Dario
A energia muda meu redor. Estou pronto. Todos nós estamos. Pronto para matar.
As portas do elevador se abrem e eu olho para a câmera, com um sorriso largo. Eu viro meu dedo médio para cima. Quero ter certeza de que Petrov sabe que fui eu quem a levou. Quero que ele não tenha dúvidas. E quero que ele saiba que irei atrás dele em seguida.
A música clássica vem de dentro da cobertura. Eu me pergunto se isso é para fazer com que o que está acontecendo lá dentro pareça civilizado. Elegante até. Tenho certeza de que o que está acontecendo com ela é tudo menos isso. Ouço risadas, copos tilintando. Parece uma maldita festa. Mas acho que para eles é.
Os dois homens que estão dentro da suíte levam um momento para parar de olhar para mim e perceber que não somos convidados. Eles demoram mais um tempo para registrar as armas que carregamos enquanto meus homens se espalham e o som de rifles automáticos com silenciador interrompe a música clássica. Armas estão em punho, balas voando.
Mudo meu olhar para dois dos convidados parados perto da janela, com bebidas na mão, apenas esperando sua vez para ela. Algo neles, em particular, me irrita. Talvez seja a sua postura casual, o seu jeito descontraído. Talvez sejam seus rostos satisfeitos e sorridentes. Seja o que for, eu desvio do plano. Eu deveria ir direto para o quarto. Agarre-a. Sair.
Mas não posso.
Talvez seja porque eu quero o sangue deles em minhas mãos. Talvez seja porque eu gosto de matar.
De qualquer forma, esta noite, eles morrem.
Por um momento me pergunto se os doentes são pai e filho. Eles compartilham o mesmo queixo torto. Quando o mais novo me vê chegando, seu sorriso se transforma em uma expressão de terror. O pai é mais rápido. Sua arma está em sua mão, mas não antes de eu mirar entre seus olhos e puxar o gatilho. Seu corpo estremece, o copo de uísque escorrega de sua mão. Quebrando-se contra o piso de madeira polida.
O mais novo olha chocado para mim, para ele e de volta para mim. Ele dá um passo para trás. Eu dou um para frente. Abaixando minha arma, pego a adaga em meu quadril. Ele abre a boca para gritar como uma garotinha quando eu empurro o grito em sua barriga e o puxo com um puxão rápido da minha mão.
O grito se transforma em um grunhido ou engasgo ou alguma combinação de ambos. Suas mãos se fecham em torno das minhas, o corpo curvado para frente enquanto dou mais um puxão antes de empurrá-lo para trás e puxar minha faca de seu estômago. Ele está caído, sangrando ao lado do querido pai. Limpo a lâmina na perna da calça antes de recolocá-la no coldre. Eu deveria lavar minhas mãos.
Mas então eu ouço. O grito abafado. Seu grito.
E algo me atrai como se eu estivesse ligado a isso. A garota que se tornou minha obsessão.
Viro-me em direção ao som que vem de trás de uma porta fechada e, por um momento, não consigo me mover. Apenas por um momento. Então estou caminhando em direção ao que deve ser um quarto.
Ela grita de novo, desta vez mais alto enquanto eu chuto a porta, surpreendendo o soldado com uma ereção. Ele está observando o homem pairando sobre a mulher magra na cama. Aquele homem está com as calças abaixadas até os joelhos. Não perco tempo com o soldado. Apenas coloco uma bala entre seus olhos e ele cai instantaneamente.
O homem sai da cama em pânico e eu a vejo. Pela primeira vez em quinze anos, eu a vejo.
Esta escuro aqui. As luzes diminuíram. Cortinas pesadas fechadas.
Mas é ela.
E novamente, por um momento, estou paralisado.
Ela está nua na cama tentando se esconder. Claro, ela está nua. O que eu pensei que eles estariam fazendo aqui, jogando cartas? Seu rosto é emoldurado por longos cabelos loiros e brancos, seus olhos brilhantes, brilhantes e arregalados de terror.
— Eu paguei, p***a — o homem começa, forçando minha atenção para longe dela. Devolvendo-o para ele. Ele vai se arrepender disso em cerca de um segundo, porque a raiva dentro de mim se tornou uma coisa viva e que respira. A pulsação acende um fogo em minhas veias.
Ele finalmente colocou o p*u flácido de volta nas calças e está fechando o zíper.
— Petrov concordou que eu iria primeiro. —
— É mesmo? — pergunto, dando um passo em direção ao homem que deve ter sessenta anos. Maldito pervertido. — Petrov não está aqui, está? Mas vou te dizer uma coisa. — Eu ergo minha arma, chego perto o suficiente para que as pontas das minhas botas toquem as pontas dos sapatos dele. — Você pode ir primeiro. Direto para o inferno.— Levanto a pistola um pouco, só para que fique na altura do p*u dele, e puxo o gatilho.
Ele grita e ela também. Ela está se contorcendo. Ela deveria.
— Precisamos nos mover — diz Mattia, tocando seu fone de ouvido. — Os soldados estão a caminho.
Eu arrasto meu olhar do pervertido que segura o lugar onde seu p*u costumava estar e olho para ela. Novamente, é como se eu estivesse impressionado. Paralisado.
— Dario! — É o Mattia.
Afasto a sensação estranha e vejo como o sangue dele respingou em seu rosto e cabelo como uma mancha. Como algo sujo em algo limpo. Uma coisa pura. Ela está com os olhos arregalados, a boca aberta em um O atordoado, segurando um travesseiro contra si mesma para esconder sua nudez.
Aproximo-me do homem caído no chão e coloco a sola do sapato sobre suas mãos ensanguentadas. Eu pressiono.
— Quantos anos você tem?
— O que? p***a. p***a! Dói pra c*****o! — Ele soluça.
Eu me agacho, pego um punhado de cabelo e puxo para fazê-lo olhar para mim.
— Quantos anos você tem?
— Sessenta e dois.
— Você tem idade suficiente para ser a p***a do avô dela, bastardo.
— Petrov… ele disse…
— Você colocou seu p*u dentro dela?
— O que?
— Você colocou seu p*u velho e enrugado dentro dela?
Ele tenta balançar a cabeça.
— Não. Não, eu queria olhar... eu... Petrov...
Levo minha arma até sua barriga e puxo o gatilho. Não quero ouvir mais nenhuma palavra dele.
Uma mão pesada cai sobre meu ombro.
— Dario.
Viro-me para olhar para Mattia, ainda a olhando na minha periferia, sentindo coisas que não deveria estar sentindo, nem aqui, nem agora.
— Temos que ir embora — diz Mattia com urgência.
Dou um passo em direção à garota, mas quando ela vê meu rosto, ela recua. Paro e recuo para a sombra. Eu deveria saber que ela se assustaria com minha maldita cicatriz. Eu pereço um homem m*l com ela.
— Onde estão suas roupas? — pergunto, tentando suavizar minha voz. É impossível. Ela está apavorada. Eu vejo isso.
Ela aponta a mão trêmula para um vestido verde claro pendurado nas costas de uma cadeira. Eu pego e entrego para ela.
— Coloque. Depressa.
Ela balança a cabeça, mas está tremendo demais para realmente vestir o vestido. Do lado de fora ouço o helicóptero.
— Sessenta segundos antes de termos uma dúzia de soldados sobre nós — avisa Mattia. — Estamos encurralados aqui.
Coloco minha arma no coldre, pego o vestido dela e o empurro pela cabeça dela. É largo e longo, um vestido de verão para um dia de inverno. Sem hesitar, passo um braço em volta dela e a levanto por cima do ombro. Ela solta um grito, mas estamos saindo do quarto, Mattia e meus homens nos meus calcanhares. Corremos para a porta que leva ao telhado onde o helicóptero nos espera.
Os soldados de Petrov estão próximos. Ouço suas botas ecoando pela cobertura enquanto abro a porta e a entrego a Mattia. Ele a colocará no helicóptero.
A porta abaixo se abre, batendo contra a parede enquanto o último dos meus homens sai. Vejo o primeiro soldado de Petrov e ignoro os gritos de Mattia para que eu suba no helicóptero. Quero ter certeza de que minha mensagem chegará a Petrov esta noite. Então, eu atiro, abatendo os três primeiros antes que uma bala atinja meu braço. Uma dor lancinante me atravessa. A memória me leva a um lugar diferente, a uma época diferente. Solto a porta e m*l consigo entrar no helicóptero quando ele decola, saindo do alcance das balas.