A volta
Presente
Nina
Hoje estou voltando para o meu país depois de três anos morando no Canadá.
De volta ao Brasil.
Assim que desembarco, chamo um Uber. Sete minutos depois, o motorista já está colocando minhas malas no porta-malas. Entro no carro e sigo em direção à minha casa.
Quanto mais nos aproximamos, mais meu coração acelera… tum… tum… tum… constante, pesado, impossível de ignorar.
Puxo o ar com força, tentando me acalmar.
Mas não adianta.
As lembranças voltam.
Aquela noite.
A forma como implorei para ele me tocar… para ele me escolher. E a resposta fria depois — dizendo que nunca mais aconteceria, que tinha sido um erro.
Engulo em seco.
Meus olhos se enchem de lágrimas, mas eu as seguro.
Não sou mais aquela garota.
Tenho 21 anos agora. E estou pronta para encarar qualquer coisa.
O carro para em frente à minha casa.
Não avisei meus irmãos que voltaria. Quero surpreendê-los. A saudade é tanta que chega a doer no peito.
Desço, pego minhas chaves, abro o portão e entro.
O calor está intenso.
Quando me aproximo da área da piscina, ouço vozes. Sorrisos. Vida.
Meu irmão mais velho está na churrasqueira. O do meio organiza bebidas no gelo.
Meu coração aperta — dessa vez, de amor.
Me aproximo e grito:
— SURPRESAAAAA!
O mundo explode em abraços, risadas e lágrimas.
Minutos depois, completamente molhada por ter sido jogada na piscina, subo para o meu quarto.
Preciso de um banho.
Preciso respirar.
O quarto está exatamente como deixei. A janela ainda dá vista para a piscina.
E, inevitavelmente… penso nele.
Yan.
Antes, era sagrado, todos os fins de semana ele estava aqui.
Minha barriga se contrai só de imaginar encontrá-lo.
Entro no banho.
Quando saio, enrolo uma toalha no corpo. Esqueci minhas coisas na sala, então saio assim mesmo, distraída no celular.
Dou um passo—
E bato contra algo sólido.
Antes que eu caia, mãos firmes seguram minha cintura.
Fortes.
Quentes.
Familiares.
Meu corpo inteiro trava.
Levanto o olhar devagar.
— Yan…
Os olhos castanhos dele estão fixos nos meus, intensos, quase incrédulos.
As mãos dele apertam levemente minha cintura — o suficiente para me prender ali… o suficiente para fazer minha pele queimar.
A toalha ameaça ceder.
O cheiro dele me invade.
Meu Deus…
Ele está ainda mais forte. Mais homem. Mais perigoso.
Minhas pernas vacilam.
Ele solta um suspiro pesado, como se tivesse levado um golpe.
— Nina… c*****o.
Yan
— Cadê minhas chaves? — resmungo, revirando os bolsos.
Merda.
Devem ter ficado no meu apartamento.
Ligo para o Antony.
— Fala, cara. Já sei… esqueceu a p***a da chave de novo, né? Tô abrindo.
O portão começa a se abrir.
Desço do carro, tiro a camisa por causa do calor e entro.
— Ei, seus merdas! Trouxe a cerveja!
Os dois vêm na minha direção com sorrisos estranhos.
Sorrisos demais.
— Que p***a é essa? — pergunto, desconfiado.
— Chegou uma surpresa — diz Lorenzo, claramente se segurando para não rir.
Meu estômago aperta.
— Onde?
— Lá dentro.
Entro sem pensar duas vezes.
Cozinha… nada.
Sala… nada.
Estou prestes a xingar quando alguém esbarra em mim.
E tudo para.
Eu não preciso ver.
Eu reconheceria isso em qualquer lugar.
O cheiro dela.
A presença dela.
Minhas mãos vão direto para a cintura dela, segurando firme antes que caia.
E, no instante em que toco… tudo volta.
Cada curva.
Cada som.
Cada segundo daquela noite.
A noite em que perdi o controle.
A noite em que tirei a virgindade dela.
Três anos antes - Aniversário da Nina
Logo que cheguei na festa fui atrás dela para entregar seu presente de aniversário, um colar de ouro branco, com um pequeno brilhante delicado, procurei por toda área aberta e cômodos da casa e nada.
Então resolve ir no único cômodo que ainda não fui...seu quarto.
Quando entro no quarto dela, o mundo desmorona.
Um cara qualquer está prensando ela contra a parede, a mão dentro do vestido dela.
A raiva explode.
— Que p***a é essa?!
Arranco o cara de cima dela e acerto um soco direto.
— Você enlouqueceu, Nina?!
— Ele não estava me forçando! — ela rebate, furiosa. — Eu quis!
Aquilo me atinge mais forte que qualquer golpe.
— Quer que alguém morra hoje?!
— Ele só estava me beijando!
Dou um passo à frente.
— Beijando? Com a mão dentro do seu vestido?!
O cara se levanta cambaleando.
— Some daqui antes que eu acabe com você.
Ele não hesita e sai.
Fica só ela e eu nos encarando.
Ela está ofegante. Corada. Linda demais.
Perigosa demais.
— É isso que você quer? — pergunto, a voz baixa, carregada. — Um i****a qualquer?
Ela me encara.
— Não. você sabe quem eu quero...eu quero você.
Fico em silêncio, mas ela continua....
— Eu cansei de esperar, Yan… — ela sussurra, se aproximando. — Tenho 18 anos. Quero viver. Quero sentir.
Cada palavra dela é um golpe.
Cada passo… uma provocação.
- Nina...você sabe que não podemos!
Ela baixa o olhar e aproveito sua distração para vira-la de costas para mim...e susurro em seu ouvido.
- Seu presente!
Coloco o colar no pescoço dela, tentando manter o controle.
Ela se vira.
Me abraça.
E desliza as mãos por baixo da minha camisa.
Arranha minhas costas.
Se pressiona contra mim.
Quente.
Macia.
Proibida.
— Eu sou apaixonada por você — ela sussurra no meu ouvido. — E prefiro, esse é o verdadeiro presente que quero!
Perco o controle.
Seguro sua nuca e beijo ela com tudo que reprimi por anos.
O gemido dela me destrói.
Meu corpo reage instantaneamente, duro contra ela.
— p***a… Nina… a gente não pode…
— Eu quero você.
Ela segura meu rosto.
Olha direto nos meus olhos.
Sem medo.
Sem dúvida.
— Por favor… me faça sua