Capítulo Três

1354 Words
— Me explica essa história agora, Liah Albuquerque. — Minha mãe continuou gritando. — Mãe... — Não me venha agora com mãe, Liah, porque eu não coloquei uma filha no mundo, estraguei meu corpo, meus s***s para ela crescer como uma ingrata e virar uma v*******a. Fico surpresa com seu linguajar, nunca, em toda a minha vida, imaginei que minha mãe conhecia palavras desse nível. — Eu soube que me arrependeria da decisão de ter gerado você — me encolhi ainda mais — apenas chegou mais cedo do que eu imaginada. Então, ela se voltou ao meu pai. — A culpa é sua, Henrique. — ela disse, seguida de uma gargalhada amarga — Você foi quem veio com essa história de liberdade e deixar ela seguir os próprios passos e fazer as próprias escolhas. Veja as escolhas do seus próprios passos agora! Lide você com as escolhas que ela fez. Eu já chorava sem parar. Era como se cada palavra saída da boca de minha mãe fosse enfiasse mais profundamente a faca que já estava enfiada em meu coração. — Quem é o pai desse pedaço de m***a que você tá levando na barriga? — ela pergunta. Permaneço calada, incapaz de encontrar as palavras certas em minha cabeça. — Fala logo, Liah! — ela volta a gritar. — Quem foi o i****a para quem você andou abrindo essas suas pernas malditas? — Mãe, isso não importa, eu... — tentei falar, mas fui interrompida por um t**a forte na cara. E então minha mãe começou a me atacar, me arranhando e me esbofeteando. Meu pai precisou intervim para conseguir tira-la de cima de mim. — Olha só Henrique, a meretriz nem sabe quem é o pai do bebê. Foram tantos homens assim, Liah? Nós pensando esse tempo todo que você era uma virgem enquanto você fazia uma filinha de filhos da p**a e os satisfazia como uma p**a barata. — ela fecha os olhos com força — Por que, meu Deus, eu, justo eu, fui ter uma filha incapaz de manter as pernas bem fechadas? Por que justo eu tive que criar a porcaria de uma p**a? Tive que cria-la em minha casa, chama-la de filha por tanto tempo? —Mãe, eu sinto muito. — digo, entre lágrimas. — Sente muito? — ela voltou a rir — Você sente muito, Liah? Talvez você devesse pensar nisso antes. Você deveria ter pensando em como suas atitudes vis levariam o nome da nossa família para o lixo. — ela se soltou de meu pai e me deu outro t**a, sendo contida por ele novamente — Sua cachorra, você destruiu a vida de todo mundo, jogou seu futuro brilhante, a única coisa que te fazia especial, na lama. E você ainda se chamava de garota inteligente. Ao que parece não foi inteligente o bastante para evitar uma gravidez. Você deveria assumir o título de g****************a a partir de agora. — Mãe, por favor, não fala assim comigo, me perdoa, por favor, eu não queria que isso acontecesse, eu juro. — tento explicar. Do nada minha mãe parou e ficou estátua uns bons segundos, apenas me fitando, sem mexer nenhum outro musculo de seu corpo, ficando extremamente séria. — Ok, nem tudo está perdido ainda. Eu tive uma ideia pra livrar nos tirar dessa roubada. — ela fala abrindo um sorriso diabólico — Liah você vai fazer um aborto. — ela bateu palmas quando terminou de falar. — O que? — perguntei incrédula. — Ninguém sabe dessa desgraça em nossas vidas ainda, só algumas pessoas do hospital. Pagamos para eles ficarem calados e pronto. Apagamos esse ponto n***o de nossas vidas. Eu sei de alguém que conhece uma clínica... — Não irei fazer um aborto — a interrompi, elevando a voz. — Como assim você não vai abortar? — Não abortando. Eu respeito quem toma essa decisão mãe, cada um decide o que faz com seu próprio corpo, mas eu não vou abortar. Eu tenho minhas crenças, e eu vou segui-las. E outra, você sabe que aborto aqui é crime e não tem segurança nenhuma. Você sabe o número de mulheres jovens que morrem anualmente por causa de abortos clandestinos. — Você não vai abortar? — ela pergunta uma última vez. — Não. É muito perigoso. — falo baixinho. — Sabe o que você é, Liah? Uma v***a burra e egoísta. Será que você n******e deixar de pensar em si mesma por um minuto e pensar nas consequências que seus atos trará para o seu pai e para mim? Você vai abortar sim, não se fala mais nisso. — Não, não vou. — falei em lágrimas. — Como você ousa...  — ela mesma se interrompe — Quer saber? — ela falou limpando as lágrimas. — Eu não tenho mais filha. — Como assim mãe? — Não me chame mais assim. Entre uma filha p**a e não ter filha eu escolho não ter filha. — Mãe... — Esqueça que eu existo, a partir de hoje você é órfã e sua vida não me interessa mais. Não quero ver você mais em minha casa, na minha vida e em nenhum dos círculos de amizade que eu frequento. Você está banida de nossas vidas. — Mãe... — Espero que você aprenda com as consequências de seus atos, por que eu duvido que quem quer que seja o pai desse... bebê aceite assumi-lo, então você terá que se virar sozinha e sem profissão. Esqueça então seu sonho de ser uma arquiteta famosa e se contente com dar de mama nas madrugas e um emprego com salário mínimo que não é suficiente nem para comprar fraldas. Esqueça também seu sonho de ter uma família, de casa, porque não há nada que repele mais um homem do que mães solteiras. Quando você estiver arrependida e precisando de socorro lembre-se que não deve correr para mim. Você não tem mais lugar em minha realidade. A partir de hoje você morreu pra mim. — ela falou virando de costas. — Pai...— tentei falar com ele, mas tudo que recebi foi seu olhar desiludido e outra virada de costas. — Você tem um minuto para sair daqui moça, antes que eu chame os seguranças. — minha mãe falou em seu tom neutro. — Por favor... — Quarenta e cinco segundos— ela falou pegando o telefone. — E para onde eu vou? — perguntei. — Isso realmente não é da nossa conta. Tinta segundos. Lancei outro olhar para eles, implorando por um momento, por uma explicação, mas tudo que recebi foi um olhar envergonhado do meu pai e frieza da minha mãe. Perdida, e sentindo o chão ruir sob os meus pés saí de lá correndo, antes que perdesse toda a minha capacidade de respirar. Algumas pessoas olhavam sem entender nada, outros me reconheceram e tentaram me parar, Julia sendo uma dessas pessoas, porém nada me impediu. Eu apenas corri e corri, escolhendo as escadas no lugar do elevador. Corri até a saída e quando cheguei na rua continuei correndo. Quando senti que estava prestes a explodir, parei na lixeira mais próxima e vomitei tudo que tinha conseguido colocar no estômago e ao terminar voltei a correr, sem nem mesmo me importar com os julgamentos das pessoas que com certeza achavam que eu era uma louca, correndo e chorando pelas ruas. Parei no primeiro ponto de taxi que eu vi quando comecei a sentir minhas pernas queimando e entrei no taxi. O taxista me olhou pelo retrovisor, viu minhas lágrimas mas não me perguntou nada sobre o que tinha acontecido. E eu fui extremamente grata a isso. — Pra onde moça? — ele pergunta, extremamente gentil. — Eu... Eu não sei ainda. O senhor pode só andar um pouco? Até eu decidi para onde eu vou. — falei entre lágrimas. Então, sem falar mais nada o taxista começou a dirigir. E eu chorei por meu rompimento com meus pais, por minha vida perdida, pelas escolhas que eu fiz com Guilherme e pela forma como ele me tratou. E quando eu senti que não tinha mais lagrimas no meu corpo eu chorei mais um pouquinho.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD