ver a cara de Mrs. Robbins quando eu lhe desse o maldito recibo, mesmo que eu tivesse perdido todo meu discurso no caminho. Resolvi esquecer o vestido e tentar limpar tudo que era relacionado a Arizona Robbins de minha cabeça. Já havia decidido que seria uma péssima ideia falar com meus amigos sobre o que estava acontecendo entre nós. Quer dizer, Lexie já havia sido assistente de Tim Robbins, antes dele se mudar, e os conhecia tão bem quanto eu. E sempre via Mrs. Robbins pelos corredores. Além disso, ela era uma péssima mentirosa e uma droga de segredo daqueles precisava ser bem guardado ou as consequências poderiam arruinar tanto a mim, quanto os Robbins. Mark, por outro lado, chutaria minha b***a. Durante quase um ano ele me ouviu reclamando que Arizona era uma i****a comigo, e com toda certeza, não ficaria feliz em saber que eu estava transando com minha carrasca. Duas horas depois, eu estava sentada com meus amigos bebendo margaritas no pátio do nosso restaurante favorito. Eu adorava a comida italiana deles e era a cerveja favorita de Mark. – Então, como é que vai o trabalho, Callie? – perguntou Mark entre as mordidas de sua tortilha de limão. Ele amava limão como eu amava donuts. – Arizona, a Exterminadora do Futuro tem te proporcionado muitos momentos difíceis? Exterminadora era como Mark carinhosamente apelidou Mrs. Robbins por achar que a mulher era alguma espécie de robô do mau comigo. Ele não poderia evitar suas referências nerds. Olhei para os dois como se não houvesse nada de mais para falar. – É a exterminadora mais gata que você possa imaginar. Toda vez que passo no RH do décimo andar alguém está falando como ela é incrível. – comentou Lexie se inclinando em sua cadeira e rindo. Eu rolei meus olhos, mas não consegui manter os cantos de minha boca elevados. – Mas isso não é tudo. – disse ela, enxugando as lágrimas de seus olhos: – Ela continua sendo a maior i****a do mundo com, Callie. Deus, parece que as vezes ela ama todo mundo na empresa e só detesta você. – Deve ser porque eu não dou a mínima para nada sobre ela. – Uh, alguém pode ter um ponto aí. – comentou Mark. – Já pensou como seria o maior plot twist da história se a exterminadora na verdade fosse apaixonada pela assistente e só está querendo irritá-la? Daria um ótimo filme na Fox. Óbvio que os dois idiotas riram ainda mais da minha cara de chocada e eu quase os chutei cadeira abaixo. Mas também pudera, a teoria de Mark era absurda. Arizona Robbins apaixonada por mim? Não, nesse universo. (...) Segunda de manhã, eu era um saco de nervos quando eu fiz meu caminho para a empresa. Já havia feito minha decisão, e eu não sacrificaria meu trabalho por causa de nossa falta de juízo. Eu tinha trabalhado duro para subir até onde eu estava, e eu podia ser mais forte do que isso. Gostaria apenas de lidar com a situação eu mesma, e avançar. Sentindo a necessidade de um impulso de confiança, eu usava o novo vestido que Meredith havia me dado. Ela estava animada com aquilo de comprar vestidos e eu atribuía isso ao seu novo relacionamento com a detetive dos olhos verdes e seu último dia dos namorados romântico. Parecia que a tal Addison havia laçado minha amiga de um jeito positivo. E como minha amiga tinha muito bom gosto, aquele modelo abraçava da forma certa meu corpo, acentuando minhas curvas. Por um instante lembrei de Mrs. Robbins, que não podia evitar de observar, também tinha o tipo de curvas que deixava qualquer um louco. Claro, não que eu olhasse tanto assim para ela. A cada passo, o tecido suave do meu vestido acariciava minha pele nua, me dando uma sensação de sensualidade e confiança. Eu poderia pegar o que quer que a babaca tivesse a dizer hoje, e eu jogaria de volta para ela. Cheguei cedo para ter tempo de me preparar para a apresentação. A área da recepção estava quase vazia quando eu fiz meu caminho através do lobby central. O amplo espaço era aberto em três andares para cima e brilhava com o piso de granito polido e paredes de mármore travertino. Quando a porta do elevador se fechou atrás de mim, eu comecei a passar mentalmente as informações. Narrando todos os argumentos que tinha e os comentários idiotas que ela tinha dirigido a mim, eu cheguei a uma conclusão. Eu poderia fazer isso. Aquela babaca tinha escolhido a garota errada para mexer, e eu seria amaldiçoada se eu deixasse ela me intimidar. Provaria que Arizona Robbins não era tão poderosa assim, nem que fosse só com palavras.
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