gʀѳรรɛʀiɑ

2845 Words
Ela acordou bem cedo no dia seguinte, não queria perder um segundo do tempo que teria para começar a pôr seu plano maquiavélico em prática e para isso ela precisaria de todo o tempo possível. Olhou o relógio, eram seis e dezoito, havia acordado a tempo de vê-lo pela janela, estava curiosa em ver sua reação ao não encontrá-la no jardim, como havia se tornado algo normal nos últimos dias, desde que ela o vira pela primeira vez. Afastou as cobertas e correu até a janela sem nem se preocupar se estava ou não vestida, só não queria perder a oportunidade de ver se ele reagiria de alguma forma ao não vê-la ali. Pôde notar como ele diminuíra os passos ao se aproximar do jardim, mesmo que ele não tivesse chegado a parar totalmente, era perceptível como ele andara mais devagar, olhando para os lados, como se a procurasse, a primeira parte de seu plano havia dado êxito. Assim que o viu virar a esquina, ela correu até o guarda-roupa, passara boa parte da noite anterior dando uma nova vida às suas roupas, deixando diversas peças com um novo visual, com um ar doce mas com uma pitada extremamente sensual e ela sabia o que e como fazer para deixar cada uma servindo ao seu propósito nada inocente. Olhou por alguns momentos para as roupas, decidindo qual usar naquele dia, o que não foi nada difícil, a saia havia sido a primeira a ser modificada, tendo sido seu melhor trabalho naquela noite, fazendo-a ficar com a metade do tamanho e o dobro de sensualidade. Ela havia feito diversas alterações naquela peça, como colocar uma pequena f***a que deixava parte de sua coxa esquerda à mostra, além de diminuir seu comprimento e dar mais leveza, o que fazia com que ela dançasse ao redor de seu quadril conforme ela se movia. A blusa de seda que usaria também ganhara uma nova vida, com uma fita na lateral que faria com que pudesse encurtá-la no momento que quisesse, além da transparência que já seria algo que com certeza o deixaria sem fala. Tomou um banho com seu sabonete mais perfumado e o xampu que ela mais gostava, sentindo seus cabelos escorregarem por entre seus dedos ao enxaguá-los, queria que sua pele brilhasse quando o sol tocasse seu corpo, por isso optou por um óleo para sua pele exalar a suavidade e o perfume intenso e duradouro que aquele óleo trazia consigo. Não quis fazer nada extravagante com os cabelos, então apenas os escovou deixou descendo em onda por suas costas, só então se dando conta do quanto seus cabelos estavam compridos e o quanto a saia havia ficado curta, o que a agradou ainda mais. A blusa beijara seu colo e corpo em uma leve carícia, deixando pouco para a imaginação, o forro interno cobria parcialmente seu sutiã, mas deixava que um pouco da renda se sobrepusesse por aquele forro, os detalhes de seu sutiã sendo desenhados com perfeição por baixo do tecido, Calçou um par de tênis para que ele não notasse de imediato que tudo aquilo não passava de um plano e então desceu, sabia que ele não demoraria a chegar e não queria deixá-lo esperando demais, mesmo que não tivesse a menor intenção de abrir a porta assim que ele estacionasse. Não demorou para que ouvisse o carro estacionando em frente a calçada, ela estava descendo sem pressa alguma, o faria esperar por algum tempo para que a surpresa que ela preparou com tanto cuidado fosse melhor aproveitada devido a espera e a ansiedade. Ficou perto da porta, em um local que a janela não a denunciaria e que poderia esperar sua reação, sem que ele desconfiasse que estava ali. Ouviu o primeiro toque da buzina e esperou sem se mover, queria ver o que ele faria a seguir, mesmo que a ansiedade a consumisse, iria permanecer ali até ele ter alguma reação, ou que alguma coisa acontecesse, como ela ouvi-lo indo embora. Os minutos se seguiram, ela ainda permanecia escondida e imóvel, por mais que quisesse rir quando o ouviu buzinar novamente, precisava esperar mais um pouco para que tudo corresse como planejava. Tudo ficou em silêncio por algum tempo, ela imaginando o que ele iria fazer a seguir, ainda sem se mexer, isso até ouvir um barulho do lado de fora, ele com certeza havia batido a porta com raiva, isso era muito bom, faria com que ele se surpreendesse ainda mais quando a visse, por isso abriu a porta e o viu parar quando ela saiu. Era notório o modo como ele ficara totalmente embasbacado ao vê-la, seu movimento lânguido e suave era cimo em câmera lenta, ele sem conseguir mover um só músculo, seguindo hipnotizado cada passo que ela dava, sua respiração presa em sua garganta e seu coração sem ser capaz de nem mais uma batida. Désirée- Vai se afogar na própria baba desse jeito- comentou tocando seu queixo com o indicador. Giuseppe- Eu...é que... Désirée- Vamos, você fala demais e temos muito o que fazer. Ele ficou parado no mesmo lugar, sem se mover ou falar nada, não conseguiria nem mesmo se tentasse, ela passou por ele, com toda a autoconfiança que ela possuía, sempre deixando transparecer o poder por onde quer que passasse, não se deixando amedrontar ou subjugar por ninguém, sempre sendo dona de si e da personalidade mais forte que muitos conheciam. Não esperou que ele abrisse a porta, não precisava de todo esse paparico, era forte o bastante e ia provar isso a ele, além de fazê-lo pirar, exatamente como ficou quando ele se aproximou e a viu ajeitando a saia que subira sem que ela tivesse a intenção, ao menos foi essa a impressão que ela lhe deu e, como ela previra, ele caiu como um patinho. Ela podia notar claramente, por mãos que ele fizesse o possível para tentar disfarçar, o quanto ele estava incomodado ao vê-la assim, sua respiração estava pesada, suas mãos tremiam no volante, quase não sendo capaz de controlá-lo, assim como os olhos que m*l conseguia manter na estrada. Ela percebia o olhar em suas pernas, sabia o quanto elas podiam enlouquecer um homem e usou aquilo a seu favor, mexendo-as levemente enquanto o carro ia seguir seu caminho, ele começando a suar, percebendo a encrenca que havia arrumado para si, mas não havia muito o que fazer agora, a não ser que quisesse se indispor com a família de sua cunhada. Ele soltou o ar com força quando enfim puderam chegar ao seu destino, conseguindo se sentir um pouco aliviado por não precisar ficar mais tão perto dela, o que já era uma grande vantagem, apesar de ter a consciência de era algo passageiro, já que iriam ficar novamente sozinhos naquela casa. Aquilo sim seria um teste para seu autocontrole. Ele agradecia aos céus o fato da casa ser grande o bastante para não precisarem ficar tão próximos assim, ele lhe pedindo para fazer coisas em um andar enquanto ele ficava em outro, evitando ao máximo ficarem juntos, a casa podia ser espaçosa, mas não sabia o que aconteceria se ficassem por mais do que poucos minutos no mesmo cômodo. Ela tinha um jeito provocante demais para que ele pudesse suportar sem pirar e ela também não pegava leve desde o dia anterior quando quase se beijaram, ele não podia, nem tentaria, negar que sentira alguma coisa desde a primeira vez em que a vira no jardim, cuidando das rosas que sua cunhada tanto amava, ou então quando se encontraram na casa da sogra de seu irmão, ela podia estar coberta de folhas e lama, mas ainda assim irradiava um s*x appeal tão forte que quase não conseguiu fingir estar indiferente a tudo aquilo. Estar sozinho com ela no carro nos dois dias foi uma verdadeira sessão de tortura, não conseguia deixar de pensar no seu perfume e, cada vez que pensava nele, lembrava de sua pele tão macia e dos lábios carnudos que por pouco não tomara naquela sala. Eram pensamentos que ele não tivera com ninguém desde que sua esposa se fora, não que houvesse se tornado adepto do celibato, dividira a cama com algumas mulheres sim, afinal era um homem com seus desejos e não era de ferro, porém...nenhuma delas invadira seus pensamentos dessa forma, nenhuma o deixara tão desejoso de se perder em seus beijos e em todo o resto como aquela bruxinha. Ela era encrenca e ele estava feliz por aquele talvez ser o último dia em que precisariam ficar juntos. A parte da manhã poderia ser considerada como algo tranquilo, apesar de todas as vezes em que se sentira completamente perdido e sem saber o que fazer quando ficaram sozinhos e muito, muito perto. Não sabia dizer ao certo se o que ela fazia era tudo intencional, ou fazia parte de sua natureza, como seu irmão comentara tantas vezes, mas até uma mexida nos cabelos chegava a ser algo provocante, algo que o deixava incomodado de certa forma, com o coração batendo um pouco mais rápido. Toda aquela atmosfera que a rodeava era algo fora do comum, a sensualidade que ela emanava parecia exalar de seus poros como algo absolutamente natural, mas que fazia com que seu corpo respondesse de a forma tão intensa que mexia com sua cabeça fazendo com que quase explodisse. Ele tentou se manter impassível e não demonstrar como ela o estava fazendo perder o controle sobre as próprias emoções, mas tudo foi por água abaixo logo após almoçarem. Estavam bem cansados por tudo que fizeram na parte da manhã, ambos parando um pouco para descansar após comerem a comida que ele havia levado em um gesto de paz. Ele se sentara na sombra da mesma árvore que brincara diversas vezes quando ainda era criança, o perfume da velha macieira carregada lhe trazendo boas lembranças de sua infância, além de tirar seus pensamentos da jovem deitada na grama ao seu lado. O sol estava no ponto mais alto do céu, as sombras sendo um alívio perfeito para todo aquele calor, ela se abanando com um leque improvisado e a camisa um pouco erguida, ele se segurando ao máximo para não olhar para as pernas quase descobertas por completo, a situação ficando pior cada céu que ela se mexia, revelando mais uma parte da pele leitosa, ou fazendo com que os s***s também se movessem, o que afetava uma parte sua que ele queria esquecer naquele momento que existia. Era quase impossível permanecer indiferente ao perfume de seu corpo, levemente doce mas altamente sensual, que chegava com mais força às suas narinas cada vez que ela se movia, mesmo que fosse algo tão leve que era quase imperceptível. Toda sua agonia só se tornando ainda pior, quando uma campainha bem conhecida se aproximou, fazendo com que ele se amaldiçoasse por não tê-la chamado para entrar antes. Era algo normal em dias quentes como aquele, aquele mesmo senhor passar pelas ruas com seu carrinho de gelatos, o mesmo que ele crescera experimentando todas as diversas combinações de sabores que nunca se repetiam. Todas as pessoas, criança ou adulto, aguardavam ansiosas pela hora que ele passaria, se do quase um evento quando ele surgia com seu carrinho e as histórias de sua juventude, o que alegrava a todos que o encontravam. Ele era conhecido como o sorveteiro dos apaixonados pelos jovens, já que todos os casais que dividiam suas delícias geladas acabavam juntos, sem nenhuma exceção, da mesma forma que ele e sua falecida esposa. Não havia para onde correr, já era possível vê-lo se aproximando e ela também havia notado, agora era esperar e ver o que iria acontecer. Ele trazia no rosto o mesmo sorriso bondoso de sempre, andando mais devagar a cada dia, o peso da idade não o impedindo de fazer o que mais amava. - Giuseppe. Eu querido, há quanto tempo não o vejo... Giuseppe- Infelizmente tenho andado muito ocupado, sem tempo para descanso, vovô. - Mas sempre deve haver tempo para relaxar e deixar que a vida siga seu rumo de uma forma mais suave. Giuseppe- Eu sei disso, mas infelizmente nem sempre a vida é tão doce quanto o que o senhor nos traz. - Mas acredito que essa linda jovem é a responsável por tirá-lo da toca enfim. Qual sua graça, minha querida? Désirée- Désirée Fournier, ao seu dispor, senhor... - Pode me chamar de vô Vicenzo, como todos os que vi crescer. Désirée- Está bem, vô Vicenzo, é um prazer conhecê-lo. Vicenzo- O prazer é todo meu, qualquer um que fizer esse menino feliz, me alegra também. É uma bela jovem deitada sua amiga, meu rapaz. Giuseppe- Ela não é minha amiga, é cunhada do meu irmão que está passando alguns dias por aqui. Désirée- Ele tem razão, não somos amigos, nossa relação se baseia apenas no sexo. Giuseppe ficou mais vermelho que um pimentão, se sentindo como uma criança pega fazendo arte, a vergonha por aquelas palavras fazendo seu sangue ferver de tal forma que sua única vontade era sumir para o mais longe dali. O velho senhor rindo bastante com aquela brincadeira. Vicenzo- Uma coisa eu garanto meu jovem, de tédio vocês não irão sofrer. Giuseppe- Mas o senhor não entende... Vicenzo- Não há o que explicar, eu posso ver muito além de qualquer palavra e, para provar isso, eu tenho algo muito especial, algo feito para casais como vocês. Giuseppe- Nós não somos um casal! Vicenzo- Isso não importa, o sabor que tenho aqui é perfeito para o que estão sentindo, mas que insistem em esconder, uma mistura que eu ainda não havia encontrado o casal certo para ofertar. Giuseppe- Mas vô... Vicenzo- Não adianta discutir, esse sabor é exatamente o que vocês necessitam agora, uma mistura tão explosiva quanto o que seus corações estão gritando nesse momento. Amora preta com geléia de pimenta, algo tão sublime e ardente quanto o que vocês tentam esconder. Désirée- Parece algo bem diferente. Vicenzo- Exatamente como vocês, diferentes mas que se completam na perfeição. Désirée- Eu nem sei como agradecer, quanto lhe devo? Vicenzo- É por conta da casa, tudo para trazer a alegria de volta para um rapaz tão bom. Giuseppe não falava nada, nem mesmo conseguia prestar atenção ao que ela dizia, tudo em sua mente estava nublado e confuso, tentando buscar uma explicação para o porquê dele acreditar que eles poderiam ser um casal, já que ele m*l podia ver a hora de se livrar de sua companhia. Não podia negar que ela tinha algo que realmente o atraía, mas nada além de seu corpo reclamando pela falta de companhia feminina, nada além disso, nada que remetesse nem de perto para permanecerem juntos. O velho senhor se foi, ele se despedindo de forma automática, sem nem prestar atenção ao que dizia, sua mente focada demais naquela bruxa que havia conquistado mais um, deixando-o m*l com aquelas palavras inconsequentes. Désirée- E então, vai querer provar agora? Garanto que ele falava sério quando disse que era uma combinação perfeita. Giuseppe- O que deu em você?! Désirée- Do que você está falando? Giuseppe- Do que você disse, precisava daquilo? Désirée- Foi só uma brincadeira, ele riu bastante. Giuseppe- Pois eu não achei graça nenhuma naquilo, isso não é coisa que se diga! Désirée- Não tenho culpa se você não tem senso de humor- comentou rindo antes de lamber mais uma vez o sorvete, conseguindo transformar aquele simples gesto em uma provocação. Giuseppe- Claro que tenho senso de humor, muito bom aliás, mas você não pensou no que isso poderia fazer comigo, aqui é uma cidade pequena, as pessoas falam, eu sou viúvo e tenho uma reputação, não quero que pensem que ando saindo com qualquer uma, principalmente com uma... Désirée- Com uma o quê?! Com uma p**a qualquer?! É isso que você ia dizer?! Giuseppe- Eu não quis dizer isso, eu... Désirée- Mas foi exatamente isso que saiu da sua boca! Mais uma vez disse que não passo de uma qualquer, uma...desclassificada, uma p**a ou coisa pior! Giuseppe- Não tenho culpa se a carapuça serviu. Mesmo assim não tive a intenção de... Désirée- DE ME OFENDER?! POIS FOI EXATAMENTE ISSO QUE VOCÊ FEZ MAIS UMA VEZ! NÃO QUERO OUVIR PALAVRAS SEM SENTIDO PARA EXPRESSAR DESCULPAS FALSAS! EU NÃO DEVERIA TER ATENDIDO AO PEDIDO DA MINHA MÃE, TALVEZ NEM MESMO O DA MINHA IRMÃ, COM CERTEZA NÃO ESTARIA PASSANDO POR ISSO AGORA! NEM PRECISARIA OUVIR UM NOVO INSULTO A CADA DIA, MUITO MENOS DE ALGUÉM QUE SE ACHA TÃO MELHOR ASSIM QUE OS OUTROS! AGORA VAMOS TERMINAR A BOSTA DESSE SERVIÇO QUE ESTOU TE AJUDANDO, ASSIM PELO MENOS NÃO PRECISO VER ESSA SUA CARA NUNCA MAIS NA MINHA VIDA!- gritou jogando o sorvete em sua direção. Ele ficou parado vendo-a entrar na casa sem olhar para trás, sabia que havia pego bem pesado com o que havia dito, mesmo que aquela não fosse a sua intenção, mas agora deveria arcar com as consequências, principalmente com o tanto que teria que ouvir de seu irmão, assim que ela contasse o que havia acontecido.
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