Especial: Roger

1307 Words
Talvez Roger tenha comemorado errado. Teria sido muito mais fácil lavar a louça do que cuidar da amiga bebada. Geralmente era Carolina quem cuidava dos momentos bêbados da ruiva, mas não era incomum que o Silva o fizesse também — ele só não esperava que as coisas complicassem para o seu lado. Brenda, por sua vez, estava com os braços ao redor do pescoço do amigo, a cabeça estava jogada para trás e as pernas cruzadas. Como ela conseguia estar nessa posição estando no colo de alguém era uma ótima pergunta. Roger observou os lábios entreabertos dela, os longos fios ruivos balançavam de um lado para o outro, fazendo um pouco de cócegas no braço dele. E por estar tão distraído no belo rosto da amiga, o Silva quase bateu a cabeça dela na parede, no entanto, o moreno conseguiu desviar a tempo. Não demorou muito para que ele chegasse no seu quarto — era o único no pequeno apartamento dele, além do banheiro, cozinha e sala. Roger abriu a porta com o pé esquerdo, já que ela estava entreaberta, foi fácil fazer isso com os braços ocupados. Ele nem se esforçou para ligar a luz, não querendo acordar a ruiva no processo enquanto colocava seu corpo pequeno entre o colchão e o edredom — era por motivos como esse que sempre defendia a ideia de que não precisava arrumar a cama ao acordar. Contudo, Brenda não soltava seu pescoço de jeito nenhum. Por mais gentil e cuidadoso que Roger fosse, tentando se desvencilhar das pequenas mãos da ruiva, que o seguravam com força — até mesmo puxando alguns fios de cabelo. Ele segurava a cintura fina dela e puxava com a maior delicadeza do mundo, o que não o ajudava muito. — Vamos lá, Brenda — sussurrou ele, pedindo ajuda aos deuses silenciosamente. — Seja uma boa garota e me solte. Enquanto isso, a ruiva murmurava palavras ininteligíveis, bufando hora ou outra entre as sílabas. Puxava o corpo do amigo cada vez mais para si, usando as pernas para enganchar nas pernas ou o que quer que tivesse acesso. Roger bufou algumas vezes, preferindo ter ficado com lavar a louça da janta. Isso ficaria de aviso na próxima vez que uma situação como essa acontecesse de novo no futuro. Ele já estaria mais do que preparado. Ele estava ficando irritado com a ruiva, suas costas começavam a doer pela posição ultra desconfortável. E, antes que surtasse com Brenda ali mesmo, ela murmurou algo que o moreno não entendeu de primeira. — O quê? — sussurrou ele de volta, parando de lutar contra o corpo da amiga. — O que foi que disse? — Deita comigo — disse ela, abrindo os olhos rapidamente, para olhá-lo de perto. — Só um pouquinho? Um biquinho foi feito nesse pedido manhoso e inesperado da ruiva. Roger não esperava por isso. Nunca em sua vida teria imaginado que Brenda o chamaria para tal momento íntimo juntos. Não era como se eles se odiassem, mas um pedido desses nunca seria feito se estivessem apenas os dois. Carolina sempre estava no meio e isso era diferente. E ao ser pego de surpresa, seu corpo vacilou, descendo contra o da amiga no processo. Agora eles estavam colados um no outro. O calor que emanava dela era diferente, gostoso e ardente. Os fios ruivos dela pareciam se enroscar em seu rosto e orelhas. Ele estava totalmente rendido àquela mulher. Brenda pareceu gemer, mas Roger não saberia dizer se foi um ou não. Ele estava sendo bombardeado com inúmeras reações novas em todas as partes do seu corpo. E aquele som novo o fez tremer na base. Ele sentia o peito dela subir e descer com dificuldade — por causa do seu peso contra ela — por estarem tão perto um do outro. A respiração que saía de seus lábios esquentava a sua orelha esquerda, e um calafrio subiu por sua espinha. O que era aquilo tudo que ele estava sentindo? Ele não fazia ideia, mas era tão gostoso, que ele não queria que nunca mais acabasse. — Deixa eu- — sussurrou ele de volta contra a orelha dela, o hálito quente fazendo com que ela estremecesse de leve. Eles estavam tão grudados que até mesmo isso podia ser sentido um pelo outro. No entanto, não foi preciso que Roger terminasse de falar o que queria, Brenda já sabia o que era. Ou, bom, imaginava o que seria, porque ela também sentia. Era como se estivessem em uma só sintonia, uma que só eles entendiam o que queriam No segundo seguinte, Brenda escorregou as mãos do pescoço para o peito do amigo, segurando a camisa dele com os dedos pequenos. E suas pernas também o soltaram, esticando-se na cama para que Roger pudesse se locomover como bem entendia. Ela só esperava que fosse do jeito que queria que ele ficasse. Jogando o cobertor para o lado e passando as pernas por cima da amiga, o Silva se acomodou atrás dela, abraçando-a de volta. Sua boca estava posicionada bem perto da orelha esquerda da ruiva, os dedos dele se entrelaçaram nos dela. Eles estavam conectados naquele momento. O calor que subia entre eles era praticamente incandescente, que irradiava por todos os seus poros, e, se tivessem pensando normalmente, teriam achado que estavam com algum tipo de febre. O que não era totalmente o caso. — Promete não me abandonar? — ela sussurrou, virando-se de frente para ele. A porta do quarto não estava totalmente fechada, deixando apenas uma fresta de luz passando para onde eles estavam. Mas era o suficiente para que eles pudessem enxergar um ao outro. Os olhos castanhos da ruiva estavam quase negros de onde Roger podia ver e eles ficaram brilhantes conforme olhava de volta para ela. Era a mesma coisa que Brenda pensava, os olhos azuis escuros pela escuridão, mas também brilhavam. Os lábios carnudos dela pediam por atenção e foi o que ele fez, desceu o olhar, primeiro para o nariz da amiga, para lentamente irem até a boca entreaberta dela. Uma força invisível o puxava para mais perto dela. Era muito difícil não ceder a ela. Ele não conseguia se concentrar em mais nada que não fosse a boca quente da melhor amiga. Brenda fechou os olhos ao toque dos dedos longos do moreno, que acariciou a lateral do rosto dela. E, inconscientemente, esticou o rosto para frente, quase encostando o nariz no dele. Eles estavam alheios ao que estava lá fora daquela bolha que os envolviam. Carolina, que lavava a louça com certa raiva, estava bem longe do mundinho que os dois criavam só para eles. A amiga não estava em seus pensamentos, apenas uma coisa se passava na cabeça de cada um. Precisavam chegar mais perto! — Jamais! — Roger sussurrou de volta, quase esquecendo de responder em voz alta a pergunta feita anteriormente. — Eu jamais te abandonaria! Brenda soltou um riso baixo, feliz com a resposta que recebeu. Ela tinha tido uma infância cheia de rejeições e até hoje era difícil lidar com isso, mas só de saber que Roger, seu melhor amigo, não a abandonaria era a melhor coisa a ser ouvida naquele momento. Em algum canto da sua mente, ela se lembrou que Carolina, sua melhor amiga, também não a abandonaria. Nunca. Isso a deixava extremamente radiante. E com esse pensamento, Brenda jogou os braços para cima, para logo depois passar para o pescoço do moreno, puxando-o para mais perto — como se isso fosse possível. — Obrigada! — ela murmurou, sorrindo abertamente, os olhos ainda fechados. — Eu também nunca vou te abandonar! Ela abriu os olhos minimamente, avistando os olhos arregalados do amigo e sorriu. E, como se tomasse uma coragem repentina, juntou os seus lábios nos dele. Era o primeiro selinho que trocavam. E, bom, não seria o último.
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