Capítulo 5

1293 Words
Terminando todo o conteúdo do copo em um único gole, Isaak chegou perto do seu futuro noivo, o mais velho o observou melhor de perto, sentindo seu corpo esquentar com aquela visão, o mais novo estava deslumbrante, sua roupa social indicava que tinha sido preparado para aquela noite, com um suspiro Henry deu um passo em direção ao seu futuro esposo, o encarando a centímetros de distância. — Você está lindo. — Disse olhando diretamente para as írises que nada demonstrava, Henry disse aquilo por ser uma verdade, não por obrigação de um contrato, que era o que mantinha os dois unidos. — Obrigado. — Disse o mais novo, com educação, porém ele achava aquele elogio fruto do papel que os manteriam ligados até o fim de seus dias. — Vamos jantar? — Disse lhe oferecendo o braço para guiar o mais novo ao local onde jantariam e lhe faria o pedido. — Não precisa disso tudo comigo, estarmos noivos não significa que gostemos um do outro. — Isaak disse secamente, ele estava cansado daquilo tudo, cansado das coisas que o mais velho parecia esconder dele. — Não lhe trato assim apenas pelo contrato. — Henry o olhou sério encerrando aquele assunto. Isaak suspirou e se deixou ser levado até a porta de trás, onde viu uma mesa de jantar posta com dois lugares no centro do jardim antes da grande árvore onde tiveram a primeira conversa a sós. O caminho de flores estava iluminado com pequenas velas dentro de um potinho de vidro, ele se encontrava admirado com aquilo, sentiu seu coração acelerar por aquilo que recebia, mesmo nunca desejando gestos românticos, aquilo aquecia seu coração de um jeito estranho. Henry estava atento a cada movimento e expressão do futuro noivo, aquilo não estava nos planos iniciais, o planejado era um jantar dentro da casa da fazenda, mas depois de passar a tarde no rio pensando, chegou à conclusão que queria verdadeiramente começar bem com seu noivo, então preparou aquilo simples, mas feito por ele mesmo. E pelo brilho nos olhos do mais novo, Henry pensou ter feito o certo. Começaram não muito bem, com um contrato, mas isso não significava viverem numa vida vazia por todo o resto de seu tempo. Puxou a cadeira e Isaak sentou-se, observando uma pequena vela no meio da mesa arrodeada de algumas pequenas flores, uma caixa de madeira servia de apoio a pequena vela que crepitava solitária no meio daquelas flores. Henry sentou-se à mesa quando o seu companheiro se encontrou acomodado. Estava parcialmente escuro ao redor, se não fosse pelos postes de luzes ao longe e ao redor da mesa dentro do pequeno jardim, fora a fogueira que crepitava longe, perto da mesa, embaixo da grande árvore, era um ar romântico somado à luz da lua e o brilho das estrelas. Tirando a vela de cima da caixa de madeira, Henry a abriu em frente aos olhos azuis do outro, esse não pode conter o tremor que se passou pelo corpo ao ver a pequena joia, era certo que a partir dali sua vida mudaria para sempre, encontrava-se calmamente conformado com aquilo. — Case-se comigo. — Disse Henry tomando a atenção do homem em sua frente. — Farei o meu melhor para que seja feliz. — Escondendo talvez suas reais intenções, deixou que parte da verdade saísse de seus lábios. — Temo que não me conheça o suficiente para isso. — O mais novo deixou escapar, suas palavras escondiam coisas que nem mesmo ele sabia. — Um relacionamento, seja ele qual for, não começa com mentiras. — Nunca menti para você. — Mas esconde algo, esconde quando e como realmente nos conhecemos. — Apenas quero que se lembre por você mesmo, não que lembre apenas porque te contei. — Sim. — Disse Isaak depois de intermináveis segundos encarando os olhos pretos. — Sim? — Sim, me parece que não tenho muitas escolhas. — A linda aliança então foi parar no dedo do mais novo, quando seus dedos se tocaram foi como se choques estivessem sendo passado de um ao outro, mas eles não se deixaram abalar por causa disso. Quase que imperceptível, Isaak notou uma tristeza passando pelos olhos do mais velho. Mas não podia fazer nada, fora obrigado a estar ali, talvez em outras circunstâncias, ele poderia ter se apaixonado e aceitado se casar com Henry com um enorme sorriso de felicidade em seus lábios, mas não fora assim que aconteceu, eles nem mesmo tiveram a chance de escolherem, Isaak não teve chance de escolher e isso doía. Estava perdendo a chance de se apaixonar verdadeiramente por alguém, de encontrar alguém e se apaixonar de forma normal, não porque estava sendo obrigado. O mais novo ali, queria apenas uma vida normal, sem contratos. O jantar foi servido e começaram a comer calmamente, os olhos se cruzando vezes ou outra. — Pretende trabalhar em nossa empresa ao terminar a faculdade? — Henry pergunta, querendo quebrar aquele silencio incômodo. — Talvez, seu pai deixou claro que eu poderia trabalhar onde quisesse. — Sim, e isso não vai mudar. — Ótimo. — O que pretende fazer em relação aos filhos? — Isaak não pode conter o pensamento, ele teria que t*****r com esse homem a sua frente, e estranhamente, ele não se via sendo o ativo daquela relação, Henry parecia ter uma forte influência sobre ele, Isaak nunca admitiria que pensava em ser do mais velho, isso ia contra tudo o que sentia em relação ao casamento, que era um erro. Uma obrigação, que estranhamente não sentia com relação ao sexo dos dois, sentia que não seria obrigado, por mais que a situação deles fosse esquisita, tinha consciência que essa família não era m*l, seu sogro se mostrou alguém bondoso e respeitoso, e no pouco que conviveu com seu noivo, ele se mostrava ser alguém bom, prova disso era que estava o perguntando e não obrigando a assumir um lugar na i********e deles. — Podemos falar disso depois do casamento? — Suas bochechas coraram contra sua vontade. Ele estava perdendo controle até mesmo de seu corpo. — Claro, teremos tempo para discutir isso. Quando nos casarmos, quero deixar claro que não será obrigado a t*****r comigo, quero que seja do seu desejo fazermos isso, nem que leve um ano para que decida se entregar. Vamos nos respeitar por igual, odeio traição, seja ela de qual tipo for, espero de você o mesmo que darei, minha fidelidade e lealdade, podemos ter sido obrigados ao casamento, mas ainda é um casamento, e espero que haja respeito entre nós. — E estava aí mais uma prova do caráter do mais velho, Isaak não pode negar para si mesmo que ficou abalado com aquilo. — Não pretendo de desrespeitar, pode ter conhecimento da vida que eu levava. — Sendo grande parte dela uma mentira, Isaak pensou. — Mas acima de tudo eu respeito quem está ao meu lado, nunca faria algo assim. — Realmente não daria para continuar com a vida que você levava, afinal teremos uma reputação a manter. — Disse com uma expressão fechada, não querendo admitir sentir ciúmes da vida que seu agora noivo levava. — Claro. — Isaak forçou um sorriso, não pela maneira que ele falou, mas pela mentira que ainda era mantida por ele. Estendeu sua mão e Henry logo pois o anel de pedra azul eu seu dedo anelar na mão direita. Isaak o encarou, apesar de tudo achou aquilo lindo. — Combina com seus olhos. — Surpreendeu-se pela fala quase que amorosa do homem a sua frente, o que o fez questionar a escolha da pedra. Tão parecida com seus olhos. Acabaram o jantar e aquela pedra parecia pesar no dedo de Isaak. Ele estava se sentindo sufocado com toda essa situação.
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