O dia seguinte

959 Words
Nina Eu disse que o amava. As palavras simplesmente saíram. Eu precisava dizer… naquele momento, enquanto ainda estávamos conectados, enquanto tudo entre nós ainda parecia real demais para ser negado. Mas ele não disse de volta. Yan apenas me beijou. Intenso. Profundo. Como se estivesse sentindo tudo… mas se recusando a colocar em palavras. Depois, ele se afastou o suficiente para me puxar contra o peito. Seus braços me envolveram com força, e, mesmo com o turbilhão dentro de mim, acabei adormecendo ali. Segura. Protegida. Como se pertencesse àquele lugar. Acordei com os lábios dele nos meus. Suaves no começo… mas carregados de intenção. Abri os olhos lentamente, ainda sonolenta, sentindo o corpo dele junto ao meu novamente, a respiração mais pesada, mais urgente. — Nina… minha princesa… — a voz dele saiu baixa, rouca. — Eu preciso de você mais uma vez… antes de abrir mão disso. Meu coração disparou. Havia algo diferente nele agora. Mais intenso. Mais… desesperado. Antes que eu pudesse responder, ele mudou nossa posição, encostando as costas na cabeceira da cama e me puxando com ele. — Vem… — murmurou. — Fica aqui… comigo. Hesitei por um segundo, mais pela falta de experiência do que por vontade. Mas fiz o que ele pediu. Fiquei ali, de frente para ele, tão próxima que podia sentir cada batida do coração dele contra o meu corpo. Olhos nos olhos. Sem fuga. Sem espaço para dúvidas. Ele me puxou para um beijo profundo, lento… como se estivesse tentando gravar aquele momento. Seus dedos deslizavam pela minha pele com segurança, despertando cada sensação, cada arrepio. — Você não faz ideia do efeito que tem em mim… — ele sussurrou contra meus lábios. Meu corpo reagia sozinho. Tudo era novo. Intenso. Confuso… e ao mesmo tempo perfeito. Ele me guiava com firmeza, controlando o ritmo, me mantendo próxima, como se não quisesse me soltar. Enterrei o rosto no ombro dele por um instante, tentando lidar com a avalanche de sensações que tomava conta de mim. Ele soltou um som baixo, reagindo, o que só me fez sentir ainda mais. — Nina… — ele murmurou, a voz carregada. O nome na boca dele soava diferente. Mais profundo. Mais perigoso. Tudo entre nós parecia crescer rápido demais… forte demais. E quando o momento chegou, foi intenso. Avassalador. Como se meu corpo inteiro respondesse de uma vez só. Ele me segurou firme, acompanhando, não me deixando cair… não me deixando fugir daquilo. E, por um segundo, pareceu que éramos só nós dois no mundo. Depois, ele me deitou novamente. Seus braços ao redor de mim. Minha cabeça no peito dele. O som do coração dele… forte, constante… quase me acalmando. Fechei os olhos. E dormi. Com um único pensamento: Eu queria que aquilo fosse meu para sempre. Que ele fosse meu. Acordei com a luz invadindo o quarto. Pisquei algumas vezes, confusa… até perceber que não estava mais no quarto de hóspedes. Estava no meu quarto. Ele me trouxe. Senti um pequeno sorriso surgir, mesmo antes de abrir totalmente os olhos. Olhei o relógio. Quase onze da manhã. Domingo. Virei na cama, mas um leve desconforto no corpo me fez lembrar de tudo. Da noite. Das horas. Dele. Meu corpo ainda sentia. E, estranhamente… aquilo me fez sorrir. Levantei, tomei um banho e coloquei um vestido branco leve. Precisava parecer normal. Agir como se nada tivesse mudado. Mesmo sabendo que tudo tinha. Desci para a cozinha. Os três estavam sentados à mesa, conversando. Eles não perceberam minha presença de imediato. — …a investigação ainda não fechou — dizia Lorenzo. — Aquilo não foi só um acidente — Antony respondeu. Meu peito apertou. O acidente. O dia em que meus pais morreram. Eu tinha treze anos… e tudo daquele dia era um borrão. Yan foi o primeiro a me notar. E o jeito que ele me olhou… Mudou tudo. — Bom dia, princesa… — a voz dele saiu um pouco mais baixa. — Dormiu bem? Segurei o sorriso. — Tive uma noite agitada… mas ótima. Nossos olhares se encontraram. E disseram muito mais do que qualquer palavra. O interfone tocou. Aproveitei a distração e fui atender. — Olá… quem é? — Oi, Nina. Sou eu… a Marcela. Meu namorado está aí? Meu coração falhou uma batida. Antes que eu pudesse responder, ouvi a voz do Lorenzo atrás de mim: — Ei, mana… você está bem? Está pálida. Tudo começou a girar. — Eu… eu acho que… E tudo ficou preto. Acordei no sofá. Minha cabeça no colo do Yan. A mão dele no meu cabelo. Antony ao lado, medindo minha pressão. Lorenzo no telefone, claramente nervoso. E Marcela… Parada na porta. Furiosa. — Ei, princesa… você está bem? — Yan perguntou, a voz carregada de preocupação. — A pressão dela caiu… — Antony murmurou. — Queridinha, você sempre é assim… dramática? — disse Marcela, com desdém. Ignorei. — Lorenzo… não precisa de ambulância. Só preciso comer… não dormi direito… — falei, sincera. Yan continuava acariciando meu cabelo. — Me desculpa… — ele murmurou, tão baixo que só eu ouvi. — Eu amei cada cuidado seu… — respondi, no mesmo tom. Ele travou por um segundo. — Princesa… — Yan… manda ela embora, por favor… — pedi. Houve um silêncio. Pesado. — Eu não posso… — ele disse, baixo. — Você disse que entendia… você prometeu… Aquilo doeu mais do que qualquer outra coisa. — Eu preciso ir… — ele completou. — Se cuida. Qualquer coisa me liga. E ali… Eu entendi. Aquilo era um não. Não só para aquele momento. Mas para nós. Ele beijou minha testa. E foi embora. Sem olhar para trás. Meu coração apertou. Mas não se quebrou. Ainda não. Porque eu não fazia ideia… Que meu coração seria completamente destruído
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