Capítulo 14

1527 Words
O céu escureceu de repente, como se o dia tivesse virado noite. Os trovões começaram a fazer barulho no início da tarde, e quando a tempestade desabou, ninguém esperava que a estrutura antiga da universidade realmente fosse ceder. Mas foi o que aconteceu. O terceiro andar — onde ficava a Sala 204 — foi atingido. Parte do teto caiu perto do corredor e bloqueou a saída de algumas salas. Entre elas, a que Alicia estava. Com Rafael. Sozinhos. Sem sinal de celular. Sem como sair. Presos. — O barulho fez Alicia gritar, assustada. Rafael se aproximou rápido e segurou seus ombros. — Calma. Só caiu o teto de gesso — disse, sem conseguir disfarçar o tom irritado. — A gente tá preso aqui? — ela perguntou, com o coração disparado. — Parece que sim. Silêncio. Eles se olharam, e nos olhos dele… nada de pânico. Só desejo contido. Ou talvez nem tão contido assim. — Passaram os primeiros minutos calados, em cantos opostos da sala. Mas o clima pesado entre eles deixava tudo mais tenso do que o barulho da chuva. Alicia foi quem quebrou o silêncio. — Engraçado… tantas salas, tantos professores… e justo eu e você presos aqui. — Ironia — ele respondeu, seco. Ela se levantou e começou a andar lentamente. Usava um vestido colado, botas até o joelho. Os cabelos caíam soltos nas costas. A cada passo, Rafael desviava o olhar, ou tentava. — Tá fugindo de mim, professor? — Tô tentando não perder o controle. — Medo de mim? Ele sorriu sem humor. — Tenho medo de mim. Você me tira do eixo. — E se for isso que você tá precisando? — Rafael encostou na parede e respirou fundo. O corpo dele gritava por ela. Queria tocá-la, beijá-la, jogá-la naquela mesa e acabar com tudo de uma vez. Mas ainda se segurava. — Você já me assiste pela janela — ela provocou. — Já se imagina me comendo. Por que me evitar aqui dentro? Ela se aproximou devagar, pegou a mão dele e colocou sobre seu quadril. — Vai fugir agora também? Ele fechou os olhos. — Alicia… — Me mostra que é homem o bastante. Ou então vou sair daqui achando que é só pose. Pronto. Foi o que bastou. — Ele a empurrou contra a parede com força. A mão segurando a cintura, a outra nos cabelos. O corpo dele colado ao dela. — Você me provoca como ninguém — rosnou. — Então faz alguma coisa — ela desafiou, sorrindo. Ele a beijou com raiva e fome. Um beijo bruto, desesperado, que arrancou um gemido dela. As línguas se misturavam, os dentes se tocavam. As mãos dele exploravam o corpo dela como se fossem dele. Desceu os dedos pelas coxas dela, por baixo do vestido. — Tá molhada — ele sussurrou com um sorriso torto. — Porque é você — ela gemeu. — Ele enfiou dois dedos nela. Devagar. Fundo. Ela agarrou os ombros dele, ofegante, se contorcendo. — Goza pra mim — ele murmurava. — Quero sentir seu corpo tremer só por causa de mim. Ela gozou ali, contra a parede, mordendo o ombro dele pra não gritar. Quando ele tirou a mão, ainda quente, lambeu os próprios dedos olhando nos olhos dela. — Viu só? Eu te faço gozar sem tirar a roupa. Ela ainda tremia. — E você acha que isso é o suficiente? Ele sorriu. — Não. Mas é o começo. — Depois disso, eles ficaram mais duas horas na sala. Cada um no seu canto, tentando recuperar o controle. Tentando esquecer o que tinha acabado de acontecer. Mas era impossível. Quando os bombeiros arrombaram a porta, encontraram os dois aparentemente calmos. Mas os olhos de Alicia brilhavam. E Rafael… Parecia um homem à beira de explodir de novo. ⸻ O barulho da porta sendo arrombada ecoou como um trovão. Quando ela se abriu, Alicia ajeitou o vestido, o cabelo e forçou um sorriso. Rafael cruzou os braços, a expressão de sempre: fria, seca, quase indiferente. Mas por dentro… ele ainda sentia o cheiro dela na mão. — Meu Deus, Alicia! — gritou Mel, correndo até ela. — Você tá bem? — Tô, tô sim — respondeu, tentando não corar. — Foi só um susto. — Mas você tá tremendo… — Pedro comentou, franzindo a testa. — Quer que a gente te leve pra casa? — Não, eu dou um jeito — ela respondeu, os olhos deslizando discretamente para Rafael. Ele mantinha o queixo erguido, mas os olhos… seguiam cada movimento dela como uma sentença. A direção informou que, por precaução, a faculdade ficaria fechada por três dias para reparos. As aulas seriam online, os professores ficariam disponíveis por e-mail e vídeo — o que significava que, sim, Rafael continuaria por perto. Na mesma rua. Na casa ao lado. E se ele não tomava atitude… ela tomaria. — Naquela tarde, Alicia ficou sozinha. A babá saiu para resolver coisas, Manuela estava com uma amiga. Ela vestiu uma camisola curta de cetim vermelho sem calcinha, prendeu o cabelo num coque bagunçado e colocou uma música baixa no quarto. Dançante. Suja. Provocante. Foi até a janela. Sabia que ele estaria lá. E estava. Rafael segurava um copo de uísque e encarava a rua… ou talvez a janela dela. Ela começou a dançar. Lenta. Sensual. Primeiro os quadris. Depois o peito. Desceu a alça da camisola. A esquerda. Depois a direita. Deixou os s***s à mostra. Passou as mãos sobre eles. Rebolou. Encostou na parede com as pernas afastadas. Rafael deixou o copo cair no chão. Na mesma hora, Alicia viu ele abrir o zíper da calça. O m****o duro, forte. Ele se sentou. Começou a se masturbar. Os olhos dele cravados nela. As coxas tensas. Ela se virou de costas, passou a mão entre as pernas e começou a tocar o próprio c******s com movimentos lentos e profundos. Ele gozou primeiro. Forte. Jogou a cabeça pra trás, grunhindo. E ela, sentindo o g**o dele, se entregou também, gemendo com a testa na janela. Dois loucos. Vizinhos. Completamente entregues. Mas ainda assim… sem se tocar. — À noite, Alicia pegou o celular e mandou mensagem para Lucas: “Tô sozinha em casa. Vem?” Ele chegou em vinte minutos. Ela o recebeu com uma camisola azul claro e um sorriso provocante. Subiram direto. Ela montou nele no sofá. Beijou com força. Precisava sentir prazer, mesmo que fosse por raiva. Tirou a camisola sem pressa. Abriu a calça dele. E se encaixou devagar. Rebolou em cima dele com os olhos fechados. Gemia seu nome… mas o rosto que via era o de Rafael. Enquanto isso… Na casa ao lado, Rafael tomava banho. Tentava esquecer. Mas ao olhar pela janela, viu o reflexo de algo no vidro: Alicia sentada no colo de Lucas. Ela de costas, rebolando. Os cabelos vermelhos balançando. Ele socou a parede com tanta força que a mão sangrou. — Depois que Lucas foi embora, Alicia ficou em silêncio no quarto. Ligou para a babá, que estava dormindo na casa da prima. — Manuela tá bem? — Dormindo como um anjo. — Você… sente falta da minha mãe, Teresa? A voz da babá ficou mais calma. — Eu sinto. Mas acho que ela sente mais falta de você do que admite. Ela nunca soube lidar com a dor. Alicia engoliu em seco. — Será que um dia ela vai voltar pra mim? — Filha, você é tudo que ela tem. Ela só precisa de tempo pra entender isso. Alicia desligou com os olhos marejados. — Na manhã seguinte, Rafael foi visitar o pai. Levou flores. E livros. — Oi, pai… trouxe aquele de suspense que você gostava. O velho não o reconheceu de novo. — Você é… meu médico? Rafael sorriu sem mostrar os dentes. — Sou seu filho, pai. Rafael. O homem ficou em silêncio, mas pegou o livro com carinho. — O senhor tá bem cuidado — comentou a enfermeira. — Mas o que falta pra ele mesmo é o senhor aparecer mais. — Tô tentando — ele murmurou. Na saída, ficou no carro por alguns minutos. Olhando pro nada. “Minha mãe morreu me colocando no mundo. E agora eu tô… me perdendo por uma aluna.” Fechou os olhos. Mas Alicia não era só uma aluna. Era um vício. Um incêndio. Um castigo. Uma redenção. Tudo junto. — Mais tarde, Alicia recebeu uma ligação inesperada. — Filha? — Mãe? — Só liguei pra dizer que… eu pensei em você ontem. Sonhei com seu pai. Acordei chorando. Alicia mordeu o lábio. — Eu também sonhei com ele esses dias. — Eu sinto muito por ter ido embora. — Eu sei. Mas a Manuela sente sua falta. E eu também. — Você pode voltar. Silêncio do outro lado. Depois, a resposta: — Ainda não. Mas eu tô tentando. — À noite, Alicia voltou para casa. Sentou na janela com uma taça de vinho. Olhou diretamente para a janela de Rafael. Ele estava lá. O corpo à mostra. Sem vergonha. Ela levantou a taça, como um brinde silencioso. Ele respondeu com um sorriso enviesado. E a guerra de desejo entre os dois estava longe de terminar.
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