Capítulo 2

815 Words
Lembro-me de quando éramos mais novos e Cris me chamou de linda e disse que íamos casar. Aquele dia é inesquecível para mim, foi em mais um dos almoços de domingo na casa dos meus padrinhos, seus pais. Estávamos todos ensaiando eu Cristiane, Bia nossa amiga da academia de dança, Cris e Derek amigo – irmão do Cris que sempre estava junto com agente, com o tempo ele se tornou meu amigo também, sempre muito brincalhão, não levava nada a sério , sedutor, galanteador, mas sempre me respeitou, tínhamos uma ligação meio que de irmãos, eu o via como um irmão mais velho. E com passar do tempo foi o que realmente aconteceu, eu mau sabia que ele seria o meu porto seguro. Bom eles estavam ajudando eu e a Cristiane a ensaiar uma dança para a festa junina que ia ter na academia de dança. Eu era a noiva e Cris o noivo. Minha professora falava que éramos o par perfeito, feitos um para o outro, então ela o convidou, e ele aceitou ser meu par. Nós ensaiamos, dançamos e também fizemos uma cena como se fossemos casar. No momento que ele me olha segura as minhas mãos e soltou as palavras que quase me fez perder o fôlego: — Você é linda a mais bela de todas as rosas, delicada com uma seda, você faz com que o tempo pare quando estou ao seu lado. Eu te amo, você me aceita como seu esposo hoje e para toda eternidade? Ele faz um carinho com os dedos em meu rosto, um carinho delicado e cheio de sentimentos. Em seguida beija o canto do meu lábio, naquele momento eu me perdi no olhar dele pela primeira vez, ali percebi que queria que aquilo tudo não fosse uma cena, queria que fosse real, pois senti meu coração bater em disparado, minhas mãos suavam, um frio na barriga, minhas pernas tremendo , tudo ao mesmo tempo. Eu paralisei foram segundos mas para mim uma eternidade, sai do meu transe com meu pai chegando e falando com Cris. — E aí tá querendo ficar manco? Menos, menos minha borboletinha ainda e muito bebê para você moleque. Cris fica branco, quando a ficha caiu — foi divertido ver a cara dele . — Calma aí tio e só uma cena para dança. Temos que ser realistas né — diz meio que se desculpando, mas sem graça. Nossos olhares se conectaram, nós sentimos, não era cena, era real. E assim como nós sentimos, minha madrinha que sempre estava ao meu lado e sempre dizia que um dia eu seria não apenas sua afilhada e sua filha de coração , que também seria sua nora. Ela sempre soube que nossos destinos estavam cruzados desde o momento que eu era uma bebê e Cris me conheceu. Ela dizia que o olhar dele para mim ali, já era amor. Nossas almas haviam se encontrado, pois foi só ele me olhar e chegar perto de mim que eu parei de chorar e abri um lindo sorriso. Minha madrinha e suas fantasias, me divertia com ela. Ela se aproximou para irritar ainda mais o meu pai. — Deixa as crianças Otávio estão só ensaiando, deixa de ser ciumento e rabugento. — pausa por um instante e volta a chamar sua atenção — Apesar de que você sabe que está cena está escrita no destino deles não sabe — meu pai vira a cara emburrado e ela gargalha da cara de raiva do meu pai. Ela ama provocar ele dizendo que vou ser nora dela. Neste dia com o olhar e palavras de Cris que eu me apaixonei completamente por ele. Mesmo achando que seria impossível ele me vê como uma mulher e não como amiga e irmã que é como ele me chamava. Este dia foi nosso último almoço de domingo tranquilo, pois meus pais já não andavam se entendendo e, naquela semana, resolveram enfim colocar um ponto final no relacionamento de 14 anos deles. Eu fiquei muito perdida sabia que eles já não eram mais tão felizes como antes, havia sim ainda um carinho, um respeito, eles nunca foram de brigar na minha frente, mas eu sentia que eles já não eram mais os mesmos quando estavam juntos. Porém, o que me deixou feliz foi que eles conversaram bastante e no fim terminaram numa boa , meu pai acabou saindo de casa o que me fez ficar por um período muito triste nem vontade de dançar mais eu tinha, eu o via todo fim de semana, mas não era a mesma coisa que chegar em casa e ele estar ali sempre me perguntando como tinha sido meu dia, a escola, meus cursos... nós sempre fomos muito amigos e eu contava tudo ao meu pai, mas do que para minha mãe. Eu sentia que as coisas dali para frente não iam ser fáceis.
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