Casamento era um ato que muitos diziam ser por amor, mas é tão importante assim que um papel indique o quanto você ama a outra pessoa? A maioria dez que é apenas uma extensão do amor construído entre duas pessoas, não uma prova, sim uma confirmação.
Tem alguém errado? Não saberia dizer, o amor é uma coisa sem lógica, sem leis, é apenas o amor, vai e volta, fica para sempre, foi e sempre será assim, incompreensível.
Isaak estava muito nervoso na noite anterior, seus pés quase cavam um buraco no chão da mansão, sua nova casa pelos próximos anos, o resto de sua vida. Eles tinham voltado para a cidade a dois dias, ainda não tinham falado abertamente aos pais a proximidade deles, eles mantinham ainda entre os dois, mas furtivamente todas as noites, Isaak andava pelo corredor, apenas para o atravessar e bater na porta ao lado da sua, com toda calma, já que seu sogro dormia no quarto em frente ao do filho e seu pai tinha um quarto ao lado do dele. Todos os quatro estavam na mansão para o casamento que aconteceria na tarde do daquele dia.
Tudo estava passando rápido demais, Isaak pensava no ontem, em como ele odiava a ideia de se casar, em como ele gastava suas noites bêbado e rodeado de falsos amigos. Daqui a algumas horas ele irá se casar por causa de um contrato, mas com a pessoa que aprendeu a amar nos poucos dias que tiveram na presença um do outro.
— Filho, você vai furar seus sapatos ao bater eles com tanta força sobre o piso. — Seu pai, que estava vestido num lindo terno para aquela ocasião, o casamento, parou atrás da cadeira onde ele estava sentado, seu cabelo tinha acabado de ser feito, enrolaram seus cachinhos e secaram, estava finalizado e com movimento, colocando sobre sua cabeça uma tiara que parecia ouro, Isaak suspeitava que aquilo realmente fosse ouro, ele parecia um deus grego com aquilo, mas combinava com suas calças de pano mole branca e sua camisa social branca, em seus pés o sapato social branco meio dourado. Ele realmente estava parecendo um deus, pela primeira vez o rapaz se olhava no espelho e se achava um espetáculo. Afinal era seu primeiro casamento, escolheram usar branco para aquele grande evento. — Tenho que te falar algo antes que suba naquele altar.
Ele encarou os olhos do pai que o olhava através do espelho da penteadeira. O mais velho parecia nervoso, suas mãos apertavam uma a outra. Isaak girou a cadeira e ficou de frente para o pai que deu alguns passos e sentou-se sobre a cama.
— O que aconteceu? — O mais novo estava começando a se preocupar com a feição do pai. — Está tudo bem. — O mais velho que olhava para suas mãos sobre o colo levanta o rosto com um sorriso forçado.
— Eu estaria mentindo se dissesse que sim. Mas meu filho, preciso falar. Não morrerei com tantas mentiras entre nós.
— Papai. — O coração de Isaak batia fortemente contra seu peito.
— Escute com atenção meu menino. — Ele respira fundo e mantém seu olhar no filho. — Quando sua mãe se foi deixando um adolescente para que eu tomasse de conta sozinho, aquilo quase me matou, sempre cuidamos os dois de você, o educamos e participamos de cada momento de sua vida, eu amava tanto. — Ele sorri tristemente, enquanto Isaak tem lágrimas nos olhos. — Mas ela se foi e eu me perdi, não sabia o que fazer o com você, já que fizemos tudo juntos, você ficou cada vez mais rebelde, então ficou de maior e começou a sair, beber, e eu fiquei quieto, dizendo para mim mesmo que devia deixar você fazer o que quiser, você estava machucado, então ao invés de te orientar, de ter falar o que era certo e errado eu apenas soltei meu filho no mundo, achando que aquilo não lhe faria sofrer a perda de sua mãe. Como eu estava errado, você estava machucado, precisava de mim ao seu lado, não do mundo e da liberdade demasiada que lhe dei. Eu apenas prologuei sua dor enquanto se fechava na minha e nos afastava. Saiba que te amo e peço desculpas por isso. — Marcos tem lágrimas por toda sua face. Isaak não está diferente.
— Eu realmente precisava mais de você ao meu lado, mas quando me dei conta disso eu continuei no caminho errado, não o fiz enxergar que apenas queria seu amor, eu também errei e peço desculpas. — Marcos sorrir para o filho.
— Meu menino, você é como sua mãe, herdou o melhor dela, você é brilhante e tem um coração gentil. Mas quero chegar ao cerne da questão. — Ele engole a seco e desvia os olhos do filho por alguns segundos, parecendo reunir força ele volta a falar, com os olhos em Isaak. — Eu tramei tudo isso desde o início com Alexandre.
Isaak tenta falar, sua cabeça trabalhando para as palavras do pai fazerem sentido.
— O que?
— Alexandre não estava procurando um marido para o filho. Eu expressei minha preocupação em deixar você sozinho, sozinho depois que eu morrer.
—Mas pai, morrer? Como assim, o que está acontecendo? — A dor já se infiltrava por seu corpo, chegando ao coração, o fazendo se despedaçar em milhares e milhares de pedaços ao ouvir as próximas palavras do pai.
— Querido, eu vou em breve, tenho os meus dias contados.
— Não.
— Eu sei que pode ser demais para você, mas eu descobrir um câncer a um tempo.
— Não.
— É inoperável, estava no último estágio.
— Não. — A voz saiu embargada.
— Eu provavelmente não dure mais que alguns meses.
— NÃO! NÃO, NÃO, NÃO. — O menor gritou descontrolado, levantado da cadeira, as lágrimas banhavam seu rosto, seus olhos embaçados incapaz de ver algo.
— Sinto muito meu filho, sinto muito. — Marcos pega o filho em seus braços antes que o corpo do filho desabe de joelhos no chão em um choro sofrido, seus soluços balançavam seu corpo, sua dor era imensa naquele momento. Ver o estado de seu filho fazia seu coração doer, ele queria tirar aquela dor de Isaak. — Me perdoe meu amor, me perdoe, eu te coloquei nesse casamento por temer que eu fosse e você ficasse sozinho, Alexandre me ajudou, ele fez isso por mim. E sinto muito meu filho.
— Papai.
O choro demorou alguns minutos, os dois continuaram abraçados, e na cabeça de Isaak apenas rondava o pensamento se aquele talvez não fosse o último abraço que desse no pai e sentisse seu corpo quente, vivo, contra o seu. Talvez ele morresse em um ou dois dias, ele não saberia e isso o matava por dentro, saber que todo dia seria uma maldita despedida para ele.
— Você não pode me deixar, não pode, de jeito nenhum, não posso aceitar que me deixe.
— Você tem que aceitar, e terá que ser forte. — Ele segura o rosto choroso do filho em suas mãos. — Você poderá escolher meu filho, não serei egoísta, não mais, não deveríamos ter começado esse plano, deveria ter lhe dito a verdade sobre minha doença e manter você ao meu lado pelo resto dos meus dias, mas ao contrário disso, eu fiz novamente o que achei que era certo, mas apenas pensando nos meus sentimentos ao ter que te deixar, não lhe dei o direito de escolher seu futuro. Ao invés de resolver isso e lhe contar a verdade eu novamente deixei que você fosse embora parra o mundo, só que de um jeito diferente. Você quer se casar? Se não, se ainda pensa como no início disso tudo, eu te levarei embora e o casamento será cancelado.
— Eu quero me casar papai, quero casar-me com Henry, mas não posso fazer isso após saber sobre sua doença, não posso fazer isso, não com você nesse estado. Devo ficar ao seu lado. — Marcos encara os olhos chorosos.
— Você ama o Henry?
Isaak acena e Marcos sorrir, ao mesmo tempo em que inicia um novo choro.
— Vocês se acertaram durante esses dias juntos na fazenda?
— Sim papai, mas nada disso importa agora, devo cuidar de você, devemos ver novos médicos, fazer novos exames, procurar expecial...
— Filho.
— Por favor papai, por favor...
— Filho, não tem mais nada que possamos fazer. Não tem. — Isaak abaixa a cabeça, novas lágrimas caindo.
— Isso não pode estar acontecendo, não pode.
— Posso lhe pedir algo? — Isaak acena.
— Você vai se casar hoje, e será o dia mais feliz da sua vida.
— Como poderei fazer isso? como?
— Porque assim eu estarei feliz, porque assim eu poderei ir em paz. — Isaak não sabe se aquilo seria o certo. Ele perdeu tanto tempo já com seu pai, as noites que passou em baladas e motéis bebendo sozinho ele poderia ter passado todos eles ao lado do pai, fazendo programas a noite, juntos, assistindo a filmes, comendo besteiras.
— Não pense no tempo que perdemos, pense no que ainda temos juntos, e quero ver meu único filho casando-se com alguém que ama, tive sorte que pelo menos isso tenha dado certo no final das contas. Verei você casar hoje meu filho. — Isaak acena enquanto seu pai segura seu rosto, Marcos deposita um beijo na testa do filho. — Eu não estou sozinho, tenho você e Alexandre. Meus dois amores. — Isaak o olha em dúvida, Marcos sorrir. — Foi por isso que Alexandre sugeriu te casar com o filho dele, nos apaixonamos a alguns anos e estamos juntos. — Isaak tem os olhos arregalados nesse momento. Apesar da surpresa, o mais novo gostou daquilo, seu sogro era alguém carinhoso e bom, seu pai merecia se apaixonar e ser amado. Ele fica feliz que ao menos ele tem alguém ao lado dele assim como ele agora tem Henry.
No quarto ao lado, Alexandre contava tudo ao filho, que ao escutar os gritos não hesitou em correr em direção a porta para ir atrás do seu amor, mas foi impedido por seu pai, que disse que esse era um momento apenas entre pai e filho, Alexandre segurou seu filho e o abraçou com força quando as lágrimas caíram de seu rosto ao escutar os gritos e choro alto do seu amor.
Faltando pouco para cerimonia, todos pareciam calmos e recompostos, Isaak ainda sentia seu coração comprimido em seu peito, mas como prometeu ao pai, aquele seria o dia mais feliz de sua vida, ele sorriria como nunca. Mostraria ao seu pai que ele iria ficar bem depois que ele partisse. Alexandre antes de descer com Henry para receber os poucos convidados, alguns amigos, passou no quarto do genro e o abraçou, deixou um beijo no rosto do amante e Isaak sorriu verdadeiramente para aquela cena.
Isaak entrou pelo caminho onde pétalas brancas o guiavam pelo jardim ao longo de uma fileira de pessoas até o altar, seu pai o segurava firme pelo braço e entregou ao seu futuro marido, o soltando quando Henry prometeu cuidar e proteger Isaak pelos restos de seus dias, o sim veio minutos depois, ambos tinham sorrisos felizes no rosto, Henry estava lindo com as mesmas vestes que as menor, apenas um pequeno ramo de flores brancas preso perto de seu peito, lírio-do-vale, que significa recomeço mudava algo na veste deles.
Aquele com toda certeza foi o dia mais feliz de sua vida, no dia seguinte todos estavam morando sobre o mesmo teto, Marcos e Alexandre não precisava mais esconder nada, eles viveram felizes pelas semanas seguintes, até que receberam a notícia que Isaak gerava um bebê, Marcos ficou encantado com possibilidade de ainda conhecer seu neto. Os dias iam se enchendo de alegrias, a dor da perda pairava no ar, mas ninguém deixava ela se infiltrar por muito tempo.
Nove meses depois uma linda menina nasceu, Aurora, assim como o nascer do sol, trazendo luz aos dias escuros e acalentado o coração do pai, Marcos viu a pequena neta, a pegou no colo, mas dois dias depois seu corpo não aguentou mais, foi encontrado na banheira por Alexandre, o câncer o havia levado, Isaak aguentou o quanto pode, sofreu no colo de seu amor e se esquentou no calor do pequeno corpo da filha.
Alexandre viveu seu luto, perdera o amor de sua vida e dedicou-se a neta dos dois, e de seu genro, o elo entre eles nunca seria capaz de ser quebrado, aquela pequena criança, sua neta, tinha o sangue dos dois em suas veias.
Ela cresceu rodeada de amor, ouvindo sobre seu avô que foi um grande homem e a amou desde o descobrimento de sua pequena vida.
Henry e Isaak seguiram se amando, cumprindo com o contrato irresistível que deu a eles a chance de amar e tem alguém para chamar de seu, de lar.
Eles foram felizes.
O contrato não foi assinado, porque algo mais forte e único havia surgido entre os dois, o amor.
FIM ???