O céu escureceu de repente, como se o dia tivesse virado noite. Os trovões começaram a fazer barulho no início da tarde, e quando a tempestade desabou, ninguém esperava que a estrutura antiga da universidade realmente fosse ceder.
Mas foi o que aconteceu.
O terceiro andar — onde ficava a Sala 204 — foi atingido. Parte do teto caiu perto do corredor e bloqueou a saída de algumas salas. Entre elas, a que Alicia estava. Com Rafael.
Sozinhos.
Sem sinal de celular.
Sem como sair.
Presos.
—
O barulho fez Alicia gritar, assustada. Rafael se aproximou rápido e segurou seus ombros.
— Calma. Só caiu o teto de gesso — disse, sem conseguir disfarçar o tom irritado.
— A gente tá preso aqui? — ela perguntou, com o coração disparado.
— Parece que sim.
Silêncio.
Eles se olharam, e nos olhos dele… nada de pânico. Só desejo contido.
Ou talvez nem tão contido assim.
—
Passaram os primeiros minutos calados, em cantos opostos da sala. Mas o clima pesado entre eles deixava tudo mais tenso do que o barulho da chuva.
Alicia foi quem quebrou o silêncio.
— Engraçado… tantas salas, tantos professores… e justo eu e você presos aqui.
— Ironia — ele respondeu, seco.
Ela se levantou e começou a andar lentamente. Usava um vestido colado, botas até o joelho. Os cabelos caíam soltos nas costas. A cada passo, Rafael desviava o olhar, ou tentava.
— Tá fugindo de mim, professor?
— Tô tentando não perder o controle.
— Medo de mim?
Ele sorriu sem humor.
— Tenho medo de mim. Você me tira do eixo.
— E se for isso que você tá precisando?
—
Rafael encostou na parede e respirou fundo. O corpo dele gritava por ela. Queria tocá-la, beijá-la, jogá-la naquela mesa e acabar com tudo de uma vez.
Mas ainda se segurava.
— Você já me assiste pela janela — ela provocou. — Já se imagina me comendo. Por que me evitar aqui dentro?
Ela se aproximou devagar, pegou a mão dele e colocou sobre seu quadril.
— Vai fugir agora também?
Ele fechou os olhos.
— Alicia…
— Me mostra que é homem o bastante. Ou então vou sair daqui achando que é só pose.
Pronto.
Foi o que bastou.
—
Ele a empurrou contra a parede com força. A mão segurando a cintura, a outra nos cabelos. O corpo dele colado ao dela.
— Você me provoca como ninguém — rosnou.
— Então faz alguma coisa — ela desafiou, sorrindo.
Ele a beijou com raiva e fome. Um beijo bruto, desesperado, que arrancou um gemido dela. As línguas se misturavam, os dentes se tocavam. As mãos dele exploravam o corpo dela como se fossem dele.
Desceu os dedos pelas coxas dela, por baixo do vestido.
— Tá molhada — ele sussurrou com um sorriso torto.
— Porque é você — ela gemeu.
—
Ele enfiou dois dedos nela.
Devagar.
Fundo.
Ela agarrou os ombros dele, ofegante, se contorcendo.
— Goza pra mim — ele murmurava. — Quero sentir seu corpo tremer só por causa de mim.
Ela gozou ali, contra a parede, mordendo o ombro dele pra não gritar.
Quando ele tirou a mão, ainda quente, lambeu os próprios dedos olhando nos olhos dela.
— Viu só? Eu te faço gozar sem tirar a roupa.
Ela ainda tremia.
— E você acha que isso é o suficiente?
Ele sorriu.
— Não. Mas é o começo.
—
Depois disso, eles ficaram mais duas horas na sala. Cada um no seu canto, tentando recuperar o controle. Tentando esquecer o que tinha acabado de acontecer.
Mas era impossível.
Quando os bombeiros arrombaram a porta, encontraram os dois aparentemente calmos. Mas os olhos de Alicia brilhavam. E Rafael…
Parecia um homem à beira de explodir de novo.
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O barulho da porta sendo arrombada ecoou como um trovão. Quando ela se abriu, Alicia ajeitou o vestido, o cabelo e forçou um sorriso. Rafael cruzou os braços, a expressão de sempre: fria, seca, quase indiferente. Mas por dentro… ele ainda sentia o cheiro dela na mão.
— Meu Deus, Alicia! — gritou Mel, correndo até ela. — Você tá bem?
— Tô, tô sim — respondeu, tentando não corar. — Foi só um susto.
— Mas você tá tremendo… — Pedro comentou, franzindo a testa. — Quer que a gente te leve pra casa?
— Não, eu dou um jeito — ela respondeu, os olhos deslizando discretamente para Rafael.
Ele mantinha o queixo erguido, mas os olhos… seguiam cada movimento dela como uma sentença.
A direção informou que, por precaução, a faculdade ficaria fechada por três dias para reparos. As aulas seriam online, os professores ficariam disponíveis por e-mail e vídeo — o que significava que, sim, Rafael continuaria por perto. Na mesma rua. Na casa ao lado.
E se ele não tomava atitude… ela tomaria.
—
Naquela tarde, Alicia ficou sozinha. A babá saiu para resolver coisas, Manuela estava com uma amiga. Ela vestiu uma camisola curta de cetim vermelho sem calcinha, prendeu o cabelo num coque bagunçado e colocou uma música baixa no quarto. Dançante. Suja. Provocante.
Foi até a janela.
Sabia que ele estaria lá.
E estava.
Rafael segurava um copo de uísque e encarava a rua… ou talvez a janela dela.
Ela começou a dançar.
Lenta. Sensual.
Primeiro os quadris. Depois o peito.
Desceu a alça da camisola. A esquerda. Depois a direita.
Deixou os s***s à mostra.
Passou as mãos sobre eles. Rebolou. Encostou na parede com as pernas afastadas.
Rafael deixou o copo cair no chão.
Na mesma hora, Alicia viu ele abrir o zíper da calça.
O m****o duro, forte. Ele se sentou. Começou a se masturbar.
Os olhos dele cravados nela. As coxas tensas.
Ela se virou de costas, passou a mão entre as pernas e começou a tocar o próprio c******s com movimentos lentos e profundos.
Ele gozou primeiro. Forte. Jogou a cabeça pra trás, grunhindo.
E ela, sentindo o g**o dele, se entregou também, gemendo com a testa na janela.
Dois loucos. Vizinhos. Completamente entregues.
Mas ainda assim… sem se tocar.
—
À noite, Alicia pegou o celular e mandou mensagem para Lucas:
“Tô sozinha em casa. Vem?”
Ele chegou em vinte minutos.
Ela o recebeu com uma camisola azul claro e um sorriso provocante. Subiram direto.
Ela montou nele no sofá. Beijou com força.
Precisava sentir prazer, mesmo que fosse por raiva.
Tirou a camisola sem pressa.
Abriu a calça dele.
E se encaixou devagar.
Rebolou em cima dele com os olhos fechados. Gemia seu nome… mas o rosto que via era o de Rafael.
Enquanto isso…
Na casa ao lado, Rafael tomava banho. Tentava esquecer.
Mas ao olhar pela janela, viu o reflexo de algo no vidro: Alicia sentada no colo de Lucas.
Ela de costas, rebolando.
Os cabelos vermelhos balançando.
Ele socou a parede com tanta força que a mão sangrou.
—
Depois que Lucas foi embora, Alicia ficou em silêncio no quarto.
Ligou para a babá, que estava dormindo na casa da prima.
— Manuela tá bem?
— Dormindo como um anjo.
— Você… sente falta da minha mãe, Teresa?
A voz da babá ficou mais calma.
— Eu sinto. Mas acho que ela sente mais falta de você do que admite. Ela nunca soube lidar com a dor.
Alicia engoliu em seco.
— Será que um dia ela vai voltar pra mim?
— Filha, você é tudo que ela tem. Ela só precisa de tempo pra entender isso.
Alicia desligou com os olhos marejados.
—
Na manhã seguinte, Rafael foi visitar o pai. Levou flores. E livros.
— Oi, pai… trouxe aquele de suspense que você gostava.
O velho não o reconheceu de novo.
— Você é… meu médico?
Rafael sorriu sem mostrar os dentes.
— Sou seu filho, pai. Rafael.
O homem ficou em silêncio, mas pegou o livro com carinho.
— O senhor tá bem cuidado — comentou a enfermeira. — Mas o que falta pra ele mesmo é o senhor aparecer mais.
— Tô tentando — ele murmurou.
Na saída, ficou no carro por alguns minutos. Olhando pro nada.
“Minha mãe morreu me colocando no mundo. E agora eu tô… me perdendo por uma aluna.”
Fechou os olhos.
Mas Alicia não era só uma aluna. Era um vício. Um incêndio. Um castigo. Uma redenção. Tudo junto.
—
Mais tarde, Alicia recebeu uma ligação inesperada.
— Filha?
— Mãe?
— Só liguei pra dizer que… eu pensei em você ontem. Sonhei com seu pai. Acordei chorando.
Alicia mordeu o lábio.
— Eu também sonhei com ele esses dias.
— Eu sinto muito por ter ido embora.
— Eu sei. Mas a Manuela sente sua falta. E eu também.
— Você pode voltar.
Silêncio do outro lado.
Depois, a resposta:
— Ainda não. Mas eu tô tentando.
—
À noite, Alicia voltou para casa. Sentou na janela com uma taça de vinho. Olhou diretamente para a janela de Rafael.
Ele estava lá.
O corpo à mostra.
Sem vergonha.
Ela levantou a taça, como um brinde silencioso.
Ele respondeu com um sorriso enviesado.
E a guerra de desejo entre os dois estava longe de terminar.