Capítulo — Voz de Aline A madrugada tava pesada. Daquelas que a gente sente o ar parado, o coração inquieto e o corpo cansado, mas a mente não deixa descansar. Fazia tempo que eu não sentia algo assim — uma mistura de ansiedade, medo e saudade que apertava o peito de um jeito que doía de verdade. Eu tinha tentado dormir, mas não deu. A casa tava silenciosa demais. O barulho do ventilador girando parecia ecoar nos meus ouvidos, e cada vez que eu fechava os olhos, parecia que via o rosto dele. O do Nd. Desde que ele foi embora, alguma coisa dentro de mim ficou diferente. Não era só saudade, era como se uma parte de mim tivesse ido junto. E agora, sozinha naquele quarto escuro, eu sentia o peso disso mais forte do que nunca. Levantei, fui até a cozinha e acendi a luz. O relógio ma

