Arthur decidiu chamar aquilo de amor. Foi assim que ele tentou dar sentido ao que já não conseguia controlar. Não usou gritos, nem ameaças abertas. Usou palavras suaves, promessas vagas, frases que pareciam cuidado, mas carregavam posse em cada sílaba. — Tudo o que eu faço é por você — disse numa noite, enquanto eu organizava alguns papéis na mesa da sala. — Por você e pelo bebê — completou, como se isso tornasse a frase incontestável. Levantei o olhar devagar. — Fazer por alguém não dá direito de decidir por ela — respondi. Arthur suspirou, cansado. — Você transforma tudo em conflito. — Não — falei. — Eu tiro o verniz. Ele se aproximou, sentando-se à minha frente. — Você não vê que eu estou tentando proteger nossa família? — Família não se protege com medo — respondi. — Se prot

