ɑciɗɛɳtɛ

2080 Words
Entrou logo depois que ela, mas não conseguiu encontrá-la, em nenhum dos cômodos do andar de baixo, com certeza ela estava furiosa com o que havia acontecido no jardim e ele não poderia lhe tirar a razão, ele realmente havia sido um ser asqueroso sem nenhuma consideração pelo que ela estava fazendo por ele, graças à sua ajuda muita coisa estava bem adiantada e ele, em retribuição a havia humilhado. Não havia maneira de se sentir pior, talvez sua repulsa por mulheres fúteis da cidade grande o tivesse endurecido ao ponto de não conseguir se deixar enxergar suas qualidades, algo que ele sabia bem de sua existência, sua cunhada e a sogra de seu irmão eram provas vivas disso, ambas sendo doces e com corações gigantescos, com algumas manias estranhas a um primeiro momento, mas que logo se tornaram sua família. Estar vivendo sozinho há tantos anos fizera com que se tornasse amargo e fechado em alguns pontos de sua vida, principalmente depois que Eleonora se fora, após mais uma tentativa frustrada de se tornarem pais, o que resultou em que ele não se interessasse mais em novos relacionamentos, tanto pessoais como amorosos, se tornando mais frio e as vezes bruto também. Deixaria que as horas sozinha fizessem com que ela esfriasse a cabeça o bastante para conversarem e, se tivesse sorte, ela o perdoasse, mesmo sem entender o porquê de se preocupar tanto com o que ela pensasse ou não dele. Enquanto ele continuava os preparativos para a reforma na parte de baixo da casa, ela tentava ao máximo não pensar nele, por mais que isso fosse quase impossível, o que fazia com que ela quisesse gritar ou quebrar alguma coisa para descontar um pouco da frustração de estar ainda ali. Não tinha nenhuma obrigação para com ele, poderia ir embora no momento que desejasse e contava os minutos para ir embora, já havia decidido que aquele seria seu último dia ali ajudando-o, iria sim continuar na casa de sua irmã, mas não queria mais saber de nada que tivesse relação a ele. Ele poderia ser um bronco de cidade pequena, mas nada disso era desculpa suficiente para falar com ela daquela forma, ela não abaixava a cabeça para ninguém e só não iria fazer algo pior por consideração à sua mãe e a desmiolada de sua irmã, mas aquele tormento iria chegar ao fim. Já havia passado da metade da tarde quando seu telefone avisou que a bateria estava chegando ao fim, era só o que lhe faltava, ser obrigada a ouvir o que aquele brutamontes tivesse a dizer, tudo culpa de não poder continuar com a música no último volume como estava desde que entrara após a conversa "amistosa" que tiveram. O único jeito era colocá-lo para carregar em alguma tomada, torcendo para não provocar nenhum curto-circuito na instalação daquela casa e colocar fogo nela ou em seu celular, só que para fazer isso precisaria pegar o carregador em sua bolsa, nenhum problema até ali, o único empecilho seria ter que descer e correr o risco de encontrá-lo antes da hora de irem embora, quando finalmente poderia dar adeus a tudo aquilo. Juntou toda sua força de vontade de não surtar quando o visse e desceu, os fones no último volume abafando qualquer ruído enquanto caminhava até o quarto onde havia deixado a bolsa quando chegou, respirava fundo a cada passo que dava, tentando se preparar para o encontro talvez inevitável e pensando em coisas boas para se manter tranquila até subir novamente. A música tocava alto em seus ouvidos, tão alto que ela não conseguia ouvir nada ao redor, ao menos nada que chamasse sua atenção, desviava de diversas coisas espalhadas pelo chão enquanto caminhava até a porta do quarto onde guardara sua bolsa, estranhando o fato de não o ter encontrado ainda, ficando muito feliz em pensamento pela sorte de não ter o desprazer de de estar com ele antes de irem embora. Foi fácil chegar no quarto que ficava bem ao lado da porta de entrada, o único que ainda mantinha alguns poucos móveis, onde guardaram suas coisas ao chegarem, foi assim no dia anterior e naquele também, dessa forma ficaria mais fácil para ambos, se não tivessem que carregar consigo suas coisas pessoais, nem precisariam deixá-las no chão em algum canto. Tudo na casa continuava em silêncio, ao menos para ela que permanecia com a música no volume máximo que o aparelho permitia, fazendo com que não ouvisse o barulho que ele com certeza estaria fazendo em algum outro cômodo da casa. Andou poucos passos desde a escada até o quarto próximo à entrada, torcendo para não ter o desprazer de encontrá-lo antes da hora de irem embora e se ver livre de tudo aquilo, quem sabe até podendo dizer adeus até mesmo daquela cidade e voltar para sua vida normal. Girou a maçaneta e a viu se mexer lentamente, a porta se movendo devagar e travando logo após um grande rangido típico de filmes de terror, para então não se mover mais, estava emperrada, como se algo estivesse impedindo de abri-la, era só o que faltava, ter que ficar ali sem poder ao menos se distrair com alguma coisa para não surtar nas poucas horas que faltavam. Por mais que o mais fácil e certo a fazer fosse deixar como estava e esperar o momento de irem embora para pegar suas coisas, ela não gostava das soluções mais fáceis e não iria se deixar abater por uma coisa tão banal quanto uma porta emperrada, não quando podia simplesmente dar um jeito naquilo e conseguir o que queria, ficando em paz mais uma vez. Era só empurrar com um pouco mais de força, pensou, e foi o que fez, mas se arrependeu no instante em que a porta abriu, levando o que a estava travando e ela pôde perceber o que fizera. Giuseppe-c*****o! Aquilo não podia ser verdade, não conseguia acreditar em seus olhos, por mais que não houvesse jeito daquilo ser apenas obra de sua imaginação, ou sua mente lhe pregando uma peça, mostrando como seria se seu desejo de se vingar de alguma forma se realizasse. Deu dois passos para dentro do cômodo e teve certeza que aquilo realmente acontecera e o pior, ela havia feito aquilo, ela era a causadora do acidente que levara ele e a escada ao chão. Correu até ele, jogando os fones para o lado e se abaixando após tirar a escada de cima dele e virá-lo um pouco. Désirée- Giuseppe... Giuseppe- Que...porra de idéia foi essa...de empurrar a porta desse jeito?! Désirée- Pensei que ela estava emperrada, eu só...empurrei e... Giuseppe- Não pensou que EU podia estar fazendo alguma coisa aqui é por isso não conseguia abrir?! Désirée- Eu...pensei que...pela casa estar velha, a porta estava com problema e... Giuseppe- E resolveu arrombar a porta?! O que era tão urgente que precisava entrar de qualquer jeito?! Désirée- Eu...vim buscar meu carregador e... Giuseppe- Ah, eu mereço...isso que dá eu botar uma patricinha da cidade grande que...porra...não tem bosta nenhuma na cabeça... melhor eu terminar logo tudo isso e...ai...- gemeu ao tentar se levantar- p**a que pariu! Désirée- Espera, deixa eu te ajudar. Giuseppe- Não acha que já ajudou o bastante?! Désirée- Foi um acidente, tá legal? Agora vem, você precisa levantar e de um médico. Giuseppe- Você acha que eu acredito que VOCÊ vai conseguir me levantar? Désirée- Sou mais forte do que pareço, tá bom? Agora vem, se apoia em mim e não reclama. Por mais que não quisesse aceitar aquela ajuda, sabia que não conseguiria se levantar, não da forma que havia caído e, se continuasse com a birra, era capaz dela simplesmente ir embora e deixá-lo ali. Ficou muito mais que surpreso quando ela envolveu os braços ao redor de seu corpo, ajeitando seu braço esquerdo no ombro e o ergueu sem tanto esforço, apesar do seu tamanho, conseguindo deixá-lo de pé rapidamente e indo com ele até o lado de fora da casa após pegar as bolsas que levaram. Ela trancou a casa e foi ao seu lado, ele segurando o braço direito junto ao corpo, quase não aguentando de tanta dor, reclamando bastante até chegarem ao carro. Désirée- Me dá as chaves. Giuseppe- O quê?! Nunca! Désirée- Beleza, vou deixar tudo bem claro pra você. Estou sem carro, pelo menos por aqui, então...a não ser que queira ir a pé até um hospital, porque você precisa de um hospital, se tiver isso por aqui, vai me dar logo a p***a dessa chave, sentar esse traseiro no carona e ir bem quietinho. É, aquela baixinha sabia ser bem turrona e dura quando preciso, não lembrava de alguém ter falado consigo daquele jeito, mas ela não parecia disposta a desistir, então, mesmo totalmente contra sua vontade, entregou a chave e entrou calado, não porque tivesse medo mas...sentia que era melhor não irritá-la ainda mais. A ida ao hospital foi feita em quase total silêncio, sendo quebrado apenas pelas instruções e as reclamações e gemidos dele, lógico que ela se sentia culpada mas estava p**a demais para demonstrar qualquer preocupação, ela iria continuar impassível até o fim. Assim que chegaram, foram direto até a recepção, não demorando para ele ser encaminhado para onde faria os exames, deixando-a sozinha para esperá-lo enquanto ele faria os exames, o hospital era pequeno, com poucas pessoas tanto para atender com também poucas para serem atendidas, algo típico do interior, onde se aprende a resolver quase tudo em casa mesmo, indo para lá só em último caso, exatamente como a situação dele. Demorou um pouco mais que ela esperava para ele ser liberado, já estava preocupada pensando de que aquilo poderia ser pior do que imaginava, até vê-lo voltar com o braço engessado em uma tipóia, o que lhe doeu muito, não imaginava que seria algo tão grave assim, a culpa lhe doía demais mas a expressão dele estava indecifrável. Désirée- Giuseppe... Giuseppe- Vamos embora. Ela o seguiu calada até onde havia estacionado o carro, sem se falarem até chegarem, ele parando ao lado do carona sem parecer mais tão revoltado como antes. Giuseppe- E então...vamos? Désirée- Sem escândalo ou estresse agora? Qual a graça assim?- perguntou olhando para as próprias unhas. Giuseppe- Escuta, sei que exagerei, fui um estúpido... Désirée- E ignorante, grosseiro, s*******o, além de um porco machista sem papas na língua e que não perde uma oportunidade pra me ofender, mas...quem está reclamando né? Giuseppe- Menos por favor, estou tentando me desculpar. Désirée- Pois não foi o que pareceu, você precisa treinar muito se quiser que alguém caia nesse seu tipo de desculpas. Giuseppe- Você não vai deixar isso passar, não é? Désirée- Por enquanto não, mas isso não me impede de te levar até sua casa. Agora vamos cinderela, sua carruagem a espera- falou abrindo a porta do passageiro. Ele revirou os olhos mas não disse nada, aquela garota parecia ter o prazer de irritá-lo, mas ele não tinha escolha a não ser aceitar sua ajuda. Eles pouco se falaram durante o percurso até até casa dele, aquele pequenos momentos de silêncio não os incomodando tanto, sem toda a animosidade de antes, mas ele ainda se mantendo receoso sobre o que falar. Ela dirigia calada, prestando atenção no caminho, algo não tão longo, ela ainda se surpreendia como tudo ali parecia ao mesmo tempo, tão perto e tão longe, estacionando assim que chegaram em frente a uma casa com cerca branca e um pequeno jardim, algo típico de um sonho de muitas mulheres, mas não era aquilo que ela esperava de seu futuro. Désirée- Bem, a princesa está entregue, eu agora me retiro, não quero atrapalhar mais. Giuseppe- Você não...ah esquece. Désirée- Fala. Giuseppe- Não, é...bobagem. Désirée- Então eu já vou indo, vê se descansa. Giuseppe- Não precisa se preocupar, os remédios vão me ajudar com isso. Désirée- Não me custava nada, além de ter sido minha culpa você estar assim. Giuseppe- Mas a sua ajuda me salvou. Désirée- Não foi isso tudo mas...aceito o elogio. Só uma coisa antes de ir, o que você pensa em comer depois que eu for? Giuseppe- Eu..talvez faça um sanduíche... Désirée- Sanduíche?! Fala sério...como um homem do seu tamanho vai ficar só com isso?! Giuseppe- Acho que não tenho muita escolha, não é mesmo?- perguntou mostrando o gesso. Désirée- Bem...sei cozinhar um pouco, se quiser... Giuseppe- Não sei... Désirée- Prometo não botar fogo na sua casa. Giuseppe- Sei que vou me arrepender mas...não tenho escolha, vamos.
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