Arthur passou a oscilar como quem perde o eixo sem perceber. Não era mais o homem de gestos firmes e decisões rápidas. Também não era o marido que gritava ou impunha. Tornou-se algo mais perigoso: imprevisível. Em um momento, vinha com palavras suaves, quase humildes. No outro, endurecia o olhar e o tom, como se precisasse lembrar a si mesmo quem era. Ou quem acreditava ser. Na manhã seguinte à visita de Bianca, ele acordou cedo demais. Circulou pela casa em silêncio, abriu e fechou portas, mexeu em papéis que não precisava revisar. Quando sentamos para o café, ele parecia exausto. — Você dormiu? — perguntei. — Um pouco — respondeu, sem me olhar. — Não parece. — Tenho pensado demais. — Pensar é perigoso quando se evita a verdade — respondi. Ele suspirou. — Bianca não pode voltar

