Capítulo Dois

3218 Words
A pizza no meio da mesa da sala esfriava. Carolina e Roger, seu melhor amigo, estavam no apartamento de Brenda, sua outra melhor amiga. Eles estavam sentados ao redor da mesa de centro da sala da Figueiredo falando sobre coisas aleatórias. Brenda queria, porque queria que Roger fosse seu modelo no ensaio fotográfico da aula de sábado. Era ao ar livre e os alunos veteranos da turma de Fotografia fariam um ensaio caseiro de nudez. E o Silva se negava, não querendo ter seu corpo nu em qualquer lugar. — As fotos não serão publicadas! — gritava ela, tentando colocar essa informação na cabeça do amigo. — A não ser que você deixe eu colocar no portfólio — sussurrou essa última parte, mas o moreno tinha escutado muito bem. — Não e não. — Carolina, me ajuda! — a ruiva suplicou, pedindo ajuda para a outra amiga. — Olha, eu não tenho nada a ver com isso. Vocês que se entendam. — Não é justo! — a Brenda resmungou, claramente chateada. — Achei que vocês fossem meus amigos. — Ei, eu não fiz nada! — retorquiu a loira, apontando o dedo para a outra. — Me coloque fora dessa. — Exatamente! Você não fez nada para ajudar a convencer o Roger, egoísta, a ser meu modelo. Roger riu, pegando uma fatia de pizza. — Isso, me xingar vai ajudar bastante. — Carolina! Pereira ergueu as mãos, como se estivesse fora daquela discussão — o que de fato estava. Ela ainda pensava na pequena possibilidade de um novo emprego no qual ouviu hoje mais cedo. Estava a dois passos de ligar para o chefe e se candidatar para ser a babá dos filhos dele. Não seria tão r**m, certo? Carolina cresceu cuidando dos primos mais novos, já que ela era a mais velha. Era a primeira neta da avó, contando mais nove, que eram seus primos. Sem contar que sua mãe tinha tido uma outra menina, a sua irmã, quando ela já tinha doze anos, então cuidar de bebê não era um problema. Ela também gostava de crianças, sempre brincando e caindo na imaginação deles. — Por que você não está prestando atenção em mim? — perguntou Brenda, uma veia saltando em sua testa. — Porque achei que ainda estava gritando com o Rô. — Eu falei com você, pequenina. — Se eu fosse você, Lina, saía dessa — sussurrou ele, colocando a mão ao lado da boca para que Brenda não escutasse, o que não ajudou em nada. — Ei, se você não quer me ajudar, não me atrapalha! Carolina ficou ali, observando os dois bravejando um para o outro. Esse tipo de situação era normal entre eles. Brenda mais gritava do que qualquer outra coisa. Ela era muito agitada e conversadeira. Já Roger era mais calmo e na dele, às vezes tímido. Mas ambos adoravam uma confusão, era o que tinham em comum. Isso e a vontade de proteger a amiga mais amada do mundo, a própria Carolina. — Perguntei se você quer ser minha modelo?! — Brenda a olhava com olhos pidões e um biquinho nos lábios. — Por favor. — O ensaio vai ser na frente de todo mundo? — perguntou, ajeitando o r**o de cavalo no alto de sua cabeça. A Figueiredo negou com a cabeça, com a mesma expressão em seu rosto. — Então, sim. Brenda gritou de felicidade, levantando rapidamente para pular no colo da amiga, abraçando-a com força. Até beijinhos no rosto ela dava. — ‘Tá bom, ‘tá bom — disse a loira, empurrando o rosto da melhor amiga para longe. — Chega! A Figueiredo parou, um sorriso enorme nos lábios enquanto voltava para o seu lugar. O fato era que Carolina não era tímida como o amigo e não se importava de ajudar a amiga. Ela já tinha feito outros ensaios com ela e sabia como Brenda era profissional. Era por esse motivo que Carolina era a modelo recorrente da ruiva, a que mais aparecia no portfólio no i********: da futura fotógrafa. — Viu? Não doeu nada aceitar seu minha modelo. Roger mostrou a língua para Brenda, que devolveu, colocando as mãos na cabeça. E Carolina não sabia qual deles era mais infantil. Bom, talvez os dois, já que o moreno repetiu o gesto da outra. Pereira revirou os olhos, sem saber como eles podiam ser amigos se se provocavam o tempo todo. Pareciam cão e gato, brigando o tempo todo. Mas, no fundo, Carolina sabia que eles se defenderiam em um piscar de olhos. E uma vozinha lhe dizia que eles se gostavam, como namorados, no entanto, ela não nem doida de expor tais pensamentos para os dois ou seria linchada no mesmo instante. Um silêncio se formou depois disso. Cada um em seus próprios mundinhos por alguns segundos. Roger bebia sua garrafa de cerveja para poder engolir o último pedaço de pizza que tinha colocado na boca. Brenda brincava com as azeitonas no seu prato, odiando-as com todo o seu ser — mas sabendo que os amigos amavam a pizza portuguesa, não falava nada. E Carolina mastigava seu pedaço com a mente em outro lugar. — O que você tanto pensa, Lina? — Roger perguntou à amiga, tocando a mão livre dela. Ela foi tirada do seu mundinho e o olhou por alguns segundos antes de responder: — Meu chefe disse que precisa de uma babá para cuidar dos gêmeos dele — disse ela monotonamente. — Urgente. — Aquele que é gato ou o velho? — questionou Brenda, uma sobrancelha arqueada. Roger riu da cara de p*u da amiga e jogou um pedaço pequeno de azeitona nela, que gritou, ameaçando-o de morte aos sussurros. — Sim — Carolina simplesmente respondeu, dando de ombros. — Acho que pode-se dizer que ele é bonito. — Amiga! Eu só o vi uma única vez, mas ele é lindo. Não bonito. — Você achou? Brenda balançou a cabeça repetidas vezes, como se para provar o seu ponto. Já Roger revirou os olhos, sem acreditar na cara de p*u da ruiva. Era comum que ela achasse as pessoas bonitas e falasse como se não fosse nada. — Tipo, o Roger é bonito — apontou ela, séria. O moreno sentiu um leve rubor sobre suas bochechas, no entanto, no seu tom de pele não aparecia muito. — Seu chefe é lindo! — Ela prolongou a última sílaba. Carolina riu e parou para pensar por alguns minutos. Romeu era bastante alto, mas isso não queria dizer muita coisa, já que ela tinha media apenas um e cinquenta e seis — todo mundo era alto para ela. Seu cabelo cacheado era preto, com alguns fios brancos, o que de certa forma era charmoso. Sua barba era aparada, nem pequena ou grande demais. Carolina gostava dela e de repente imaginou como seria o contato dela em sua pele, arranhando-a levemente enquanto os lábios... Pereira balançou a cabeça, ultrajada com tais pensamentos. O que tinha acabado de acontecer? Nem ela sabia. E, talvez, não quisesse saber. — Se você diz — disse seriamente, fechando os olhos para apagar de sua mente o que tinha acabado de imaginar. — Enfim... — Roger se pronunciou, evitando olhar para a ruiva, que sorria abertamente. — Então, isso me fez pensar que posso trabalhar para ele — murmurou a loira, dando de ombros. — Sei que resolveria minha situação com o pouco dinheiro. Carolina deixou o resto do pedaço de pizza no seu prato, sua fome repentinamente tinha acabado. A verdade era que seu corpo inteiro estava paralizado com o que tinha acontecido anteriormente. Ela não era de pensar assim sobre homem algum, a não ser que ele lhe chamasse a atenção. Mas ele era seu chefe. O que tinha de errado consigo? Talvez a culpa fosse da cerveja que estava bebendo. Sim, definitivamente era a cerveja. Brenda deixou as brincadeiras de lado e olhou seriamente para a amiga. Tanto ela quanto Roger sabiam dos problemas financeiros que a loira passava. E tentavam ajudá-la da melhor forma possível, ajudando-a a entregar e enviar currículos para todas as áreas e cargas horárias que atendiam ao requisito dela. — Você acha que ele aceitaria? — Roger perguntou, pegando outro pedaço de pizza. — Não sei. — Só saberá se falar com ele — Brenda disse, solidária. — Ah, vai ser ótimo — resmungou a loira, irônica. — “Oi, chefinho. Ouvi você falar que precisa de uma babá urgentemente e, bom, sou a babá perfeita!” Brenda gargalhou, quase cuspindo toda a cerveja que tinha acabado de beber bem no rosto da amiga. Ela não tinha culpa se Carolina tinha feito uma piada bem na hora. — Claro que não vai ser assim, né, sua palhaça! — É, você precisa pensar melhor em sua abordagem. Isso é fato — Roger disse, sério. — Mas esse é o problema! Eu não sei o que dizer ou que fazer para entrar no assunto? — Esse é o único problema? — Brenda perguntou, agora, também séria. — Podemos ajudá-la nisso. Não é, querido, Roger? Ele não falou nada, mas assentiu com a cabeça. Roger terminou sua cerveja, colocando a garrafa no chão ao seu lado. Era sua terceira garrafa e ainda tinha uma dúzia na geladeira, prontas para serem consumidas. — Vamos te ajudar. Carolina os olhou com os olhos marejados, feliz por tê-los em sua vida. Não importava o que precisasse, eles sempre estariam ali para ajudá-la. Brenda a olhava com um sorriso nos lábios, esticando a mão para tocar na da loira e Roger, também sorria, afagando a mão dela com os dedos frios de segurar a garrafa gelada. Definitivamente era a cerveja que a deixava desse jeito. A madrugada chegou. E Carolina ainda não tinha conseguido dormir. Ela olhou as horas em seu relógio de pulso, que marcava três e quarenta e três. A ajuda dos amigos ainda martelava em seu cérebro. Ela só esperava se lembrar disso quando fosse realmente falar com seu chefe. Carolina não era tímida, mas se sentia pressionada com assuntos muito sérios. Ela já tinha um trabalho ótimo na Editora Culta, mesmo como estagiária. Não tinha porque se meter em encrenca com seu chefe só por precisar de mais dinheiro para pagar suas contas e sobrar um pouquinho para aproveitar o restante do mês sem se preocupar no mês que vem. Sem contar que só poderia ficar com as crianças pela manhã, já que trabalhava na editora pela tarde. E à noite, estudava. Em sua mente nebulosa, mais e mais problemas apareciam quanto mais pensava no assunto. E tudo o que mais queria era conseguir dormir logo. Precisava descansar o mais rápido possível para na manhã seguinte acordar em um horário bom para que não precisasse sair correndo para o trabalho. Tentaria falar com o chefe no dia seguinte, mas um nervosismo subia por sua garganta cada vez que pensava no que tinha que fazer. Ela estava enjoada e continuar deitada não estava ajudando em nada. Carolina então se levantou, sentando-se perto do vaso sanitário no banheiro da sala com a porta fechada. Tudo o que ela precisava era de ar e ficaria bem. Mas o ar parecia não chegar nela, então mudou de estratégia. Foi para a varanda da casa da amiga e se sentou no chão, não tinha condições de ficar em pé. O vento frio batendo em seu rosto e corpo a refrescou, acalmando um pouco seu nervosismo. Ela não sabia o motivo de estar tão nervosa, não era como se fosse pedir um aumento ou se demitir — Deus me livre. E com a calma que sempre tinha nos momentos mais difíceis, respirou fundo e tentou arrumar os pensamentos. E de repente ela lembrou que odiava fazer entrevista de emprego, talvez fosse só por isso que estava tão nervosa. Carolina praticamente precisaria fazer essa entrevista de emprego para conseguir ser babá dos filhos do seu chefe, além de ser sua estagiária. Isso poderia dar muito certo. Romeu a conhecia já tinha quase um ano. Não era possível que ele não confiasse nela ao ponto de recusá-la — mas era uma opção, que a deixava seu estômago revirado. Uma parte de si sabia que ela conseguiria esse emprego. Essa mesma parte era racional e tentava acalmar a outra parte. Era isso que precisava pensar para ficar calma, respirar fundo e ser racional. Sem que percebesse, acabou dormindo ali mesmo, refrescada pelo vento forte que balançava as cortinas da sala de Brenda, sua melhor amiga. Era sexta-feira. Carolina terminava uma revisão de texto quando Maria se aproximou com a cadeira giratória. — O que está fazendo? — ela perguntou, seus óculos grande demais na ponta do nariz. — Que tal um lanche? Pereira sorriu, virando o rosto para encarar a colega de trabalho que a chamava para lanchar. Maria estava acima do peso, mas ela não se importava com o que diziam sobre ela, sua autoestima era elevada e m*l notava os olhares julgadores para cima de si. Carolina respeitava isso. — Você tirou as palavras da minha boca. — Maria riu, girando na cadeira. — Deixe-me só terminar esse último parágrafo. Ela leu por dois minutos e, fechando o arquivo com suas sugestões de mudança, levantou-se da cadeira e foi até a cozinha do departamento para lanchar. Carolina era uma mulher saudável, sempre comia uma ou duas frutas pela tarde, era mais do que o suficiente para lhe deixar satisfeita. Enquanto Maria esquentava seu cachorro quente de lanche no microondas, Dona Regina apareceu com o mesmo intuito. No entanto, dessa ela foi como Carolina, comendo apenas uma salada de fruta — com leite condensado. — Como estão, minhas queridas? — Ah, Dona Regina, estou tão feliz! — Maria disse, sorrindo de lado ao outro, até seus olhos brilhavam de felicidade. — O que a deixou tão feliz assim? — Isso você não me conta, né?! — Carolina cutucou a amiga, que riu. — Acabei de saber — disse ela, dando pulinhos de felicidade. — Meu namorado vem me visitar esse final de semana e vai ficar aqui por uma semana. — Ah, que coisa ótima! — Dona Regina, exclamou, correndo para abraçá-la. — Isso é maravilhoso! — disse a loira, abraçando-a de lado depois que a senhora se afastou. — Ele não conhece São Paulo, então vamos fazer um tour pelas coisas mais básicas de se fazer aqui e depois vamos nos aproveitar. — Ela riu, escondendo o rosto com as duas mãos, um tantinho envergonhada com a última parte do que disse. — Ele vai adorar, tenho certeza — disse Carolina, apertando a mão da amiga. Maria e João namoravam há dois anos à distância. Começou como um webnamoro, mas agora eles estavam firmes e fortes. Quando Maria não ia para Porto Alegre, visitá-lo, ele vinha para cá. — Fico muito feliz por você, querida. — Eu estou muito feliz! — ela deu um gritinho, dando mais pulinhos de felicidade. — Fazem dois meses que não nos vemos. Ah, vai ser ótimo. A conversa continuou por mais alguns minutos, Maria contava os planos que já tinha feito para que eles aproveitassem os pontos turísticos de São Paulo. E Carolina teve seu foco mudado quando seu chefe apareceu na cozinha do escritório. Ele sorria, ouvindo os gritos da Maria lá da sua sala. — Vejo que tem alguém muito feliz hoje. — O namorado da Maria vem visitá-la por uma semana! — Dona Regina disse, abraçando-a novamente. O clima era tão bom que era contagiante ficar tão feliz como ela estava. — Oh, é mesmo? Qual dia? — Ele chega na sexta à noite. Romeu pareceu pensar um pouco. — Pois, você está liberada de vir na sexta-feira. — Sério? — perguntou ela, sem acreditar. — Sim, quero que tire o dia de folga para ajeitar o que tiver que ajeitar. Maria deu mais alguns gritinhos e correu para abraçar o chefe, maior que ela. — Obrigada, Romeu! Muito obrigada, mesmo! — Que isso, quero que se divirta enquanto ele estiver aqui — disse ele sem jeito. — Só não te dou a semana inteira de folga porque ainda precisamos de você aqui. E todos riram, era uma piada recorrente dele. No entanto, todos estavam felizes. Maria sentou para comer seu cachorro quente quando o microondas apitou. Dona Regina também se sentou, mas para comer sua salada de frutas. E Carolina respirou fundo, agora era a hora. Ela tinha fugido por dois dias, mas precisava encarar sua necessidade o quanto antes. Não podia continuar perdendo tempo. E quanto antes fizesse isso, mais rápido se livraria do frio no estômago. — Romeu? — ela o chamou, um pouquinho tímida. — Posso falar com você? Carolina quase tinha o chamado de senhor, coisa que ele deixou muito clara de que não tinha necessidade, já que ele não era tão velho assim. — Claro! — ele respondeu, chamando-a para que conversassem no escritório dele. — O que houve? — Bom, eu ouvi que o se- você estava precisando de uma babá para os seus filhos. — Ela começou, torcendo os dedos uns nos outros. — Sim, acho que cheguei a comentar esses dias. Minha mulher vai voltar a trabalhar semana que vem. — Isso! Bom, pensei em deixar meu currículo com você. — Você... quer ser a babá? — Sim, bem... Estou precisando de dinheiro e... — ela se interrompeu, respirando fundo. — Sempre cuidei dos meus primos e irmã mais nova. Não tenho problema em trocar bebês, dar banho ou comida. — Isso foi inesperado. O sangue no corpo de Carolina parou e, respirando fundo mais uma vez, se obrigou a ficar calma. — Não! Não quis dizer de forma ruim... — ele disse, sorrindo dessa vez. — Quis dizer que não imaginava que você estivesse interessada. Carolina continuou o olhando, abrindo um sorriso. Agora ela já retorcia os dedos de nervosismo. Estava mais calma do que quando começou a conversar com o chefe. Mas ele a tinha deixado confortável o suficiente para que parecesse uma conversa normal. — Não acredito que no seu currículo tenha o que procuramos em uma babá, mas que tal fazer um teste na segunda? — Isso seria ótimo! — Quais são os seus horários? — Infelizmente só tenho as manhãs livres, já que trabalho aqui pela tarde. — Fica ótimo, meu filho Eduardo pode cuidar deles pela tarde — disse ele, sorrindo. Se ele parasse de sorrir por pelo menos um segundo, Carolina teria a chance de pensar com mais clareza. Mas ela não disse nada, apenas concordou com a cabeça. — Perfeito, então. Fica combinado de você ir lá em casa na segunda pela manhã, umas sete e meia. — Muito obrigada! — Eu que agradeço. Sei que você vai me ajudar mais do que imagina. — Assim espero. Aquele maldito sorriso se expandiu no rosto perfeito do seu chefe e Carolina quis desviar o olhar dele, no entanto, ficou presa nos olhos de Romeu quando moveu o olhar mais para cima. Como ele podia sorrir até com os olhos com algo tão simples? Carolina não sabia e teria que descobrir em algum outro momento, já que se obrigou a sair da sala dele o quanto antes, para que não ficasse um clima um tanto estranho. Ela só esperava que desse tudo certo na segunda-feira.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD