A porta do quarto de Miguel se fechou atrás deles, e o som seco do clique pareceu selar alguma coisa que já vinha sendo construída há tempo demais pra ser ignorada. Mariana ainda sentia o corpo quente, a respiração irregular, a cabeça cheia de tudo que tinha acontecido naquela noite, mas quando olhou pra ele, percebeu que não era só ela. O jeito que Miguel a encarava não tinha mais distância, não tinha mais controle frio — tinha fome, tinha tensão acumulada, tinha uma intensidade que não cabia mais dentro dele.
Ele deu um passo na direção dela, devagar, como se desse espaço pra ela recuar, mas Mariana não recuou. Pelo contrário. Sustentou o olhar, o peito subindo e descendo mais rápido, como se já soubesse exatamente o que ia acontecer e, ainda assim, não quisesse impedir. O silêncio entre eles era pesado, denso, cheio de tudo que não precisava ser dito, e quando Miguel finalmente falou que ela ainda podia sair, a voz dele saiu mais baixa, mais rouca, carregada de algo que não parecia só desejo — parecia decisão.
Mariana soltou um pequeno riso, nervoso, passando a mão pelo cabelo solto e bagunçado, e respondeu que, se quisesse sair, não teria subido. Aquilo foi tudo que ele precisava. Em dois passos, a distância desapareceu. A mão dele segurou o rosto dela com firmeza, quente, como se quisesse ter certeza de que ela estava ali mesmo, e o beijo veio forte, sem hesitação, profundo, urgente, como se estivesse atrasado.
Não foi um beijo cuidadoso. Foi intenso. Carregado. Daqueles que fazem o corpo inteiro reagir.
Mariana respondeu na mesma hora, puxando a camisa dele, aproximando ainda mais, sentindo o calor do corpo dele contra o seu, sentindo a respiração misturar, o ritmo acelerar. O mundo fora daquele quarto deixou de existir. Não tinha mais Olívia, não tinha mais casa, não tinha mais consequência — só aquele momento, aquele contato, aquela necessidade que já não dava mais pra esconder.
Miguel deslizou as mãos pelas costas dela, segurando com firmeza, trazendo ela ainda mais pra perto, como se não quisesse deixar nenhum espaço entre os dois. O beijo foi ficando mais intenso, mais profundo, mais lento em alguns momentos e mais urgente em outros, como se nenhum dos dois quisesse parar, como se cada segundo fosse necessário.
Ele a conduziu até a cama sem quebrar o contato, os corpos se movendo juntos, sem pressa, mas sem controle. Quando ela sentiu a parte de trás das pernas tocar o colchão, o corpo respondeu sozinho, e ela se deixou cair, puxando ele junto, sem soltar, sem interromper aquele ritmo que já tinha tomado conta dos dois.
As mãos dela subiram pelo peito dele, sentindo a tensão dos músculos, a respiração pesada, enquanto as dele percorriam o corpo dela com uma intensidade que fazia a pele arrepiar a cada toque. Não era só físico. Era reação. Era tudo que vinha sendo acumulado desde o primeiro olhar, desde o primeiro confronto, desde a primeira vez que ele a viu de um jeito diferente.
Quando o beijo quebrou por falta de ar, os dois ficaram próximos demais, respirando pesado, os rostos ainda colados, os olhos se encontrando por um segundo que pareceu longo demais.
— A gente devia parar… — Mariana murmurou, mas a própria voz não tinha força nenhuma.
Miguel encostou a testa na dela, soltando um ar baixo, e respondeu sem se afastar:
— Devia.
Mas não se afastou.
Nenhum dos dois se afastou.
E quando ele voltou a beijá-la, dessa vez mais lento, mais profundo, como se estivesse saboreando cada segundo, Mariana soube que já não tinha mais volta. As mãos dela se prenderam nele com mais força, o corpo reagindo sem pedir permissão, enquanto o calor entre os dois só aumentava, tomando espaço, tirando qualquer chance de controle.
O tempo passou sem que eles percebessem. Sem medida. Sem limite.
Quando finalmente o ritmo diminuiu e o silêncio voltou, ele não era vazio — era cheio, pesado, diferente de tudo que tinha existido entre eles até ali.
Miguel ainda estava perto, a mão no rosto dela, o olhar preso no dela, como se estivesse tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Mariana ainda sentia o corpo inteiro sensível, a respiração aos poucos voltando ao normal, mas o coração… ainda acelerado.
Porque não era só desejo.
Nunca foi só isso.
E os dois sabiam.
Que depois daquela noite…
Nada mais ia ser simples.