Yan...
Finalmente a festa acabou.
Mas o silêncio que deveria trazer alívio só deixou mais alto o som da voz da Marcela na minha cabeça.
— Eu não gosto daquela menininha nojenta. Ela é insuportável. Eu quero ir embora agora, e você vai comigo!
Fechei os olhos por um segundo, respirando fundo, tentando conter a irritação que subia rápido demais.
— Marcela… fala mais uma vez assim da Nina e nós vamos ter um problema. Eu não vou embora. Se você não está bem aqui, pode ir para sua casa. A gente conversa amanhã.
Ela soltou uma risada amarga, cruzando os braços.
— f**a-se, Yan. Quer saber? Eu vou mesmo!
E foi embora.
Sem olhar para trás.
Passei a mão no rosto, soltando o ar devagar. Aquilo já estava desgastado demais.
Subi até o quarto da Nina apenas para avisar que ficaria no quarto de hóspedes. Não fiquei tempo suficiente para encará-la de verdade — porque eu sabia que, se fizesse isso, alguma coisa dentro de mim ia vacilar.
E eu não podia permitir.
Não com ela.
Fui direto para o banho. A água quente caiu sobre meu corpo, mas não levou embora o que realmente me incomodava.
Ela.
Sempre ela.
Deitei apenas de cueca, o corpo cansado, a mente inquieta. Demorei menos do que esperava para apagar.
Acordei com a luz do quarto sendo acesa.
Sentei-me de imediato… e congelei.
Nina estava ali.
Parada aos pés da cama.
A cinta-liga vermelha abraçava o corpo dela de um jeito que não deixava espaço para inocência. Aquilo não era impulso.
Era escolha.
Era decisão.
E, pior… era exatamente o tipo de erro que eu sabia que não podia cometer.
Passei a mão no rosto, soltando um suspiro pesado.
— Você não devia estar aqui…
Minha voz saiu rouca, carregada.
Ela deu um passo à frente.
— Eu sei.
Outro.
— Mas eu não consigo mais fingir que não sinto isso.
Meu maxilar travou.
— Nina… isso não é uma boa ideia.
Mas meu corpo já não estava acompanhando minhas palavras.
Ela parou bem na minha frente.
Perto demais.
O calor dela me atingiu antes mesmo do toque.
— Então me manda embora… — ela desafiou, os olhos presos nos meus.
Silêncio.
Pesado.
Perigoso.
Eu sabia o que tinha que fazer.
Mas não fiz.
Minha mão subiu devagar até o rosto dela, segurando seu queixo.
— Você não faz ideia do que está pedindo…
Ela inclinou o rosto, roçando os lábios nos meus, quase sem tocar.
— Eu faço.
Foi o suficiente.
A puxei contra mim e a beijei.
Sem controle.
Sem espaço para dúvida.
O beijo veio intenso, profundo, carregado de tudo que vinha sendo segurado há tempo demais. Ela respondeu na mesma força, se agarrando a mim como se também estivesse no limite.
Minhas mãos deslizaram pelo corpo dela, firmes, sentindo cada curva, cada reação. A pele dela se arrepiava sob o meu toque, e aquilo só me puxava mais fundo.
— Yan… — ela sussurrou, ofegante.
Ergui seu corpo sem esforço, e ela envolveu as pernas na minha cintura, se encaixando perfeitamente. O contato arrancou um som baixo dela — e isso acabou com qualquer resto de controle que eu ainda tinha.
Levei-a até a cama, deitando-a devagar, mas permaneci sobre ela, sem dar espaço, sem dar tempo para arrependimento.
Fiquei ali por um instante, olhando para ela.
Linda.
Ofegante.
Completamente entregue.
— Última chance… — falei baixo, sério. — Se eu continuar… não tem volta.
Ela não respondeu.
Apenas me puxou pela nuca e me beijou.
E foi ali que eu perdi de vez.
Desci a boca pelo pescoço dela, sentindo o corpo reagir imediatamente. Cada suspiro, cada movimento, cada forma como ela se entregava… me levava mais longe.
Minhas mãos percorriam seu corpo com intensidade crescente, sem mais hesitação. Ela se movia contra mim, buscando mais, pedindo mais… e aquilo só alimentava o que já estava fora de controle.
— Yan… eu preciso de você…
A voz dela saiu baixa, quebrada.
Voltei ao rosto dela, segurando firme, olhando nos olhos.
Ainda havia tempo de parar.
Mas nenhum de nós queria.
— Confia em mim… — murmurei.
Ela assentiu.
E aquilo foi tudo.
Quando nos entregamos de verdade, foi intenso.
Não só físico.
Foi carregado de tudo que vinha sendo evitado, negado, escondido.
Ela se agarrou a mim, e eu a segurei firme, guiando cada movimento com um cuidado que contrastava com a urgência que queimava dentro de mim.
O tempo perdeu o sentido.
Só existia o calor, a respiração, os corpos próximos demais… e aquela sensação perigosa de que estávamos cruzando um limite sem volta.
Até que tudo veio de uma vez.
Forte.
Avassalador.
Irreversível.
O silêncio depois foi diferente.
Pesado.
Cheio de significado.
Passei a mão no rosto, ainda próximo demais dela, tentando me recompor.
— Obrigado por isso, princesa… — murmurei. — Você é incrível.
Ela me olhou, os olhos brilhando.
— Yan… você sabe que eu te amo.
Meu peito apertou.
Mas eu não respondi.
Não podia.
Afastei o olhar primeiro.
Porque encarar ela agora… era perigoso demais.
Eu também a amo.
A verdade me atravessa em silêncio, pesada, inevitável… mas não passa dos meus pensamentos.
Porque não posso dizer isso em voz alta.
Não depois do que acabamos de fazer.
Não quando tudo entre nós é errado demais para sequer existir.
Passo a mão no rosto, tentando me recompor, tentando recuperar o controle que sei que já perdi no momento em que a toquei.
Isso não pode acontecer.
Não desse jeito.
Não com ela.
Respiro fundo, evitando olhar diretamente nos seus olhos — porque sei que, se olhar, não vou conseguir sustentar essa distância que estou tentando impor.
Espero que ela entenda…
Espero que veja que isso precisa parar.
Que foi um erro.
Mesmo que, no fundo, tenha sido a coisa mais real que já senti.
Fecho os olhos por um segundo, lutando contra mim mesmo.
E, pela primeira vez, algo fica claro:
Me afastar dela não vai ser uma escolha.
Vai ser uma necessidade.
Porque, se eu ceder mais uma vez…
Eu não volto mais.
E talvez…
Eu nem queira voltar.