Isaak olhava através de sua janela, o sol nascia ao longe na fazenda, aquela manhã estava fria, ele estava agora com o casaco moletom vestido por cima de seus pijamas, sua mente fervilhava de pensamentos, ele tentava a todo custo lembrar o que levou ele a t*****r com seu futuro marido antes mesmo de saber desse fato, como ele pode apagar esse momento de sua memória tão fácil assim? Seus olhos focados na imensa e intensa cor alaranjada do lado de fora, depois de sair da cozinha na madrugada, ele dormiu um pouco mais de três horas, sua mente não conseguia parar de pensar, tentar lembrar daquela noite, seus olhos focam no aparelho em cima de sua mesa de cabeceira quando o mesmo faz barulho, indicando que havia chegado uma mensagem. Com passos curtos ele chega perto do aparelho e ver a mensagem pela barra de notificação, o nome de Vivian brilhava na tela, o menor olhou aquilo com surpresa, ele achava que ninguém de seu antigo grupo de colegas fossem lhe mandar mensagem, mas Vivian apareceu.
“Pode me atender agora?”
Era o conteúdo da mensagem, olhando aquilo ainda com espanto, o jovem rapaz lhe envia uma resposta.
“Pode ligar sim.”
Não demora mais que cinco minutos para que o celular em sua mão comece a tocar. Ele atende rapidamente.
— Oi. — Diz com receio.
— Isaak? Onde você está cara, a muito que não sai com a gente, sinto sua falta. — Com um sorriso pequeno ele se encontrava com esperança de que ali estivesse uma amiga. Vivian era muito linda, cabelos cacheados enorme e volumosos, sua pele n***a era linda de se olhar, olhos na cor preta lhe deixava um charme, ele se veste bem, cursa advocacia. Muitos do grupo de garotos paqueram a linda mulher, mas ela não dar brecha a nenhum deles, o que todos notavam, menos o Isaak, era que a garota direcionava olhares furtivos para ele.
— Apenas aconteceram muitas coisas em minha vida, não vou poder sair por um tempo, talvez nunca mais.
— Uow, como assim cara? Vai nos abandonar? O que aconteceu com você? Quer falar comigo sobre? — A voz do outro lado da linha soou tranquila e gentil, Isaak se sentiu finalmente bem, ele sentiu que realmente existia algum amigo que lhe estendesse a mão quando ele tanto precisa.
— Vou me casar. — Ele apenas deixou escapar aquelas palavras, era como se também estivesse lhe tirando uma venda dos olhos, ele finalmente estava se dando conta que aquilo realmente iria acontecer, Isaak sentiu um peso enorme sobre suas costas, ele sentou-se na cama e esperou por uma resposta de Vivian. A garota parecia em choque, passou um minuto em que ela se mantinha em completo silencio, ela estava com o coração partido, todas as pequenas chances que ela pensava ter lhe escapou por entre os dedos, o cara que ela gosta vai se casar e não a nada que ela possa fazer.
— Nossa, eu não esperava por isso, você nunca demostrou interesse em ninguém. — Ela finalmente recuperou sua voz e falou, ainda sentia seu peito doer.
— Eu também não sei como foi que eu vim parar aqui. — Isaak falou, era uma meia verdade, ele sabia os motivos do seu pai, mas para ele aquilo era uma brincadeira que a qualquer momento iria acabar, era isso que ele pensava a minutos atrás, agora está confuso com tudo isso, não sabe como levará esse casamento por muito tempo.
— Como assim? Você não quer se casar? Tem algo te forçando a isso? — A esperança brilhou nos olhos dela, se fosse um casamento a qual Isaak não quisesse, ela ainda tinha chances com o mais velho.
— Não é nada disso, é apenas complicado de se falar. — Isaak não sabia se podia realmente falar sobre tudo que envolvia seu casamento abertamente. Então ele apenas quis colocar aquilo para fora de maneira que não deixasse claro que tudo aquilo não passava de um contrato entre os pais dele e do mais velho.
— Tudo bem se não pode falar abertamente sobre tudo, apenas saiba que estarei do seu lado.
— Obrigada pelas palavras, estava precisando disso, de algum conforto, mas não precisa se preocupar, eu vou ficar bem, querendo ou não esse é o meu futuro agora, só tenho que seguir lutando, eu queria isso, apenas não sei como aceitar que quero isso, entende? — Era uma meia verdade o que o menor estava dizendo, ele nunca quis estar nesse relacionamento, mas precisa, só não podia dizer o porquê a mulher do outro lado da linha, era algo que ele ainda não estava confortável em dizer a alguém, por enquanto apenas eles ali saberiam disso.
— Não entendo direito, mas vou respeitar suas decisões, mas saiba que quando precisar desabafar e falar sobre qualquer coisa, não hesite em me ligar. E quero receber seu convite para o casamento também, se for possível.
— Obrigado por isso, Vivian. Tenho que desligar, quero tirar um cochilo antes do café da manhã, não consegui dormir direito.
— Tudo bem, desculpe se eu o perturbei logo cedo. São apenas sete horas da manhã e eu te perturbando, é que eu queria falar com você antes de ir para a faculdade as oito. — Ela diz cheia de receio.
— Tudo bem, foi bom conversar com você, tenho que desligar, até mais, Vivian.
— Até mais Isaak.
A celular foi desligado, e Isaak se viu ainda no quarto, sozinho novamente.
Ele se joga sobre a cama e olha para o teto branco, com um suspiro cansado ele se enrola no edredom, sua cabeça estava cheia de pensamentos conflitantes, ele ainda não tinha digerido tudo o que ouviu na noite anterior, ainda teria que ver hoje, o mesmo disse que tinha um presente para ele e Isaak não sabia se aquilo ainda se mantinha de pé, pois depois da briga de ontem ele escolheria nunca mais olhar na cara do mais velho, mas não podia apenas escolher isso, eles teriam que conviver um ao outro por toda sua vida, não tinha essa de não querer mais olhar na cara um do outro, eles teriam que aprender a conviver na marra.
Depois de muito rolar sobre a cama, Isaak caiu no sono.
Henry desperta, olhando ao seu redor apenas observa seu quarto em silêncio, na noite anterior ele m*l conseguiu dormir direito, ficava se perguntado e pensando se tinha feito a coisa certa ao jogar toda a verdade sobre o colo do mais novo, ele também se culpava por ter cedido aos seus desejos e ter transado com o menor daquela forma, ele deveria ter sido mais cuidadoso, não deveria beber tanto daquela forma, pois foi assim que infringiu dor a Isaak, era claro que ele não tinha gostado de descobrir nada sobre aquela noite. Ele deveria saber que pessoas bêbadas se arrependem do que fazem, por mais que ele estivesse da mesma forma. Ele não sabia o que pensar sobre aquela noite, mais o fato foi que ele apenas foi embora na manhã seguinte pesando que tivesse sido apenas mais uma transa, deixando o mais novo desmaiado sobre a cama, m*l sabendo ele que durante os meses que se seguirem as lembranças iam tomando sua cabeça de uma forma que o deixou tentado a procurar pelo menor, então veio o baque do casamento, Henry tentou tirar a noite maravilhosa da cabeça, pensando que aquilo apenas não passava de um capricho, seu pai tinha razão, tinha que achar algo mais concreto e com certeza não era quele caso de uma noite.
Mas olhe o destino, brincando com ele, o noivo escolhido era o homem que não saia de sua cabeça.
Seus pensamentos estão fervilhando, era muita coisa para assimilar, então o mais velho compreendia a reação do menor, era tudo muito confuso até mesmo para ele que hoje lembrava dos detalhes, imagine para o menor que não lembrava de nada.
Sentado sobre a cama ele suspira e tira a coberta de cima de suas pernas, as colocando para baixo da cama passa a mão pelos cabelos loiros, ele tinha dormido, mas parece que não tinha descansado de fato.
— O que vou fazer? — Perguntou para si mesmo. Estava perdido, não sabia qual seria a reação de Isaak ao vê-lo hoje depois de ter tido um tempo para processar, ou tentar, tudo o que ouviu nessa madrugada.
Apesar de ter dormido tarde, era oito da manhã naquele momento, ele se levantou da cama e seguiu para o banheiro anexado em seu quarto, retirou o pijama que era apenas uma calça de pano mole, entrou no chuveiro, precisava de uma água gelada para clarear seus pensamentos. Depois do banho em frente ao espelho com uma toalha enrolada em sua cintura o maior fez a barba por fazer, seguiu para seu closet e vestiu apenas uma calça jeans simples e uma camisa de meia manga branca, não sabia se o mais novo ainda aceitaria a visita pela fazenda, nem mesmo sabia se ele iria aceitar o presente, mas estava pronto para um dia de passeio, colocou as botas, já que tinha todo um guarda-roupa para sua vida no campo, que ele amava pessoalmente cuidar de tudo por ali quando vinha para passar uns dias, amava ainda mais andar a cavalo pelos longos pastos e bosques nos limites da fazenda, ele realmente amava o barulho da cidade e seu trabalho, mas não desperdiçava a chance de ser um cowboy por alguns dias.
Muitos estranhariam essa sua vida e modo como lida com todo o problema da fazenda, acho que se as responsabilidades de cuidar dos negócios da família na cidade não precisasse dele, Henry teria a muito vindo morar na fazendo e cuidar de tudo aquilo com afinco e amor, ele entende de tudo do campo e como lidar com os bichos, ele nasceu CEO, mas sua alma é de cowboy.
Já arrumado e com um chapéu sobre seus cabelos loiros ele saiu do quarto, olhando para a porta ao lado recebeu apenas o silencio, se perguntou se o menor tinha descido ou se continuava no quarto, não querendo atrapalhar ele desceu para tomar essas informações com os empregados da casa.
Henry desceu as escadas e não viu muito movimento pela casa, apenas alguns poucos empregados que limpavam a sala e a cozinheira que se encontrava colocando a mesa na sala de jantar.
— Bom dia senhor Henry, o café da manhã já está servido, pode sentar-se. — A mulher que aparenta ter mais que uns trinta e cinco anos, cabelos castanhos debaixo da touca e pele branca aponta para a mesa forrada num pano branco e enorme, em cima tinha várias frutas, como melancia, mamão, maçãs e sucos naturais, tudo vindo dos campos de plantação ali da fazenda, tinha ovos mexidos e pães frescos, assim como o café que cheirava bem.
— Obrigada. — Ele se senta á mesa e se serve de uma xícara generosa do líquido preto, amargo, sem açúcar do jeito que ele ama. Quando a mulher que se chamava Paula com um aceno ia se retirando do ambiente ele toma a palavra novamente.
— Isaak já desceu para o café? — A mulher mais velha se vira para seu patrão.
— Não senhor, terminei de colocar a mesa quando o chegou, não vi sinal do senhor Isaak hoje cedo.
— Ok, obrigada, pode se retirar. — Com um aceno a mulher volta para o cômodo ao lado que era a cozinha. — Será que ele ainda está dormindo? — Ele falou, dando voz ao seu pensamento. Com um suspiro, ele passa as mãos nos cabelos loiros, seus pés batucam o chão por debaixo da mesa. — Será que foi demais tudo que falei ontem? Ele não vai querer nem mesmo olhar na minha cara essa manhã?
Algo quente lhe perturbava, algo quente sobre seu rosto, então seus olhos aos poucos se abriram e deram de cara com a luz forte do sol sobre seu rosto, ele geme inconformado por ter sido acordado, e vira para o outro lado, cobrindo a cabeça com o edredom, as janelas tinham dormido com as persianas abertas e agora o sol lhe incomodava, apesar de que quando foi se deitar o sol já nascia no horizonte, aquela havia sido sua primeira noite na fazenda depois de um dia longo, e Isaak tinha a sensação que estava ali já fazia meses. Ele esticou todo seu corpo sobre a cama e finalmente depois de minutos ali embaixo resolveu levantar-se, olhou o celular na mesa de cabeceira e viu que eram oito e meia da manhã, somando as horas que ele dormiu nessa noite acho que foi o suficiente para ele está desperto tão cedo, já que ele dormiu ontem e acordou de madrugada quando tudo aquilo tinha sedo jogado em sua cara. O menor se sente confuso, mas resolve levantar, a final, eles tinham um passeio naquela manhã, por mais que sua vontade fosse ficar na cama, ele tinha coisas a resolver com o maior.
Isaak tomou banho, vestiu uma calça jeans e uma camisa simples branca com o nome de uma banda qualquer na frente, ele colocou seus sapatos, e finalizou rapidamente seus cachos, apenas molhando e os umedecendo com bastante creme, os cachos ficaram moles nem mesmo parecendo que haviam acordado todos amassados, passou perfume e estava pronto para encarar sua nova realidade.
Na porta do quarto sua mão travou sobre a maçaneta quando escutou passos no corredor, então apenas o silencio novamente quando alguém pareceu parar em frente à sua porta, para segundos depois os passos voltarem para logo em seguida sumir em direção as escadas. Ele fechou os olhos e voltou para a cama, sentou e respirou fundo, seu coração martelava dentro do peito, ele não sabia como iria encarar o mais velho, apenas não poderia continuar enfiado no quarto para sempre.
Tomando coragem novamente depois do que pareceram vários e vários minutos ele saiu do quarto, descendo as escadas com cuidado chegou até a sala de estar, ele apertou as mãos um nas outras e seguiu rumo a sala de jantar, quando seus pés pararam no recinto os olhos de Henry se levantaram e os dois se fixaram um no outro pelo que pareceram horas. Isaak sentiu suas bochechas corarem com o olhar intenso do mais velho sobre si.
— Bom dia. — O mais novo se forçou a dizer, encontrando sua voz.
— Bom dia, Isaak. Sente-se. — O mais velho apontou para a cadeira em sua frente.
Isaak se senta e com o olhar baixo, sem nunca encontrar novamente com o de Henry ele se serve de suco e os dois passam os próximos minutos em silencio enquanto aproveitam o café da manhã, pelo menos aquela fora uma das manhãs onde foi mantida a paz entre os dois.u