Calliope Torres P.O.V
Como o d***o fugindo da cruz, eu corri para baixo nas escadas tentando não matar ninguém no caminho, além de mim mesma. Correr escada abaixo de saltos era como pular obstáculos nas olimpíadas, ainda assim eu continuei fugindo sem olhar para trás.
Eu corri para fora de lá como se eu estivesse em chamas, deixando a Mrs.Robbins sozinha na escadaria, roupas no chão, e cabelos bagunçados como se tivesse sido molestada.
Chegar no primeiro andar foi um desafio, meus pés já ardiam com a fricção quando eu abri a porta de metal da saída e encostei na parede, ofegante. Que diabos aconteceu? Acabei de t*****r com a minha chefe na escada? Será que ela vai me demitir? Eu ofegava e minhas mãos voaram sobre minha boca. Eu ordenei que ela descesse e me chupasse? Oh, Jesus. Que diabos havia de errado comigo?
Deslumbrada, tropecei longe da parede ao banheiro mais próximo. A entrada da cafeteria ficava no piso inferior, graças a Deus, por isso o andar estava calmo.
Assim que entrei, dei uma verificada rápida em todos os box's para me certificar de que eles estavam vazios e, em seguida, tranquei a fechadura da porta principal. Quando me aproximei do espelho do banheiro, eu estremeci. Merda. Eu parecia que tinha sido atropelada.
Meu cabelo era um pesadelo do c*****o. Todo o trabalho de secar o cabelo aquela manhã arruinado já que agora meus fios negros pareciam um bolo de emaranhados selvagens. Aparentemente, Mrs. Robbins gostava do meu cabelo solto. Eu quase nunca usava o meu cabelo assim, mas eu sempre usava com essa blusa.
Bastou pensar em como suas mãos seguravam meu cabelo quando ela me beijou, que um tremor foi enviado rapidamente para minhas pernas. Huh, eu encolhi os ombros; eu estava virando uma pervertida de marca maior. Mas o pensamento de vir com o cabelo solto mais vezes me fez sorrir. O quê? De onde diabos veio isso? Eu certamente não o faria. Ugg! Eu precisava evitar Mrs. Robbins, não estimular seus desejos estranhos por mim.
Meus lábios estavam inchados, minha maquiagem borrada e minha blusa branca favorita cheia de marca do seu batom na minha gola. E claro, novamente eu estava na empresa sem calcinha. Filha da p**a. Essa foi a segunda. Onde diabos elas foram parar mesmo?
- Merda. - Eu disse, em pânico. Ela não estava colocando em uma pilha em algum lugar na sala de reuniões, estava? Talvez ela pegou e jogou fora. Eu deveria perguntar a ela, eu pensei, enquanto andava no chão do banheiro. Tá certo. Isso não iria acontecer. Já era esquisito demais eu ter transado duas vezes com a presidente da Robbins Corp em menos de 24 horas, ir questioná-la sobre minhas calcinhas rasgadas seria um um pouco demais até pra mim.
Eu balancei a cabeça, esfregando o rosto com as mãos. Deus, eu fiz uma grande merda.
Quando cheguei nesta manhã, eu tinha um plano. Eu entraria na sua sala e jogaria o recibo em seu rostinho bonito depois de dizer para ela ir se lascar.
Contudo, eu não contava que ela estivesse mais deslumbrante que o normal, com sua saia lápis e blazer marrom, que me tiraram totalmente da rota do meu plano. Aquela droga de batom vermelho sexy me fazia querer morder sua boca, por isso eu só deixei o maldito envelope em cima da mesa e sai sem dizer nada. Patético. O que foi que ela fez com o meu cérebro para ele virar mingau e minha calcinha ficar molhada?
Isso não era bom.
Merda como eu iria enfrentá-la sem imaginá-la nua? Ok, não era bem nua. Tecnicamente eu não tinha visto ela completamente nua ainda, mas o que eu tinha visto causou um outro tremor correndo por mim.
Oh Deus. Acabei mesmo de dizer "ainda? "
Então o que eu ia fazer? Eu poderia pedir demissão. Eu pensei sobre isso por um minuto e não gostei do jeito que me senti. Eu amava o meu trabalho, e Mrs. Robbins podia ser uma arrogante comigo, mas eu tinha lidado com isso por 9 meses de uma forma até boa demais.
Eu amava toda a missão e objetivos dessa empresa e odiava admitir, mas adorava vê-la trabalhar também. Além das razões óbvias, ela realmente era uma mente genial em cada projeto que executava. Não apenas uma administradora brilhante, mas cientista. Aquilo deveria ser genético, já que toda sua família era assim.
Daniel Robbins havia sido como um pai para mim me dando esse emprego, o que me fez conseguir manter as contas da faculdade em ordem. Educação era tão cara em National City, quanto qualquer outra cidade grande americana. Por isso chegou um momento em que eu achei que iria desistir, mas ele não permitiu.
Seu irmão Tim era outro executivo sênior e era o cara mais legal que eu já conheci. Ele parecia meio doente nos últimos meses que o vimos, mas sem perder seu grande sorriso no rosto. Soube que ele estava em Metrópoles agora.
Também havia Lexie , todos os meus outros colegas de trabalho, mesmo os esporádicos, e claro o salário lá era muito bom.
Droga, eu amava a todos aqui, por isso simplesmente sair não era uma opção.
Com essa decisão, eu sabia que precisava de um novo plano de ação. E eu poderia começar tentando me manter profissional e me certificando que nunca, nunca acontecesse de novo.
Claro, este foi de longe o sexo mais quente e mais intenso que eu já tive na minha vida. Apenas um toque dela foi capaz de acender todos os meus sentidos e deixar meu corpo gritando por mais. Droga, mas eu não poderia tê-la. Éramos de mundos muito diferentes e eu precisava aceitar isso.
E eu iria.
Minha mente e meu corpo não eram governados por luxúria. Eu só tinha de me lembrar que ela era uma i****a. Ela era uma mulherenga, arrogante, metida e uma criança mimada. O mundo tinha se rendido a ela, e ainda assim, a única pessoa que ela se preocupava era com ela mesma.
Eu bufei orgulhosa de mim mesma, sorrindo para o espelho. Inferno, isso precisava ser fácil. E seria, se eu não soubesse que tudo aquilo não era completamente verdade. Ela podia ser uma arrogante comigo, mas sempre tratou todos os outros funcionários com atenção e polidez. Sempre sabendo o nome de todos que falava diariamente, o que era grande coisa levando em consideração que ela era a CEO. E ela também era uma altruísta de mão cheia e por sua causa os fundos de caridade de National City agoram arrecadavam o dobro.
Ainda assim, empurrei aquela parte da informação para um fundo da minha mente e me foquei nela sendo uma i****a comigo sem necessidade. E sentindo um novo senso de determinação, arrumei minha blusa, tentando limpar o batom da gola, alisei meu cabelo o melhor que pude, e marchei orgulhosa pra fora do banheiro. Eu fiz o trabalho rápido de comprar o café que eu vim atrás e voltei ao meu escritório me certificando de evitar as escadas.
Dei um longo suspiro, abri a porta do escritório e entrei. A porta para o escritório de Mrs. Robbins estava fechada, e não havia nenhum barulho vindo de dentro. Talvez ela tenha saído. Provavelmente não, eu não poderia ter tanta sorte assim.
Assim, já sentada em minha cadeira, puxei e abri minha gaveta e tirei minha bolsa de cosméticos. Precisava retocar a maquiagem antes de começar a trabalhar, ou nunca conseguiria explicar meus lábios borrados para Lexie, caso ela viesse neste andar.
A última coisa que eu queria fazer era ver o rosto de Mrs. Robbins de novo, mas eventualmente teria de acontecer.
Abri minha agenda, eu fiquei aliviada ao ver que eu tinha de alguma forma conseguido fazer um backup da agenda do meu celular graças ao Icloud e agora só precisava substituir meu Iphone.
Olhando através da agenda de reuniões, percebi que tinha uma apresentação para dar aos outros funcionários na segunda-feira.
Fiz careta quando eu percebi que isso significava que eu não tinha escolha, tinha que falar com ela hoje. Ela também teria uma convenção em Gotham no próximo mês, o que significava não só que eu teria que estar no mesmo hotel que ela, mas no avião, no carro da empresa, e em quaisquer reuniões que surgissem também. Uma perfeita receita para o fracasso.
Durante a hora seguinte, ou algo assim enquanto eu trabalhava, acabei me vendo olhar para sua porta. E cada vez que eu fiz isso as borboletas no meu estômago começavam a se agitar. Isso era ridículo! Que diabos havia de errado comigo? Rapidamente virei minha cabeça de volta ao computador quando ouvi a porta abrindo.
Arizona Robbins saiu, mas não olhou para mim. Suas roupas tinham sido arrumadas também, seu casaco pendurado em seu braço e sua bolsa na mão, contudo seu cabelo ainda parecia bagunçado para trás da maneira selvagem que eu havia deixado.
- Eu já vou para casa, Torres. Por favor, cancele meus compromissos de hoje e reagende o que for necessário.
Ela estava quase fora da porta quando meus sentidos retornaram, eu precisava falar com ela:
- Mrs. Robbins. - eu disse friamente, fazendo ela parar, sua mão estava sobre a porta. - Você têm uma reunião com o conselho na segunda-feira às 10:00 horas.
Ela ficou parada como uma estátua, seus músculos tensos, enquanto não olhava em meus olhos.
- As planilhas, pastas e materiais de slides estarão prontos na sala de conferências às 9:30h da manhã.
Eu estava gostando disso. Não havia nada na postura dela que gritava "confortável". Ela balançou a cabeça bruscamente e começou a fazer o seu caminho para fora da porta novamente quando eu a parei de novo.
- E Mrs. Robbins? - Eu acrescentei, com um toque de sarcasmo em minha voz. -Eu preciso de sua assinatura nestes relatórios de despesas antes de sair. Vou remeter os contratos de patente para o seu e-mail.
Seus ombros caíram um pouco e ela respirou fundo, girando o calcanhar para fazer o seu caminho para a minha mesa com seus saltos ecoando alto quando ela caminhava. Nunca olhando em meus olhos, ela se inclinou e folheou os formulários. Do lado oposto dela, eu coloquei uma caneta sobre a mesa diante dela.
- Por favor, assine todas as vias.
Sua mão parou enquanto ela assinava e ela lentamente levantou o queixo, elevando seus olhos azuis junto com o meu. Nossos olhos se cruzaram pelo que parecia ser minutos, nenhuma de nós afastou o olhar, os únicos sons era a marcação do grande relógio art deco na parede e nossas respirações irregulares.
Seu nariz e seus dentes cerrados como se seus olhos penetrassem os meus. Meu coração acelerou, e por um breve momento eu tive uma vontade irresistível de levantar e chupar seu lábio inferior.
- Não reencaminhe as minhas chamadas. - disse sem esboçar reação rapidamente assinando o último formulário e se voltando para sair sem uma palavra.
- i****a. - zombei dela enquanto eu a assisti desaparecer pela porta.