Capítulo — Voz de Fernanda A casa já tava toda escura. Só a luz fraca da rua passava pelas frestas da cortina, riscando a parede do quarto com tons amarelados. O relógio marcava quase onze da noite, e eu ainda não tinha conseguido dormir. Aline tinha ido embora há umas duas horas, e desde então o silêncio parece que me engoliu inteira. Deitei, virei pro lado, depois pro outro… nada. A cabeça não parava, o corpo cansado, mas o coração não deixava. Tava com uma angústia que não fazia sentido, um nó no peito que apertava cada vez mais. Levantei e fui pra cozinha. Fiz um café, mesmo sabendo que aquilo só ia me deixar mais desperta. Mas pelo menos o cheiro quente do café me fazia sentir um pouco de vida na casa. Sentei na mesa, olhei pro nada, e fiquei ouvindo o som do vento batendo

