O Nome Que Liga

1109 Words

O quarto estava quieto quando acordei. Não o silêncio da ausência, mas o silêncio atento de quem escuta a respiração de alguém pela primeira vez. O bebê dormia no berço transparente, os punhos fechados como se ainda estivesse agarrado ao mundo de dentro. O peito subia e descia num ritmo que parecia antigo, como se ele já tivesse feito aquilo antes. Arthur dormia numa poltrona ao lado da cama, torto, exausto, o rosto marcado por uma noite sem controle. Pela primeira vez, ele parecia pequeno. Não diminuído — humano. Olhei para o berço. — Você chegou — murmurei. — E chegou mudando tudo. O nome ainda não existia. Havia sons, imagens, sensações, mas nenhuma palavra que o amarrasse ao mundo. Isso incomodava Arthur mais do que ele admitia. — Precisamos decidir — disse, assim que acordou, a

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