Nina
— Princesa… eu não posso. Isso simplesmente não é possível, p***a.
A voz dele sai rouca, carregada de algo que ele tenta esconder… mas eu enxergo.
— Yan, para de se esconder atrás de uma promessa que nem faz mais sentido.
Dou um passo à frente. Ele recua meio centímetro — quase imperceptível — mas eu sinto.
— Eu prometi pra sua mãe que cuidaria de você — ele insiste. — Que ajudaria seus irmãos a te proteger.
Inclino a cabeça, deixando um sorriso lento escapar.
— Eu posso ser sua… e você continua me protegendo do mesmo jeito.
Os olhos dele escurecem.
— Sua mãe não aprovaria isso… E princesa você tem que entender que eu estou namorando com a Marcela.
Aquela palavra me irrita.
— Você é um covarde de merda. — Minha voz sai baixa, cortante. — Eu sei que você só está com ela pra se afastar de mim.
Ele passa a mão no cabelo, frustrado.
— Sabe qual é o seu problema, princesa? Você não sabe de nada!
- Como vou saber né, vocês me escondem tudo!
Antes que ele possa me responder, a porta se abre e Antony entra, rindo, com uma ruiva grudada nele.
— Vocês dois não vão descer? A festa tá bombando!
Reviro os olhos e saio dali sem olhar pra trás, o sangue fervendo nas veias.
Horas depois, a casa já está mais vazia.
Lorenzo foi embora. Antony aparece, despreocupado como sempre.
— Irmã, vou sair com o docinho aqui! — Ele pisca para a garota. — Pedi pro Yan ficar aqui contigo.
Congelo.
— A namorada de vai ficar também.
Meu estômago revira.
— Namorada? Onde ela tá?
— Acabou de chegar.
Olho para frente.
E lá está ela.
Linda, perfeita… e insuportável.
Ela se joga nos braços dele.
E ele… corresponde.
O selinho é rápido.
Mas suficiente.
Algo em mim se quebra.
Eles vêm na minha direção.
— Oi, amada, tudo bem? — ela diz, com um sorriso doce demais pra ser verdadeiro.
— Ótima — respondo, no mesmo veneno.
Antony se despede e some.
E ela não perde tempo.
— Yan, você não ia dormir na minha casa hoje, amor?.
— Marcela… os planos mudaram. Vamos ficar aqui, não vou deixar Nina sozinha!
Ela suspira, irritada.
— Ah, por favor. Ela não é mais criança.
O olhar dela passa por mim como se eu fosse um obstáculo.
Respiro fundo.
— Ela tem razão Yan, não sou criança, pode ir com sua namorada!
Olho desafiando.
— Aliás… nem sei se fico em casa hoje.
Os olhos dele queimam.
— Você não vai sair.
Aproximo-me devagar. Fico na ponta dos pés e beijo a bochecha dele, lentamente.
— Quer apostar?
Sinto o corpo dele tensionar sob meu toque.
E Marcela me fuzila com olhar.
E eu sorrio e sigo para meu quarto, cansada.
Quase meia-noite, tomo um banho, e escuto a voz do Yan, dou uma olhada pela janela e vejo...
Eles estão discutindo.
Gestos rápidos. Vozes baixas. Tensão.
Minutos depois, ela vai embora.
E ele fica.
Sozinho.
Cinco minutos depois, uma batida leve na minha porta.
— Nina… vou ficar no quarto de hóspedes. Se precisar… me chama princesa.
Princesa.
Sempre essa palavra.
Sorrio sozinha.
— Tá bom!
Respondo com uma ideia em mente.
Sem pressa.
Seco o cabelo, deixo cair solto pelas costas.
Perfume.
Renda vermelha.
E sinta liga
Com coragem caminho até o quarto de hóspedes com o coração disparado… mas com um objeto.
A porta está destrancada.
Entro.
Acendo a luz.
Ele acorda na hora.
E então… me vê.
O olhar dele muda.
Instantaneamente.
Pesado.
Quente.
Faminto.
— Merda, princesa…
Dou alguns passos, devagar, sentindo o olhar dele percorrer cada centímetro meu.
Paro bem na frente dele.
Ele levanta rápido demais.
Fica tão perto que sinto o calor do corpo dele contra o meu.
O silêncio entre nós é elétrico.
O olhar dele desce pelo meu corpo… sobe… para na minha boca.
E então ele me puxa.
O beijo vem intenso, urgente, cheio de tudo que ficou guardado por anos.
Estou mole e gemendo em sua boca.
Minhas mãos sobem pelo peito dele, sentindo cada músculo tenso sob a pele quente.
Ele corta o beijo, encosta a testa na minha, respirando pesado.
— Princesa… — a voz falha.....
Ele me dá vários avisos e pergunta várias vezes se é isso que quero?
Se confio nele para isso.
Na verdade estou tão envolvida nas sensações, no corpo dele se esfregando no meu que nem memorizo essa conversa
Apenas uma parte, a que ele me diz que só acontecerá essa noite.
E pede para eu prometer que entendo.
Eu digo que entendo, mas a minha esperança é que ele que entenda que não temos como fugir do fogo que sentimos,do sentimento e da conexão.
Eu já decidi vou entregar meu corpo a ele, na esperança que ele me entregue seu coração.