Capítulo 12

1922 Words
⸻ A semana começou com um calor estranho na cidade. O tipo de calor que gruda na pele e parece nascer de dentro. Alicia caminhava pelos corredores da faculdade com o cabelo preso num coque malfeito, uma blusa branca justa que desenhava o corpo e os olhos escondidos atrás de óculos escuros. Lucas andava ao lado dela, animado, como sempre. Os dois pareciam o casal do momento. Mas por dentro, Alicia estava em ruínas silenciosas. Tentava ignorar os impulsos, as comparações, o nome que surgia em cada espaço vazio da mente: Rafael. — Vai passar na minha casa hoje? — Lucas perguntou, segurando sua mão. — Pode ser — respondeu, forçando um sorriso. — Prometo não te seduzir… muito. Ela riu, mas o sorriso não subiu aos olhos. — No mesmo prédio, Rafael Calderon andava como uma sombra afiada. Terno impecável, postura ereta, olhar de gelo. Mas por dentro, ele estava um campo minado prestes a explodir. Na noite anterior, havia passado horas na mansão. Vasculhou documentos antigos, registros, e finalmente encontrou algo mais concreto: uma certidão de nascimento antiga. Nome da mãe: Lúcia Maria Vasquez Calderon. Nome do avô materno: Otávio Vasquez. Vasquez. O mesmo sobrenome da garota que tirava seu sono. Seu coração acelerou. Havia uma chance real de Alicia estar ligada à sua mãe. À sua tragédia. À sua escuridão. Mas como? Ele precisava de respostas antes que fosse tarde demais. — Na hora do almoço, os amigos se reuniram na cantina como de costume. Guilherme contava piadas, Mel falava sobre seu TCC, e Alicia tentava parecer presente. Mas seus olhos não saíam da entrada, até que finalmente ele entrou. Rafael. Os olhares se cruzaram. Um segundo. Dois. Um universo inteiro. Lucas, ao lado dela, segurou sua mão, beijando seus dedos. Rafael desviou o olhar, mas a mandíbula trincada denunciava o veneno crescendo por dentro. — Ele tá se mordendo — sussurrou Mel. — E você gosta, né? — completou Júlia. — Não. Eu odeio. — Alicia respondeu, bebendo o suco de uma vez. Mas era mentira. E todos sabiam. — Naquela tarde, Rafael deu aula como se nada o abalasse. Frio, direto, impiedoso com os alunos. Mas quando Alicia levantou a mão para responder um questionamento sobre crimes passionais, o tom dele mudou. — Senhorita Vasquez, já que está tão segura, nos diga… Qual a pena mínima para homicídio qualificado por motivo torpe? Ela respondeu sem hesitar, com calma. — Doze anos. Artigo 121, parágrafo segundo, inciso I do Código Penal. Rafael arqueou uma sobrancelha. — Impressionante. Não esperava menos de você. A turma toda ficou em silêncio. Era o segundo elogio dele em público. Lucas a olhou surpreso. Alicia mordeu o canto do lábio. O peito dela martelava. Ela odiava o poder que aquele homem tinha sobre ela. — Horas depois, Alicia foi até a biblioteca pegar um livro sobre direito penal. Estava sozinha no corredor entre as estantes quando sentiu a presença antes mesmo de vê-lo. Rafael. Ele parou ao lado dela, sem dizer nada. — Quer me seguir até em silêncio agora? — ela disse, sem virar o rosto. — Você não sabe o que está fazendo, Alicia. Ela virou-se para ele, com o peito erguido. — Ah, eu sei muito bem. Estou vivendo. Tentando esquecer o professor que me quer só quando está perdendo. — Você acha que eu não te quero? Ela arqueou uma sobrancelha, desafiadora. — Acho que você só quer t*****r até perder o juízo, mas não quer lidar comigo no café da manhã. Rafael se aproximou, a voz grave como trovão contido. — Eu te quero em todas as horas do dia. Mas te querer me assusta mais do que você pode imaginar. Ela sorriu com sarcasmo. — Isso não é problema meu. Você que lide com seus fantasmas. Eu já tô lidando com os meus sozinha há tempo demais. Ele se aproximou mais. Ela sentiu o calor do corpo dele. A respiração misturada. — Cuidado, Alicia — sussurrou ele, com os olhos cravados nos dela. — A linha entre o desejo e a destruição é tênue. E nós dois somos dinamite. Ela o empurrou levemente, tentando manter o controle. — Então explode sozinho. Eu não quero morrer com você. E saiu. Mas as pernas tremiam. — Naquela noite, Alicia passou na casa de Lucas como prometido. Eles jantaram, viram filme e transaram de novo. Mas por dentro, ela sentia que estava se castigando. Lucas era incrível, carinhoso, bom de cama. Mas não era Rafael. E isso a corroía. Enquanto isso, Rafael vasculhava mais papéis na mansão. Achou uma foto antiga de sua mãe com um bebê no colo. No verso, escrito à mão: “Minha pequena Alicia.” Ele largou a foto com as mãos trêmulas. — Não pode ser. Não pode ser ela… Mas o coração dele já sabia. O destino estava brincando com fogo. E ele era o fósforo riscado. — Na manhã seguinte, Alicia chegou na faculdade com Lucas de mãos dadas. Rafael os observou do alto da escada, os olhos turvos de ódio e t***o. O ciúme era uma faca cravada fundo. Durante a aula, ele a ignorou. Mas quando ela saiu primeiro, ele foi atrás. — Preciso conversar com você. — Sobre? — ela virou-se, fria. Ele hesitou. Não podia contar ainda. — Sobre… a sua prova. Vamos conversar sobre seu desempenho mais tarde, no meu gabinete. Ela sorriu, sarcástica. — Agora você quer desempenho? E saiu. Mas o corpo dela tremia. E o dele queimava por dentro. — No fim do dia, Alicia deitou com Lucas. Mas quando fechou os olhos, imaginou o toque de outro homem. E Rafael, sozinho na mansão, encostou a testa na janela com a foto da mãe nas mãos e o coração em chamas. Se Alicia fosse mesmo parte daquele passado… tudo estava prestes a ruir. Alicia tirou a blusa branca na frente do espelho com naturalidade. O sutiã já havia ido para o chão. Seu pijama era só uma camisola fina, de cetim escuro, que m*l cobria a metade das coxas. Com os cabelos soltos e o corpo ainda quente do banho, ela andou até a janela do quarto para fechar a cortina, sem saber que estava sendo assistida. Na casa ao lado, entre sombras e o silêncio da mansão herdada, Rafael Calderon segurava um copo de uísque — pela primeira vez em anos, sem bebê-lo. O gelo derretia enquanto seus olhos estavam colados nela, como um predador prestes a devorar a presa. A luz suave iluminava o corpo de Alicia. A pele parecia brilhar. Os cabelos vermelhos caiam pelas costas. Quando ela se virou de lado, os s***s se delinearam sob o tecido. E ao se curvar para tirar o short, ele percebeu: ela não usava calcinha. O líquido no copo tremeu. O maxilar dele travou. Ela estava ali, exposta, linda… e com outro homem. Rafael sabia que Lucas ainda estava na casa dela. E o pensamento daquelas mãos — outras mãos — tocando onde ele queria tocar fazia o sangue dele ferver. Alicia, sem saber de nada, riu alto no quarto. Lucas entrou no campo de visão logo depois, tirando a camiseta. Rafael socou a parede. — Alicia deslizou sobre Lucas na cama como se procurasse esquecer de si mesma. Ele era bonito, carinhoso, sabia exatamente onde tocar — mas não era o Rafael. Mesmo assim, ela forçou o corpo a se entregar. Estava cansada de viver acorrentada a um homem que fingia que ela não existia quando era conveniente. Os gemidos dela encheram o quarto. Lucas apertava sua cintura, a língua deslizava pelo ventre. Ela mordeu o lábio para não chamar outro nome. Quando gozou, não foi por ele. Foi pela raiva. Pela revolta. Pelo desejo de libertar algo preso demais. — Mais tarde, quando o relógio marcou duas da manhã, Alicia desceu com Lucas até o carro. A camisola dançava contra a brisa quente. Sem calcinha. Sem sutiã. Sem culpa. — Te vejo amanhã? — perguntou Lucas, abrindo a porta do carro. — A gente se fala — respondeu com um sorriso provocante, dando um beijo rápido. Mas quando se virou para subir, foi empurrada com força delicada contra a parede lateral do prédio. A mão firme segurava sua nuca, os dedos entre os fios vermelhos. — Tá brincando com fogo, Vasquez. Rafael. O coração de Alicia disparou. Ela o reconheceu pelo cheiro, pela presença, pela voz rouca que parecia arranhar por dentro. — Me solta. Você é doido? — Você me enlouquece — ele sussurrou, a boca perigosamente próxima da dela. — Dorme com aquele o****o… e nem me dá o gosto de encostar em você? — Você não quis me comer, outro quis — ela respondeu, com raiva. — E eu deixei. Problema? Ele rosnou. Segurou mais forte sua nuca. E a beijou. Um beijo bruto, desesperado, que misturava ódio, t***o e posse. As línguas se encontraram com fúria. Ela gemeu contra a boca dele, os corpos colados, a camisola subindo com o vento e a excitação. A mão dele desceu pelas costas nuas, parou na curva da cintura. Desceu mais. Alicia arfou. — Rafael… — sussurrou, com a voz embargada. Os dedos dele deslizaram entre as pernas dela, encontrando o centro do desejo já molhado. — Tá assim por causa dele? — perguntou, com os olhos cravados nos dela. — Ou por causa de mim? Ela tentou responder, mas só gemeu alto quando ele deslizou os dedos em movimentos circulares, habilidosos, sujos, deliciosamente dominadores. Alicia se contorcia contra a parede. — Rafael… para… alguém pode ver… — Quero que vejam — murmurou ele no ouvido dela. — Quero que saibam que essa b****a é minha. Dois dedos, dentro. A palma pressionando o c******s. Os gemidos dela abafados no ombro dele. Ela gozou. Com força. As pernas tremeram. — Tá vendo? — ele sussurrou. — Goza rapidinho pra mim. Imagina quando eu te f***r inteira. Ela respirava com dificuldade. O corpo colado à parede. A pele queimando. Ele se afastou, passando o polegar nos lábios dela. — Tô morando aqui do lado. E não quero mais ver aquele i****a entrando na sua casa. Não quero ele tocando no que é meu. Virou-se e saiu, andando como se nada tivesse acontecido. Alicia ficou ali, imóvel. O peito subindo e descendo. Os olhos cheios de raiva e desejo. — Vai se ferrar, Rafael! — gritou. Mas ele já havia desaparecido. — De manhã, ela acordou com a irmãzinha pulando na cama. — Leeeeia, faz panqueca! — implorava a pequena Manuela. — Meu Deus… são sete da manhã — resmungou Alicia, sorrindo e puxando a menina para perto. A presença da irmã era o alívio de que precisava. A babá, Dona Teresa, já estava na cozinha com a mesa posta. — Dormiu bem, menina? — perguntou a babá com carinho. — Mais ou menos — respondeu, beijando-lhe a testa. — Mas só de ver vocês duas já melhora tudo. — Na faculdade, Rafael passou por ela no corredor. Olhou. Ignorou. Como se nada tivesse acontecido. Alicia bufou. Como ele conseguia ser tão c***l? Como podia tocá-la daquela forma e depois fingir que ela era invisível? Lucas veio ao seu encontro com flores. Beijou sua testa. — Pra minha musa do direito. Ela sorriu, abraçando-o. Mas o olhar dela foi direto para o fim do corredor, onde Rafael, de costas, andava com o coração batendo no mesmo ritmo descompassado que o dela. Ela sabia: ele era uma maldição que ela ainda não sabia como sobreviver. E não fazia ideia… de que tudo estava apenas começando
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