Capítulo 06 Lasanha

1397 Words
Lasanha Narrando Fala aí, rapaziada! Eu sou do Morro do Borel, mas tô sempre pela quebrada do Morro do Formiga. Sou do movimento, sempre me envolvo, amando o que rola na comunidade. Tenho 20 anos, mas já vejo o mundo de um jeito que quem é mais novo, nem entende. Sou um cara bem vistoso, 1,85m de altura, de um jeito que todo mundo nota, e meu nome é Alexandre, mas aqui, quem me conhece sabe, é Lasanha. E se tem uma coisa que eu sou, é fácil, gostoso e todo mundo gosta. Me tornei famoso, "Menor da Comunidade", sabem como é, né? Mas eu não sou só isso, não. Não sou só um cara bonito e o papo envolvente. Eu também sei o que é proteção, amizade, e, se alguém da minha quebrada precisa, é comigo mesmo. E a parada é que, às vezes, a gente se envolve em situações em que precisa colocar as cartas na mesa e avisar quem é quem. Foi o que aconteceu com a Marília. Ela estava aí com o Luiz, e eu não estava gostando muito do que via, não. Então, decidi dar um toque, mas na moral, sem arrumar treta. Só um papo reto, porque tem coisa que não dá pra deixar passar. Dou aquela observada. Percebo que só tá Ela e Clarinha em casa, respira aliviado, sento em um banco e bato no outro pra ela sentar. Ela dá aquela olhada verificando se não tinha ninguém observando. — Marília, olha só, preciso te falar uma parada. Não quero te assustar, mas você tem que ficar esperta com o Luiz. O cara pode ser quem você menos imagina."– Dou a visão mesmo sabendo que acostumada com a convivência. Ela me olhou com aquele olhar de quem sabe o que está fazendo, mas eu também vi medo nos olhos dela, algo que ela estava tentando esconder, tentando engolir. Só que eu não sou bobo. E eu já passei por muito, eu sei reconhecer quando a pessoa está com um pezinho na dúvida, quando o jogo está virando. Marília — "Eu sei o que você quer dizer, Lasanha. Eu sei, mas agora não é a hora... Ele está aqui por mim e pela minha filhas." – Respiro fundo , levantando os braços se o conselho fosse bom ninguém dava vendia. – "Não é sobre isso, Marília. O cara pode te tratar bem agora, mas você não sabe o que ele está fazendo por trás das cortinas. Não é sempre que o sorriso na cara é o que importa. Fica esperta, se liga nos sinais." – Ela acena com a cabeça e eu fico aliviado pois dei o papo pra ela. Ela ficou em silêncio, me encarando. Eu sabia que, no fundo, ela estava absorvendo cada palavra. Ela estava me ouvindo, mas tinha algo mais na cabeça dela. A insegurança de quem quer acreditar naquilo que quer, e não no que deve. Marília – "E o que você acha que eu devo fazer? Mandar ele embora, por causa do que você acha, ou pelo que eu desconfio?" Não acredito que ele teria coragem de me trair não aqui. – Ela trava os lábios e eu faço o mesmo . Gosto muito de Marília, mas não posso simplesmente chegar metendo o pé, dizendo que tá errado não. Ainda mas porque ela pediu para eu não me meter na vida dela, tô ligado que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher. Mais do mesmo jeito que eu conheço ela eu conheço o Luiz. – "Eu não tô te dizendo o que fazer. Eu tô te alertando. Se você souber, não vai se arrepender. Mas, se for confiar, que seja com os olhos bem abertos." – Ela coloca um leve sorriso no rosto e me dá um beijo na bochecha. Ela ficou pensativa, e eu vi a angústia passar por seu rosto. Eu sabia que aquele papo não ia ser fácil de engolir, mas ela precisava disso. Se não agora, mais tarde, as consequências iam vir. E, quando chegassem, não iam ter como voltar atrás. – Tô indo nessa, vim aqui mesmo só deixar um material que o patrão mandou. – Pela primeira vez em todos esses anos vi um ponto de interrogação no olhar dela. Marília – Acho melhor você ir antes dele chegar, sei muito bem que antes de você ser minha amiga você já era amiga dele. Então pra não estragar essa amizade linda que tem entre a gente e melhor você não fica vindo aqui em casa. – Olho dentro dos olhos dela sorrio pelo nariz e balança a cabeça concordando. – Já é, esquenta com isso não, se depender de mim, ele não vai saber que temos conversado, muito menos que eu tenha passado por aqui sem ele aqui. – Faço sinal, coloco a mão sobre o ombro dela e a pequena resmunga me olhando. Clarinha – titio , Clarinha quer brabaço. – solto a porrä do ar que estava segurando e pego ela no colo dando um beijo. – A gente se esbarra. – jogo beijos pra elas e vou saindo . Dou aquela suspirada olhando para as duas balança a cabeça negandö. Não acredito que ele tá fazendo isso com elas. "Subi na minha moto e desci em direção à barreira. Vi o carro Luiz entrando na comunidade e tive a impressão de que havia alguém dentro. Parei a moto, bati no vidro e fiz ele abrir, todo desconfiado. Ele abriu e enfiei a cara para dentro." — "Ô Luiz, vem cá, quero trocar uma ideia." – Ele não é do movimento mas sabe bem quem eu sou. Ele pode ser mais velho mas tem que trocar uma ideia cabeça. O cara olhou pra mim com aquele sorriso arrogante, mas ele sabia que eu não tava ali pra brincadeira. Ele me conhecia bem o suficiente pra saber que, quando eu aparecia, não era pra fazer graça. Luiz – "Fala, Lasanha. O que você quer?" – Falou todo na ignorância, a vontade de enfiar a mão na cara dele é grande, eu não faço com respeito à Marília. – "Quero que você entenda o seguinte, irmão. Se você aprontar com a Marília, não vai ser legal pra você, não. A mina sempre esteve com tu, e a gente protege quem é da quebrada. Então, se tu acha que vai fazer de conta que tá tudo bem, sem dar satisfação, pode tirar o time de campo. Não vai ser bonito pra tu, não." – Dou logo o papo , mostrando que ela não tá só nessa. Eu falei isso com calma , a calma de quem sabe que o que eu disse tem peso. Luiz me olhou, e eu pude ver a tensão no rosto dele. Ele não era um cara bobo, ele sabia que, se me atravessasse, as consequências iam ser pesadas. Mas o recado estava dado. Luiz – Relaxa, Lasanha. Não tem motivo pra confusão, não. Eu tô só com a Marília, é só isso." – "Eu espero que seja só isso. Mas vou ficar de olho. E, se vacilar, quem vai ter que lidar com a minha visão é tu, entendidos?. – Olho bem na cara dele. Já tem mais ou menos uns dois anos que eu noto o Luiz estranho, e tenho certeza que ele está traindo a Marília. Tô alertando ela todo esse tempo, mas ela só sabe dizer que ele não teria coragem de acreditar. Tô na visão desse filho da putä há mais de ano." O pior dessa porrä é que eu também tô custando acreditar que é com Ludmila. Eu dei as costas e fui embora, deixando o clima tenso no ar. Não sabia como ele ia reagir, mas tinha certeza de que, se ele fosse vacilar, ia se dar m*l. E, no fim das contas, quem vive no morro sabe: confiança é tudo, mas a desconfiança é o que te mantém vivo.. Chego em casa, acendo um baseado e vou para a sacada do meu quarto. Debruçado na janela, as ideias começam a rolar na minha cabeça. Se eu tivesse conhecido Marília antes dela se relacionar com Luiz, eu não tinha deixado sempre soube que ele não prestava. Quando teve contato com ela, ela já estava mais que envolvida e o filho da putä fez esconder ela se geral. Já agiu na porrä da maldade desde aí....
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