1-Elouisa

1173 Words
Dias depois! Os dias que se passaram não foram dos mais fáceis! A família de Briana é maravilhosa, mas confesso que tenho medo de me apegar demais. Por isso decidi que iria arrumar um emprego e começar a reconstruir minha vida. Eu já percorri esse caminho uma vez, eu já sei por onde devo ir, mas agora tudo é mais fácil por que tenho amigos com quem eu posso contar. Heloisa e Thiago insistiram dizendo que poderiam arrumar algo pra mim na empresa deles, mas eu neguei quero caminhar com minhas próprias pernas. Então Heloisa me ajudou a montar os currículos e a enviar para algumas empresas que ela achava possível eu conseguir uma vaga. Agora estou aqui, olhando meu reflexo no espelho, um frio enorme na barriga e também um medo gigante. —Você já fez isso antes, você vai conseguir. Falo para mim mesma e respiro fundo, pego minha bolsa e a pasta que tem o que preciso e sigo para a sala de jantar. Essa casa é enorme e sem contar que tudo nela grita elegância e riqueza. —Bom dia! Falo, assim que passo pela porta da sala de jantar e encontro todos ali sentados. —Bom dia. Todos respondem juntos. —Está linda amiga, vai pra entrevista? Briana pergunta. —Sim! Ficou boa essa roupa? Será que eu exagerei? Pergunto e Heloisa solta uma risada. —Está linda, Elou! Você vai arrasar, lembre-se apenas de fazer como a gente conversou e tenho certeza que você irá se sair muito bem. Respiro fundo. —Obrigada, m*l posso esperar. Digo, tentando parecer confiante. —Bom, eu te desejo boa sorte. Mas saiba que as portas de nossas empresas estarão sempre abertas pra você. Thiago fala. —Muito obrigada! Mas vocês já fizeram muito por mim. Quero caminhar com minhas próprias pernas agora. Heloisa sorri. —Você tem nosso total apoio. Você é muito mais que amiga da nossa filha, é nossa família também, não se esqueça disso. Sinto meus olhos querer ficar marejados, balanço a cabeça. —Bom, então vou tomar café e ir. Não posso querer chegar atrasada justo hoje. Falo, me servindo um pouco de café e pegando um pedaço de mamão. A gastronomia do Brasil é bem diferente de tudo que eu provei na Europa, mas eu já não estranho tanto assim, pois já convivo a bastante tempo com uma brasileira. Faço o restante da refeição respondendo as perguntas que eles me fazem, sobre onde é o local da entrevista e pra que é a vaga. Bom, seja o que Deus quiser. [....] Roger, o motorista da família Nunes estaciona o carro e abre a porta pra mim. —Chegamos, é aquele prédio ali. Vou acompanhar a Senhorita até lá. Ele fala sorrindo. —Obrigada. Agradeço com um sorriso. Ele me acompanha até a porta de entrada do prédio e dali em diante, sigo sozinha. Peço informações e depois de saber exatamente para qual andar devo seguir, vou até o elevador e sigo para minha primeira entrevista. Assim que as portas do elevador se abrem no andar do escritório, deixo meus ombros caírem ao ver a quantidade de pessoas na recepção. Obrigo minhas pernas a andarem, falando para mim mesma que aquelas pessoas devem estar ali apenas para serem atendidas, não para a entrevista de emprego. "Você pode ter errado o andar!" Meu cérebro diz, animado. —Oi, bom dia. Eu vim pra entrevista. Falo, tentando falar o português correto. —Oi, me diga seu nome por favor. —Elouisa Jones. Falo e ela escreve em um papel. —Só aguardar e boa sorte. Concordo com a cabeça e vou para um canto da recepção. "É, chegamos tarde, mas de certo não vai demorar toda vida, não é mesmo?" Meu cérebro diz irônico. Suspiro fundo e balanço a cabeça. A única coisa que posso fazer é aguardar. [....] Depois de horas aqui esperando. O último candidato além de mim é chamado e entra na sala do doutor Ribeiro. Arqueio a sobrancelha, enquanto esperava incansavelmente para minha vez chegar, consegui ouvir alguns murmúrios ao meu redor e descobri que Doutor George Ribeiro é um jovem advogado que vem conquistando seu espaço no mercado advocatício. Vejo a porta se abrir e o último candidato sai. Espero a recepcionista me chamar, mas seu telefone toca —Chegou mais uma moça. Já vou passar pro senhor. Ela fala, desligando o telefone e se levanta. Ela entra na sala, mas não fica muito tempo ali não, logo ela sai e diz. —Sua vez. Ela diz, apontando a porta pra mim. —Obrigada. Agradeço enquanto me aproximo da porta e bato. Toc Toc. —Entre. Ouço a voz de um homem gritar. Respiro fundo e abro a porta. —Com licença, doutor George? Falo para o lindo homem que está sentado na cadeira atrás da mesa. —Sim, por favor. Fala, apontando para a cadeira a sua frente. Obrigo minhas pernas a andarem e me sento em frente aquele homem lindo. —Trouxe seu curriculum? Franzo a testa, sem conseguir entender o que ele diz, até que me toco. —O papel com minhas informações? Pergunto e ele acena com a cabeça. Organizo meus pensamentos e estendo a ele o papel que trouxe. Observo seus olhos correrem por toda a página, lendo cada uma das minhas informações. —Você entende bem o português? Balanço a cabeça. —Sim, aprendi bastante com minha amiga. Ela é brasileira e me ensinou muito. Ele concorda. —Certo. A vaga é sua. Ele fala, me devolvendo o papel. —Assim fácil? Pergunto e só me dou conta do que falei, quando vejo ele arquear a sobrancelha. —Quero dizer... Obrigada, doutor. Me corrijo rápido e ele balança a cabeça. —Espero que não se importe de passar mais algum tempo aqui hoje, Eliza. Dona Olga vai te ensinar tudo o que precisa saber agora nesse início e você começa na segunda-feira. Abro minha boca na intensão de corrigir meu nome, mas decido fechá-la e apenas concordo dizendo. —Bom, muito obrigada. Com licença. Digo, antes de levantar. —Eliza. Ele me chama. —Elouisa. Respondo. —O quê? Pergunta, parecendo sem entender. —Meu nome... É Elouisa. Digo, fazendo o meu melhor para frizar o "lou". Ele faz um gesto de desdém e volta a falar. —Eliza, Elouisa... Tanto faz, faça um bom trabalho. Estreito os olhos, mordendo o lábio inferior e decido não falar mais nada, apenas saio dali. Assim que estou chegando na recepção o telefone toca e vejo a recepcionista olhar com um sorriso largo pra mim. —Doutor Ribeiro acabou de me avisar que você foi contratada. Vamos começar? Ela diz animada e eu me aproximo. —Vamos, é claro. Falo com um sorriso, enquanto ela começa a me mostrar como funciona tudo no escritório. Absorvo tudo que acontece enquanto estou ali, mas quando saio e entro no carro. Apenas eu e meus pensamentos, o olhar forte e um tanto curioso daquele doutor, não sai de minha mente.
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