O corpo não pediu licença quando decidiu reagir. A dor veio no meio da madrugada, cortando o sono como uma lâmina fina. Não foi um grito. Foi um alerta. Um aperto profundo, acompanhado de uma pressão que descia lenta, pesada, impossível de ignorar. Sentei na cama com dificuldade, sentindo o suor frio escorrer pelas costas. Arthur dormia ao meu lado. Por alguns segundos, pensei em acordá-lo. Depois parei. Não por orgulho, mas por instinto. Meu corpo não confiava mais nele. Levantei com cuidado e fui até o banheiro. Apoiei as mãos na pia, respirei fundo, observei meu reflexo. Estava pálida. Os olhos fundos. A respiração curta. Quando olhei para baixo, vi o sangue. Pouco. Mas suficiente. Ali, algo mudou de lugar dentro de mim. Não era pânico. Era lucidez. — Não agora — sussurrei, par

