Liliane Narrando Eu sempre soube que cuidar da Clarinha não era só um trabalho. Desde o momento que entrei na vida dela e da dona Marília, percebi que aquela menina era um pedaço de luz no meio de tantas sombras. A cada dia, meu vínculo com ela ficava mais forte, e o olhar inocente que ela tinha sobre o mundo só fazia meu coração apertar mais diante de tudo que ela estava enfrentando. Clarinha — Lá na casa do papai... — começou, enquanto eu passava o sabonete com cuidado em seus bracinhos finos. — Eles brigam muito. Toda hora. E quando eu falo alguma coisa... — Ela parou, os olhos se enchendo de lágrimas. — Eles me beliscam, puxam meu cabelo... e às vezes empurram. – Parei de esfregar sua pele delicada e olhei nos olhos dela. — Quem faz isso, Clarinha? — perguntei, tentando manter a vo

